GT2: a evolução do Porsche 911 mais radical de todos

Dalmo Hernandes 6 junho, 2017 0
GT2: a evolução do Porsche 911 mais radical de todos

Ontem (5) fizemos um dossiê a respeito do novo Porsche 911 GT2 RS, que será trará de volta a consagrada sigla após sete anos do lançamento do último modelo, o 911 GT2 da geração 997. Por esta razão, nada mais justo que relembrar toda a linhagem do esportivo – que, para nós, é o real herdeiro do espírito widowmaker (“fazedor de viúvas”, em uma tradução literal) do Porsche 911 Turbo original, o 930.

Dizemos isto porque o Porsche 911 Turbo foi criado em 1975 como especial de homologação para o Grupo 4 de turismo da FIA e, sendo assim, era praticamente um nine-eleven de corrida para as ruas. Seu motor turbo de três litros entregava 260 cv, a tração era traseira, não havia qualquer tipo de assistência dinâmica ao motorista e o próprio layout do carro, com peso concentrado lá atrás e entre-eixos curto, o tornava extremamente arisco – sem contar com o turbo lag, que ocasionava um verdadeiro soco no estômago quando a turbina “enchia”. E não havia carro alemão mais rápido que ele: o 0-100 km/h era cumprido em 5,2 segundos, com máxima de 250 km/h.

Nas gerações seguintes, a Porsche mudou o foco do 911 Turbo, dando a ele um motor mais potente e linear, com 3,3 litros e 320 cv, na geração 964 e, em 1995, com a chegada da geração 993, tração integral. O carro continuava rápido, mas agora era mais confortável e controlável – um esportivo mais refinado e menos selvagem.

Acontece que não há nada de errado com um 911 selvagem e foi por isto que, ao deixar o Porsche 911 Turbo mais civilizado, a Porsche tratou de criar outra versão selvagem: o primeiro 911 GT2.

 

Porsche 911 GT2 993

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O 911 GT2 foi criado logo após o fim do Mundial de Carros Esporte (WSC), em 1992, como especial de homologação para a categoria que a sucedeu: a BPR Global GT Endurance Series. Era mais ou menos o que o Porsche 930 era nos anos 70, porém com tudo o que quase vinte anos de evolução trouxeram em termos de materiais de carroceria e minúcias técnicas do motor.

A base do 911 GT2 era o 993 Turbo, mas a transformação era radical, incluindo a adoção de componentes de alumínio no lugar do aço (portas e capô), interior aliviado e o retorno à tração traseira que, além de tornar o comportamento do carro mais ágil – e difícil de segurar –, contribuia para a redução do peso. Uma série limitada de 75 carros de rua foi criada com as mesmas especificações básicas do modelo de competição.

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Visualmente, o primeiro GT2 lembrava bastante o 911 Turbo, porém tinha os para-lamas têm alargadores de fibra de vidro (e rebites aparentes) e splitter no para-choque dianteiro. A tomada de ar e as aletas, além de contribuir para a cara de carro aftermarket, têm função aerodinâmica. Uma característica especialmente marcante são os dutos na asa traseira ajustável, que levam ar para os turbos. Se você lembrou dos Porsche 911 da RWB, não é por acaso: o 911 GT2 993 é uma das maiores fontes de inspiração para Akira Nakai, o fundador e mentor da Rauh-WELT Begriff.

Os turbos com mais pressão levaram a potência do flat-six de 3,6 litros até os 436 cv, que apareciam às 5.750 rpm, e 55,1 mkgf de torque às 4.500 rpm – o bastante para chegar aos 100 km/h em quatro segundos cravados e seguir acelerando até os 296 km/h. Detalhe: com câmbio manual e uma embreagem pesadíssima.

Outros dados: comprimento 4.245 mm / largura 1.795 mm / entre-eixos 2.272 mm / bitolas 1.475 mm (frente) e 1.550 mm (traseira) / peso 1.265 kg (2,97 kg/cv)

 

Porsche 911 GT2 996

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Lançado em 2001, o Porsche 911 GT2 da geração 996 acompanhou a mudança radical promovida em 1999, quando a Porsche enfim abandonou os motores arrefecidos a ar e deu ao 911 sua primeira mudança efetiva de geração – afinal, do clássico ao 993 o projeto básico permaneceu o mesmo, por mais que fosse recebendo cada vez mais modificações.

Enquanto a Porsche colocava um foco maior no novo (e naturalmente aspirado) 911 GT3 para competições, o GT2 foi projetado com foco maior em seu uso nas ruas. Permaneceu, porém, com a tração traseira. O motor arrefecido a água de 3,6 litros entregava 483 cv a 5.700 rpm e 65,3 mkgf de torque a 3.500 rpm, novamente moderados por uma caixa manual de seis marchas.

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O visual do carro era mais discreto se comparado ao anterior, com a carroceria do 911 Turbo (eis a origem das entradas de ar nos para-lamas traseiros) e nada de repites ou de uma asa traseira gigantesca. Na época, o 996 foi bastante criticado por causa dos faróis que não eram mais circulares e o GT2 não escapou mas, para mim, envelheceu muito bem. E seu desempenho também: o 0-100 km/h era cumprido em 3,7 segundos e a velocidade máxima subiu para 314 km/h. Para ajudá-lo a parar, os freios eram de carbono-cerâmica de série.

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O interior demonstrava maior preocupação com o conforto dos ocupantes, mas isto não significa que fosse carregado de equipamentos pesados: não havia ar-condicionado, rádio nem banco traseiro, e o 911 GT2 996 pesava 1.430 kg, ou 110 kg a menos que o 911 Turbo da mesma geração.

Outros dados: comprimento 4.450 mm / largura 1.830 mm / entre-eixos 2.355 mm / bitolas 1.485 mm (frente) e 1.520 mm (traseira) / peso 1.430 kg (2,92 kg/cv)

 

Porsche 911 GT2 997

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Como já dissemos, o último 911 GT2 foi lançado em 2007, há dez anos. Mais uma vez o motor utilizado era derivado do 911 Turbo, com 3,6 litros, e atualizado com novos turbocompressores de geometria variável para entregar 530 cv a 6.500 rpm e 69,8 mgkf de torque a baixíssimas 2.200 rpm – levados para as rodas traseiras através de um transeixo manual de seis velocidades, claro. Seu desempenho: 3,6 segundos para chegar aos 100 km/h e velocidade máxima de 328 km/h. O GT2 997 foi o primeiro 911 a passar dos 320 km/h (200 mph) com exceção do 911 GT1 de 1998 – que, bem, não era muito mais que um Porsche 962 do Grupo C da FIA com nome e cara de 911. Não contava.

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Visualmente, apesar de utiizar a carroceria do 911 Turbo, o GT2 997 tinha uma dianteira mais agressiva e uma nova asa traseira fixa que trazia de volta as entradas de ar nas extremidades. O para-choque traseiro tinha um difusor com aletas e duas saídas do escape, que era de titânio.

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O 911 GT3 997 foi o primeiro a ter uma versão RS, desenvolvida por um pequeno time de engenheiros da divisão de performance da Porsche. O motor entregava 620 cv e 71,4 mkgf de torque, fazendo do carro o 911 de rua mais potente da história até agora, e o peso era 70 kg menor que no GT2 “comum”. Também era o mais rápido: o 0-100 km/h era cumprido em apenas 3,5 segundos e a velocidade máxima era de 330 km/h.

Na época do lançamento, o Porsche 911 GT2 RS cumpriu uma volta em Nürburgring Nordschleife em 7min18s, um tempo respeitável até hoje – o atual GT3 RS o faz em 7min10s.

Outros dados: comprimento 4.469 mm / largura 1.852 mm / entre-eixos 2.350 mm / bitolas 1.509 mm (frente) e 1.554mm (traseira) / peso 1.440 kg (2,71 kg/cv), 1.370 kg (2,20 kg/cv, GT2 RS)