GT, GTI, GTS, GTB… afinal, o que é um Gran Turismo e o que estas siglas significam?

Leonardo Contesini 11 maio, 2017 0
GT, GTI, GTS, GTB… afinal, o que é um Gran Turismo e o que estas siglas significam?

Gran turismo, grand tourer, GT, GTI… o termo e suas siglas estão intimamente ligados à esportividade e à cultura automotiva entusiasta. O nome é usado em categorias de corrida, games, versões esportivas e nomes de carros — muitas vezes completamente fora de contexto.

Mas o que significa “gran turismo”? Ou melhor: o que é um carro “gran turismo”?

A expressão vem da língua italiana, e significa literalmente uma grande viagem. Assim, os carros “gran turismo” são os carro adequados para realizar grandes viagens, em uma explicação simplista. Contudo, a definição não é assim simplista — especialmente porque hoje em dia qualquer carro é capaz de realizar uma grande viagem.

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“Gran turismo” é mais um conceito abstrato do que algo concreto e específico. Há diversas definições — alguns dizem que é apenas viajar com estilo, segurança e conforto e em velocidades elevadas”, enquanto os entusiastas mais puristas dizem que gran turismo é “o prazer e o conforto de se fazer uma grande viagem de carro”. O jornalista e escritor Sam Dawson, contudo, foi mais objetivo em seu livro “GT: The World’s Best GT Cars 1953 to 1973”:

Idealmente um GT deve ter sido idealizado por seus criadores como um GT, com todas as considerações relacionadas em mente. Ele deve ser capaz de transportar ao menos duas pessoas com conforto e sua bagagem e ainda ter espaço de sobra. Seu motor deve ser capaz de estabelecer uma velocidade de cruzeiro confortável no limite máximo das rodovias continentais, sem preocupações ou inconvenientes causados pela falta de potência. O design do carro, por dentro e por fora, deve ser pensado por seu controle total pelo motorista; e o chassi e a suspensão devem proporcionar estabilidade e conforto em qualquer trajeto encontrado durante uma viagem”.

Esta é uma definição mais clássica e — por que não? — romântica de um grã-turismo. Dawson ainda listou outras seis regras que ele mesmo seguiu para determinar quais carros eram verdadeiros grand tourers, e assim selecionar os modelos que seriam incluídos em seu livro. Entre elas estão a impossibilidade de derivação de carrocerias — por exemplo: um verdadeiro GT não pode ser derivado de um sedã de quatro portas, segundo os critérios de Dawson. Outro critério é que supercarros não podem ser GTs, pois, via de regra, não têm espaço para bagagem e não são confortáveis — a Ferrari 365 GTB/4 Daytona ficou fora de seu livro por esse motivo.

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Por outro lado, com uma concepção mais moderna, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) também estabeleceu critérios para definir o que é um GT, mas por se tratar do órgão internacional que regula o automobilismo, sua definição tem caráter oficial: para efeitos de competição um GT é um automóvel fechado ou aberto com não mais que uma porta em cada lado e ao menos dois lugares, um em cada lado da linha central longitudinal do carro; estes dois bancos devem ser cruzados pelo mesmo plano transversal. Este carro deve ser liberado para rodar nas estradas e adaptado para correr em circuitos ou percursos fechados.

Note que a FIA não menciona capacidades, conforto, espaço de sobra ou níveis de potência. Basta ser um carro de rua de duas portas com bancos lado-a-lado — ou às vezes nem isso, uma vez que a Federação homologou o McLaren F1 com seu banco solitário na parte anterior do cockpit.

 

Mas então… o que é um grand tourer?

Resumidamente, é um carro duas portas, com potência suficiente para não perder o fôlego na estrada, e que seja espaçoso e confortável, desenvolvido para transportar seus ocupantes para qualquer canto do mundo em que haja uma estrada. No FlatOut costumamos usar a definição clássica do termo, como descrita por Dawson, mas isso nunca nos impediu de relacionar as qualidades de grand tourer a carros mais mundanos como o Honda Prelude, o Mercedes CLK, ou a supercarros com orientação mais estradeira, como o McLaren 570 GT ou o Bugatti Chiron.

 

E o que significam as siglas GT e afins?

Abaixo listamos as principais siglas baseadas na nomenclatura GT, seus significados e principais aplicações — incluindo algumas siglas exclusivas do Brasil.

GT — Gran Turismo: sigla original para designar os carros tipo grã-turismo.

GTI — Gran Turismo Iniezione ou Gran Turismo Injection ou Gran Turismo International: um modelo GT com injeção eletrônica — algo que não era tão comum até o início dos anos 1990. A sigla foi popularizada pelo VW Golf GTi e pelos modelos GTi da Peugeot, porém sua criação é atribuída à Maserati, que usou a sigla pela primeira vez no 3500 GTi de 1961. Com a injeção eletrônica se tornando um padrão da indústria, a sigla passou a ser usada como Gran Turismo International — significado usado pela Puma a partir de 1979.

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O primeiro GTI da história

GTO — Gran Turismo Omologata(o): criado pela Ferrari no início dos anos 1960 para diferenciar seu novo modelo de homologação na categoria GT da FIA, o 250 GTO, do antigo 250GT. Também foi usado pela Pontiac e pela Mitsubishi, mas nestes dois casos sem relação com homologação.

GTS — Gran Turismo Spider ou Gran Turismo Sport: designa os modelos GT conversíveis (chamados pelos italianos e pela Porsche de “spider” ou “spyder”). Também pode ser usado em modelos não conversíveis, como no caso do Dodge Viper GTS, dos modelos Porsche GTS (911, Cayman, Macan e Cayenne), com o significado de Gran Turismo Sport. Nos Volkswagen Passat e Gol a sigla tem o mesmo significado, mas seu uso foi uma opção de marketing, uma vez que não se tratam de modelos GT. Quem também usou com a mesma finalidade foi a Renault, porém o significado era Grand Tourisme Spécial.

GTB — Gran Turismo Berlinetta: sigla criada pela Ferrari para designar seus GT com motor traseiro, ou com carroceria em estilo de berlinetta. No Brasil a Puma usou a sigla com outro significado: Gran Turismo Brasil.

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Ferrari 599 Gran Turismo Berlinetta

GTE ou GT/E — Gran Turismo Einspritzung: variação alemã da sigla GTI; “einspritzung” significa injeção de combustível em alemão. No Brasil a Puma usou GTE para designar os modelos de exportação (GT Export) e, mais recentemente, a Volkswagen usou a sigla GTE significando GT Electric em uma versão híbrida do Golf GTI. Ainda há uma variação usada pela Reliant para designar a versão perua do Scimitar GT, com o significado de GT Estate.

GTD — Gran Turismo Diesel: usado pela Volkswagen e pela Peugeot em versões esportivas de modelos a diesel — caso do Golf GTD e do 505 GTD.

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Parece um GTI, mas veja bem a terceira letra na grade

GTR, GT-R ou GT R — Gran Turismo Racing: usado em versões de corrida de GTs, versões de homologação de modelos de corrida (Mercedes CLK GTR), em modelos inspirados pelas versões de corrida (Mercedes-AMG GT R), ou ainda como nomenclatura mercadológica (Nissan GT-R)

GTA — Gran Turismo Alleggerita: sigla usada pela Alfa Romeo para designar seus modelos com peso aliviado (alleggerita, em italiano). A Ferrari usou a sigla para denominar seus GT com câmbio automático (GT Automatic).

GTAm — Gran Turismo Alleggerita Modificata: variação de GTA usada pela Alfa Romeo em modelos modificados e com peso aliviado.

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Alfa GTA modificado com para-lamas e rodas mais largos 

GTV — Gran Turismo Veloce: criado pela Alfa Romeo para designar versões esportivas de seus GT. Veloce em italiano significa “veloz”.

GTX — Grand Tourisme Xtreme: sigla usada pela Renault nos esportivos topo-de-linha da época em que seus carros eram batizados com nomes numéricos. A sigla, contudo, é mais antiga e foi criada pela Chrysler nos anos 1960, porém o X não tinha um significado especial, como contou Jack Smith, engenheiro da fabricante na época: “O que significa o X? É apenas uma letra. Chegamos a ela de um jeito lógico, mas era uma cópia do [Pontiac] GTO.

GTC — Gran Turismo Competizione: a marca que mais utilizou a sigla GTC foi a Ferrari, com o significado de Gran Turismo Competizione, mas GTC também pode significar GT Compressore, como no caso do Alfa Romeo 6C GTC; GT Cabriolet, caso do Bentley Continental GTC; Gran Turismo Compact, caso do Opel Astra GTC ou ainda Gran Turismo Corsa, para versões de corrida da Ferrari.