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GT-Racing: os carros de rua mais legais batizados com a sigla GT-R

Ontem, esclarecemos uma questão importante: o que significa a sigla GT, e o que, de fato, é um Gran Turismo. Também explicamos o significado de todas as siglas derivadas – GTA, GTB, GTE e daí por diante.

Uma destas siglas é especial: GT-R. Ou GTR, GT R… depende da fabricante. O fato é que o R é de racing, e como você obviamente sabe, racing é bom. Boa parte da razão para gostarmos tanto de carros é a possibilidade de correr com eles. E, não por acaso, os Gran Turismo Racing costumam ser praticamente carros de corrida, mesmo que nem sempre sejam GTs.

Parece complicado, mas não é. Um Gran Turismo Racing pode ser, sim, a versão de corrida de um grand tourer, mas a sigla GT nem sempre é usada para grand tourers (o que você certamente sabe, se leu o post de ontem), e sim para versões esportivas – e esportivadas – em geral. Quando o “R” entra em cena, sabemos que a coisa é séria, na maioria das vezes. Por isto, decidimos elencar aqui os GT-R mais bacanas e curiosos já fabricados. Começando pelo carro que nos fez lembrar de toda esta conversa, há alguns dias mesmo.

 

Lamborghini Diablo GTR

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O Diablo GT-R foi uma versão de rua com vocação para a pista do Lamborghini Diablo, feita sobre o Diablo GT – que, bem, não era um GT de verdade. Como já foi mencionado, segundo a definição clássica, supercarros não podem ser GTs porque eles não são confortáveis, nem espaçosos. Mas o “R” do Diablo GTR era totalmente verídico.

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O Lamborghini Diablo GTR tinha um motor maior, com seis litros em vez de 5,7 litros, e bom para entregar 590 cv – quase 100 cv a mais que a versão comum. Ele também tinha interior aliviado, todo revestido em Alcantara (ao menos onde havia revestimento) e dotado de uma gaiola de proteção integral, sistema de supressão de incêndio, e assentos de competição. Ele era capaz de chegar aos 100 km/h em 3,5 segundos, e a velocidade máxima era de 340 km/h.

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Foram feitos 40 exemplares do Diablo GT-R, acompanhados de 40 chassis reserva para os carros que fossem severamente danificados em corridas. E a maioria deles foi, mesmo.

 

Holden Torana GTR XU-1

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Antes do Holden Commodore, havia o Holden Torana. O sedã de tração traseira lançado em 1967 foi o carro de turismo mais bem sucedido da Holden até 1978, quando o Commodore foi lançado, e ganhou sua versão GTR em 1970. Enquanto usavam as outras versões do Torana usavam motores de quatro cilindros, o GTR XU-1 tinha um seis-em-linha de três litros, alimentado por três carburadores Zenith-Stromberg CD-150 e dotado de cabeçote de alto fluxo, comando agressivo, coletores de aço fundido e 160 cv. O câmbio era manual de quatro marchas e, claro, levava a força para as rodas traseiras.

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O visual era relativamente conservador, mas havia um spoiler na traseira e sobre-aros nas rodas. De qualquer forma, mesmo com a potência relativamente conservadora, o Torana GTR não demorou a se tornar um carro de competição popular na austrália. Preparado para passar dos 300 cv, o seis-em-linha foi responsável por uma bela participação do Torana GTR em provas de turismo e rali, incluindo vitórias nas edições de 1970 e 1971 das 500 milhas de Bathurst.

 

Isuzu Bellett GT-R

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Se você jogava Gran Turismo 4 e gosta de esportivos japoneses obscuros, certamente vai lembrar deste aqui. O Isuzu Bellett era o menor e mais barato modelo da marca japonesa até a chegada do Isuzu Gemini — a versão japonesa do Chevrolet Chevette / Opel Kadett — em 1974.

Lançado em 1969, o Isuzu Bellett GT-R era uma versão modificada do Bellett GT, de 1963, que por sua vez era uma versão esportiva, com duas portas, do sedã apresentado em 1963. Em 2006, a revista japonesa Nostalgic Hero o colocou em décimo lugar entre os 50 melhores carros japoneses de todos os tempos.

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Sua boa reputação vem da fórmula mágica “leveza + dinâmica + potência na medida certa”. Ele tinha um quatro-cilindros de 1,6 litro com comando duplo no cabeçote emprestado do belo cupê Isuzu 117, capaz de entregar 120 cv. Era o bastante para que o carro de 970 kg chegasse aos 190 km/h, uma bela marca há cinco décadas.

O Bellett GTR também tinha suspensão independente nas quatro rodas, com sistema McPherson na dianteira e braços arrastados na traseira. Foram feitos apenas 1.400 exemplares, e muitos deles ainda levam uma vida ativa nas pistas.

 

Mercedes-AMG GT R

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A atual arma da Mercedes-Benz contra o Porsche 911 GT3 RS o Mercedes-AMG GT R, um monstro verde com motor V8 biturbo de 585 cv e a grade dianteira mais bacana dos últimos tempos – um belo aceno aos carros de corrida do passado da Mercedes, como o belíssimo W194 que deu origem ao 300 SL Gullwing.

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O motor em questão usa como base o V8 biturbo de quatro litros do AMG GT S, porém equipado com novos turbocompressores, reprogramação eletrônica e um aumento na taxa de compressão. Com isto, a potência vai de entrega 510 cv a 6.250 rpm e 66,1 mkgf entre 1.750 e 4.750 rpm para 585 cv e 71,3 mkgf. E tem mais: o AMG GT R tem uma versão especial da caixa de dupla embreagem e sete marchas da Mercedes, com a primeira marcha mais longa e a última mais curta; aerodinâmica ativa; suspensão derivada das pistas, com braços sobrepostos e mangas de eixo de alumínio forjado; e eixo traseiro auto-esterçante.

De acordo com a Mercedes-Benz, tudo é o suficiente para chegar aos 100 km/h em 3,6 segundos, com desempenho nas curvas inigualável. Especialmente por certo esportivo alemão com motor atrás.

 

Nissan Skyline GT-R

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Em 1968, um ano antes do Isuzu Bellett GT-R, surgia o Nissan Skyline 2000GT-R, também conhecido como Hakosuka. Seu motor, um belo seis-em-linha com comando duplo no cabeçote e apenas dois litros de deslocamento, era capaz de entregar 160 cv a 7.000 rpm e 17,7 mkgf de torque a 5.600 rpm, suficientes para chegar aos 195 km/h. Foram fabricados sedãs e cupês, sendo que estes são os mais cobiçados e “homenageados” por fãs, que transformam seus Skyline comuns em réplicas do Hakosuka com frequência.

O Skyline GT-R mais icônico, porém, foi o carro produzido entre 1989 e 2006 ao longo de três gerações. Você sabe que estamos falando do R32, do R33 e do R34, carros verdadeiramente míticos que fizeram história nas pistas, nas ruas, nos games e no cinema.

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Equipadas com o lendário RB26DETT, as três gerações do Skyline GT-R ajudaram a construir a imagem do carro esportivo japonês noventista: carroceria elegante com personalidade esportiva, motor sobrealimentado (no caso, um seis-em-linha biturbo de 2,6 litros com comando duplo no cabeçote e pelo menos 280 cv) e capacidade de suportar bem mais potência sem alterações nos componentes internos do motor – o famoso over-engineering. O motor era acoplado a uma caixa manual de seis marchas que levava a força para as quatro rodas, usando um sistema com diferenciais eletrônicos que serviu como ponto de partida para aquele que é utilizado até hoje no Nissan GT-R.

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Aliás, o Nissan GT-R pode ser considerado o que realmente afastou qualquer pretensão “grand tourer” da linhagem. É um esportivo nato, com suspensão firme, um V6 biturbo de 3,8 litros e mais de 600 cv, que utiliza toda a experiência da Nissan para, com a ajuda de computadores e algorítimos, ser um dos automóveis mais velozes e brutais à venda atualmente. E em 2017 ele completa dez anos, o que também o coloca entre um dos mais antigos esportivos à venda atualmente.

 

Mercedes-Benz CLK GTR

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Quase não dá para dizer que o Mercedes-Benz CLK GTR é um carro de turismo, quanto mais um grand tourer. Mas, sendo um especial de homologação para a categoria GT1, ele certamente merce a letra R que carrega no sobrenome. Para começar, ele foi feito sobre um chassi dedicado, construído pela britânica Lola e inspirado no McLaren F1. O CLK GTR só compartilha o nome e o visual básico da dianteira com o cupê CLK de primeira geração (W208), pois o resto é completamente novo.

O motor era um V12 central-traseiro de 6,9 litros – o famoso M120, que foi utilizado até mesmo pelo Pagani Zonda (com diversas modificações, claro) – entregando nada menos que 612 cv e capaz de levar o CLK GTR até os 100 km/h em 3,8 segundos, com máxima de 344 km/h. A versão de competição, que conseguiu a vitória na temporada de 1997 do campeonato FIA GT e correu até 1999, tinha um motor menor, de seis litros, por causa do regulamento.

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A Mercedes-Benz foi uma das poucas fabricantes a cumprir a exigência de produzir 25 exemplares para homologação. Na verdade, foram feitos 26, sendo que seis destes são roadsters, e não cupês fechados.

Ultima GTR

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O Ultima GTR não foi feito para as pistas – é um carro de rua inspirado pelos carros de corrida, e que pode muito bem rivalizar com eles. A companhia britânica por trás do projeto jura que são coisas diferentes, mas a real é que não importa: o Ultima GTR é insano, e certamente está na nossa lista de carros para dirigir antes de morrer (algo bastante clichê, admitimos, mas todo mundo tem a sua.

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Uma espécie de super kit car, o Ultima GTR pode ser comprado pronto ou como kit para montar. O motor é oferecido em vários níveis de preparação. Desse modo, é possível comprar um Ultima dotado de um V8 LS7 com kit stroker, supercharger, 1.036 cv e absurdos 132,7 mkgf de torque; mas também pode-se optar por um motor V8 Chevrolet original, com 350 cv. Nada mau.

A estrutura tubular de alumínio é totalmente desenvolvida pela Ultima, bem como a carroceria, cujo desenho inspirado pelos protótipos do Grupo C da década de 80 é um show à parte, e faz muito bem seu trabalho. Assim como o conjunto mecânico na versão mais potente: com mais de 1.000 cv, o Ultima GTR chega aos 100 km/h em 2,3 segundos, com máxima de 386 km/h.

Quer mais? Então toma: 0-160 km/h em 4,9 segundos e 0-240 km/h em 8,9 segundos. Gran Turismo? Nem tanto. Racing? Totalmente.

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