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Car Culture

Golf Rallye — o “Audi Quattro” da Volkswagen que você não conhecia

Há quatro décadas o Golf GTi é referência em hot hatch. Nada mais natural, afinal foi ele um dos grandes responsáveis pelo surgimento desta categoria de automóvel. E ele é mesmo um grande carro — e, em sua sétima geração, nunca esteve melhor. Mas é meio injustiça lembrar apenas do GTi quando se pensa em versões apimentadas do Golf. Quer uma prova? O Golf Rallye, de 1989.

Lançada em 1983, a segunda geração do Golf ficou maior e mais refinada, e começou a dar um pouco mais de valor à potência além da dinâmica. Sendo assim, em 1986, pela primeira vez o GTi ganhava um motor com cabeçote de 16 válvulas  (a versão de 8 válvulas seguia em linha). Dois anos depois, foi a vez de outra inovação chegar ao Golf: o motor G60, dotado de um compressor mecânico.

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A base era o mesmo quatro-cilindros de 1.781 cm³ (1,8 litro) de deslocamento da família EA111 (que também deu origem aos motores usados pela VW no Brasil), porém dotado de um compressor mecânico com duto de admissão de 60 milímetros — o chamado G60, com carcaça de magnésio, operava a 0,56 bar de pressão e garantia 160 cv de potência. Equipou o Passat, o Corrado (mais tarde, substituído pelo motor VR6, mais moderno e potente) e, claro, o Golf. De início, o motor foi usado em para uma variante do Golf GTi, o GTi G60, mas foi em 1989 a estreia do nosso astro de hoje.

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Naquele ano a VW decidiu entrar para o WRC, o campeonato mundial de rali — o que significa que ela precisava de um carro especialmente desenvolvido para tal. Um especial de homologação — que, para a temporada seguinte, de 1990, exigia que 5.000 carros fossem produzidos para que a versão de competição pudesse correr.

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O melhor resultado que a VW conseguiu nos ralis com o Golf no Grupo A de rali — dominado por Lancia Delta, Ford Sierra Cosworth e Toyota Celica GT4, só para te dar uma ideia — foi um terceiro lugar em um evento, mas os carros que foram colocados nas ruas para homologá-lo acabaram se tornando uma das mais raras e desconhecidas versões do Golf em toda a história do modelo.

Se o Golf do Grupo A tinha cerca de 400 cv em seu motor 1.8 supercharged — que, para cumprir o regulamento da FIA, tinha 1.763 cm³ de deslocamento —, a versão de rua era obviamente mais mansa, mas ainda assim bastante potente para a época: 160 cv a 5.800 rpm e 22,9 mkgf de torque entre 3.800 e 4.000 rpm, o suficiente para acelerar de 0 a 100 km/h em 8,6 segundos, com velocidade máxima de 209 km/h.

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O visual trazia faróis retangulares iguais aos do Corrado, rodas de 15 polegadas que também tinham desenho inédito e, sua característica mais marcante, os para-lamas alargados como no carro de rali — que lembravam muito o Audi Quattro, e também tinha para-choques de desenho único pintados na cor do carro. Por dentro era mais discreto, com visual muito semelhante ao de um GTi comum — os bancos esportivos são forrados com couro e tecido xadrez que, assim como os tapetes, traz a inscrição “Rallye”.

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Mas o visual e o fato de ser um especial de homologação não eram a única coisa que o Golf Rallye tinha com seu companheiro de estábulo: ambos tinham tração integral, que no VW usava um sistema de diferencial com acoplamento viscoso chamado Syncro. O Syncro era um sistema de tração integral simples e leve, e evoluiu até se tornar o que hoje conhecemos como 4Motion.

Algumas fontes dizem que foram fabricadas 5.071 unidades do Golf Rallye. Isto acontece porque, ainda em 1989, a VW apresentou outra edição especial do Golf — ainda mais limitada, e apropriadamente batizada de Golf G60 Limited. Estas 71 unidades, todas feitas à mão pela divisão de automobilismo da VW, receberam um cabeçote de 16 válvulas no motor 1.8 — o que elevava a potência para surpreendentes 210 cv a 6.500 rpm, além de 25,7 mkgf de torque a 5.000 rpm.

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Com a força extra, o G60 Limited alcançava os 100 km/h em 7,4 segundos e tinha velocidade máxima de 229 km/h. Além disso, ele vinha equipado com itens de luxo como bancos de couro aquecidos, retrovisores elétricos, direção hidráulica, teto solar e freios ABS. O visual, semelhante ao do Golf GTi convencional, incorporava os para-choques maiores do modelo americano e detalhes em azul, além das clássicas rodas BBS raiadas.

O Golf Rallye é um dos mais idolatrados pelos fãs da VW por seu visual, seu desempenho e por sua condição de especial de homologação. Por esta razão, são bastante raros de se encontrar à venda. Contudo, para a sorte de algum entusiasta europeu, um exemplar surgiu à venda recentemente no Reino Unido por £ 16.495 (cerca de R$ 60 mil, sem impostos) — o carro cinza que ilustra este post.

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O preço é quase seis vezes maior do que o de um GTi “comum” do mesmo ano em ótimo estado — os mais caros custam £ 3.500 (R$ 9,1 mil) —, mas o estado imaculado em que se encontra e o status de clássico certamente justificam a cifra.

[ Fotos: 4 Star Classics/Sugestão se AlceuF e Mário Cezar Buzian ]

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