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Genesis G70: a arma da Hyundai em sua declaração de guerra aos sedãs alemães

A Genesis não apresentou o G70 em Frankfurt. Em vez disso, decidiu apresentar seu novo sedã médio-grande de tração traseira na Coréia do Sul mesmo, em um evento realizado em seu próprio centro de design na cidade de Namyang. A gente estranhou a escolha, afinal o G70 foi lançado justamente para brigar com os consagrados sedãs alemães — BMW Série 3, Mercedes-Benz Classe C e Audi A4. Era um momento que chegaria mais cedo ou mais tarde, e poderia muito bem ter acontecido na Alemanha. No ninho das cobras.

É uma timidez que destoa da atitude ousada da Hyundai, que em 2015 lançou a submarca de luxo Genesis, dando ares de novidade a um nome já forte em seu portfólio para atingir um segmento mais específico e bastante desafiador. Será que o novo Genesis G70 tem o que é preciso para esmagar o trio alemão?

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Burburinho eles estão fazendo: é a notícia do dia, mesmo a 8.000 km de Frankfurt – o que faz a gente perceber que faz sentido ter afastado a revelação do G70 do eixo europeu. É como afirmar: “estamos chegando direto da Coréia, e é bom tomar cuidado com a gente.”

Para tal, dá para ver que os coreanos investiram forte no design: não dá para dizer que o carro é sem graça ou pouco inspirado. Na real, há tempos que os coreanos aprenderam a dar personalidade a seus automóveis – ainda que seja uma personalidade composta por influências de outras marcas, cuidadosamente misturadas para formar um conjunto homogêneo e agradável, assinado por uma equipe chefiada pelo belga Luc Donckerwolke, ex-diretor de design da Volkswagen (e responsável por projetos de marcas como VW, Audi, Lamborghini e Bentley) e Peter Schreyer, designer alemão responsável pelo Audi TT.

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A dianteira guarda semelhança com a Audi na disposição dos elementos e no formato dos faróis e grade. A silhueta lembra os BMW, porém com as linhas dos italianos como Alfa Romeo e Maserati, enquanto a traseira é definitivamente Mercedes-Benz. Balanços são curtos, a linha do teto tem caimento bastante suave (não o bastante para ser um fastback).

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Uma coisa interessante a observar é como o carro parece, ao menos nas fotos, maior do que realmente é. Isto pode ter sido proposital, e talvez queira nos dizer que há outro público-alvo para o Genesis G70: os americanos, que além do BMW Série 3 também curtem bastante os carros da Lexus e da Infiniti – e, tal como os brasileiros, compram carro por metro. O G70 nos parece uma alternativa com mais personalidade aos outros orientais. Um exemplo disto é a grade trapezoidal, que a Genesis chama de “grade-brasão” por parecer incrustada nela.

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BMW? É você? Ou seria um Infiniti?

O interior do carro, ao nosso ver, é mais original que o lado de fora, e tem um visual bem interessante. A disposição dos elementos é agradável, a tela retrátil no topo do painel não parece uma solução barata ou preguiçosa, e a ergonomia tem todo o jeito de ser das melhores. O largo console central que separa os dois bancos dianteiros, mais o diâmetro e a empunhadura do volante, dão a impressão de um carro feito para o motorista. Além disso, curtimos os instrumentos analógicos no cluster – os instrumentos totalmente digitais se tornarão norma em breve, mas nada substitui a facilidade de interpretação de um mostrador físico.

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É claro que, para conseguir conquistar o público, o Genesis G70 vai precisar de mais que design e ergonomia. O carro é montado sobre a plataforma do Kia Stinger, sedã lançado neste ano com um visual mais radical e a mesma pretensão de combater os alemães. Dá para ver que os dois carros são parentes pela linha de cintura, por exemplo.

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Dito isto, a Hyundai garante que o G70 é mais leve e, consequentemente, será mais rápido também, ainda que use os mesmos motores: o quatro-cilindros Theta, com turbo, injeção direta, 255 cv e 36 mkgf de torque; e o V6 Lambda de 3,3 litros com dois turbocompressores, 370 cv e 52 mkgf de torque. Além disso, há um quatro-cilindros a diesel de 2,2 litro, 202 cv e 45 kgf de torque. Em todos os casos, o câmbio é automático de oito marchas, mas só o modelo com motor V6, chamado G70 Sport, terá tração integral – ao menos por enquanto.

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O Genesis G70 Sport será capaz de chegar aos 100 km/h em 4,7 segundos, com máxima de 270 km/h, e virá de série com direção de assistência variável e suspensão ajustável ativa. Certamente haverá novas versões no futuro, e a Genesis já deixou claro que não descarta uma versão cupê do G70. Será que um G70 N virá para brigar com o BMW M4 e o AMG C63? É um cenário bem plausível.

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É claro que ainda há um grande obstáculo a ser percorrido pelo Genesis G70: o hábito. Por mais que carros coreanos estejam em alta, especialmente entre o público mais jovem e nos segmentos intermediários do mercado, ainda há muita gente (e isto inclui boa parte dos entusiastass) que não trocaria um BMW, Audi, Mercedes ou mesmo Infinity ou Lexus por um Hyundai quando se fala em sedãs de luxo. Mesmo que ele tenha outra marca e um emblema parecido com o da Aston Martin.

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