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Gasolina pública: prefeitura começa a vender gasolina para reduzir os preços na cidade

Você acha a gasolina cara demais? Os preços na sua cidade parecem combinados, de tão parecidos (e caros)? A prefeitura de Somerset nos EUA também acha isso, e decidiu resolver o problema de um jeito simples — e bastante controverso: eles começaram a vender gasolina por conta própria a um preço mais baixo. Isso mesmo que você entendeu: a prefeitura está vendendo gasolina mais barata!

A decisão polêmica foi tomada depois de meses de reclamações dos habitantes da cidade a respeito do alto preço da gasolina praticado na cidade: enquanto todas as cidades nos arredores de Somerset cobram cerca de US$ 3,40 pelo galão (3,78 litros, ou R$ 1,99/litro), os postos locais chegam a US$ 3,79 (R$ 2,23/litro).

Diante disso, o prefeito republicano Eddie Girdler não teve dúvidas e abriu o posto de combustível da prefeitura — usado para abastecer carros oficiais e viaturas de polícia e bombeiros — ao público, cobrando US$ 3,36 pelo galão (R$ 1,97/litro), um valor semelhante ao praticado nas cidades vizinhas.

Obviamente a medida atraiu críticas: há quem diga que o governo está adotando uma medida socialista e prejudicando os postos de combustível locais. Duane Adams, proprietário de um posto/conveniência na cidade, vê o posto público como uma ameaça ao seu negócio:

Eles usaram o dinheiro dos impostos que eu ajudei a pagar todos estes anos para fazer isso, para se voltar contra nós. Não sei como alguém não vê isso como socialismo”.

O prefeito Girdler (abaixo) rebate: “vendemos energia ao público há 50 anos. Agora que mudamos o tipo de energia, um tipo é bom, o outro é socialismo?” disse referindo-se ao fornecimento de gás natural aos habitantes da cidade.

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O posto, sendo uma instituição municipal, não tem nenhum tipo de serviço (e nenhuma geladeira com refrigerantes, como estamos acostumados). Eles vendem apenas gasolina comum, de 87 octanas em dez bombas e nada além disso. O posto funciona quase 24 horas por dia, mas durante o horário de maior movimento, das 6 às 20h, você só pode pagar em espécie — dinheiro na mão ou nada feito. Após esse horário eles também aceitam cartões de crédito.

Para colocar o posto em operação foi preciso um investimento de US$ 75.000, a maior parte desse dinheiro foi usada em equipamento e softwares para aceitar cartões de crédito e controlar o estoque. A gasolina vendida no posto vem de uma refinaria local, que fica a alguns poucos quilômetros do estabelecimento, que tem capacidade para quase 230 mil litros do combustível.

O prefeito Girdler contou ao Commonweath Journal, o jornal local, que muita gente está tentando derrubar sua iniciativa. Já o acusaram de improbidade administrativa e sonegação fiscal. Ele também se defende da oposição, dizendo que a cidade estava perdendo dinheiro com os motoristas que deixavam para encher o tanque nas cidades vizinhas, e que por isso era preciso fazer algo a respeito pois “eles são uma comunidade batalhadora, e não vão deixar que as petrolíferas ditem as regras por lá”.

Ainda segundo o prefeito, o único objetivo era reduzir os preços da gasolina na cidade que, segundo auditorias, são entre 30 e 40 centavos mais caros que nas cidades vizinhas. A aceitação do público foi geralmente boa, e alguns clientes do posto público disseram ao jornal que esperam ver os preços baixando nos postos privados.

A ideia parece ter dado certo: após alguns dias de operação do posto público, os postos privados reduziram seus preços para alguns centavos acima do posto público. Resta saber agora por quanto tempo isso irá funcionar. O que você acha da solução? É um exemplo que deve ser seguido, um caso específico que deve ser analisado em um contexto, ou uma medida perigosa e potencialmente prejudicial à economia local em longo prazo?

[ via Jalopnik US ]

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