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Guerreiros sobre rodas: os carros que duraram (ou ainda duram) décadas com o mesmo projeto – Parte 2

Há alguns dias selecionamos alguns carros que sobreviveram por décadas com seus projetos originais – a maioria deles, graças à competência de seus projetos, que dispensavam grandes adaptações e eram bons no que faziam. Inspirados pelo Fiat Uno, que foi produzido entre 1983 e 2014, citamos carros longevos no Brasil e no mundo, e você pode relembrar aqui quais foram eles.

Como de costume, os leitores aproveitaram a deixa para sugerir outros nomes. E nós pinçamos mais alguns deles para uma segunda parte da lista, que você confere agora!

 

Volkswagen Fusca Itamar

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Em 1993, a economia brasileira não estava em seus melhores dias (não que hoje em dia… deixa para lá), e o mesmo podia ser dito da indústria automotiva. Foi quando o então presidente Itamar Franco assinou a redução do IPI, o Imposto sobre Produtos Industrializados, para simbólicos 0,1% para carros compactos com motor de até 999 cm³.

Havia havia uma brecha feita sob medida para o Fusca e para a Kombi, que isentava do imposto motores de maior cilindrada… se eles fossem arrefecidos a ar. E foi assim a que a Volkswagen voltou a produzir o Fusca entre 1993 e 1996. Segundo consta, tal brecha só existiu porque o presidente era fã dos VW arrefecidos a ar.

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De qualquer forma, estamos falando de um relançamento, praticamente dez anos depois de o Fusca sair de linha pela primeira vez no Brasil. Detalhe: de um carro projetado na década de 1930 e que manteve a essência do projeto praticamente intacta ao longo de toda a sua existência. Assim, por mais que os fãs do Fusca tenham comemorado sua volta, exaltando o baixo preço e a manutenção simples, não fazia muito sentido comprar em 1993 um carro igual ao que era dez anos antes.

 

Willys Rural

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A versão “station wagon” do Jeep Willys foi lançada nos Estados Unidos em 1946, utilizando o chassi de entre-eixos longo (2,64 metros) e uma carroceria em aço estampado aproveitando partes dos Jeep militares. O resultado era um veículo de aspecto utilitário, mas ainda elegante, que podia levar até sete pessoas ou 2.700 litros de carga.

No Brasil, o Jeep wagon estreou em 1956, montado aqui com componentes importados. Em 1960, nacionalizada, adotou uma dianteira mais larga, de visual exclusivo para o Brasil. O projeto básico permaneceu o mesmo a partir dali, adotando diferentes motores (incluindo os motores de quatro e seis cilindros usados no Ford Maverick), tração 4×2 (traseira, claro) ou 4×4 e também carroceria de picape.

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Foi assim que a Rural sobreviveu no Brasil até 1977 com a perua, que não resistiu à concorrência de modelos mais modernos, como a Chevrolet Veraneio.  A picape e o Jeep (que mantinha a dianteira clássica americana) duraram até 1982.

 

Peugeot 405

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O Peugeot 405 foi lançado em 1987 e… ainda não deixou de ser produzido, completando 30 anos em 2017. Vindo de uma época em que os americanos ainda compravam carros franceses, ele foi o maior carro vendido nos Estados Unidos até 1991 e, na Europa, tornou-se conhecido por sua robustez e por seu desempenho nos ralis – sua versão cupê venceu a subida de montanha de Pikes Peak em 1988, com Ari Vatanen ao volante, e também teve bom desempenho no Paris-Dakar.

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No entanto, depois de sair de linha no resto do mundo em 1997, o Peugeot 405 continuou sendo produzido sob licença no Irã e no Egito por duas empresas praticamente desconhecidas no ocidente, a Iran Khodro e a Wagih Abasa, respectivamente. O motivo foi o mesmo que trouxe outros carros para esta lista: baixo custo e um público cativo.

 

Volkswagen Golf Mk1

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Lançado na Alemanha em 1974, o Volkswagen Golf estabeleceu a receita dos hatchbacks compactos para o mundo todo ao adotar motor dianteiro transversal e tração dianteira – solução de engenharia já empregada por outros carros, como o Mini original, desde a década de 1950, mas nunca em um hatchback produzido em série. A vantagem estava em menos perdas na transmissão de força, e também no aproveitamento de espaço, visto que o conjunto mecânico precisava de um espaço menor para ser acomodado.

Acontece que, além de introduzir características que seriam repetidas até hoje, o Golf Mk1 também foi vendido ao mesmo tempo que praticamente todos os seus descendentes.

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Isto porque depois que a primeira geração do hatch foi descontinuada na Alemanha, em 1983, a África do Sul começou a fabricá-lo como uma alternativa mais acessível ao Golf Mk2. E, assim como aconteceu como Uno no Brasil, a VW acabou encontrando a fórmula mágica: alta demanda, baixo preço e boa reputação.

Com isto, o chamado VW Citi Golf foi fabricado até 2009, sobrevivendo à base de alterações cosméticas e mudanças como a adoção de um sistema  de injeção eletrônica no motor de 1,8 litro e, em 2004, do painel do Skoda Fabia, com linhas mais arredondadas.

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Sabe quando colocam o painel do Gol G3 no Gol quadrado? É tipo isto, só que de fábrica

Com isto, o VW Golf Mk1 ainda sobreviveu até 2009, quando foi substituído pelo VW Polo Vivo, um Polo de quarta geração com o mesmo facelift aplicado no Brasil até o modelo sair de linha.

 

Fiat Panda

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Se o Fiat Uno usou a simplicidade do projeto como trunfo, antes dele houve o Fiat Panda, que levou esta simplicidade ao extremo. Assim como o Uno, o Panda foi desenhado por Giorgetto Giugiaro e apresentado no fim de 1979 com a proposta de ser um carro utilitário, econômico, barato e fácil de manter. Giugiaro comparava o carro a um par de jeans, que são uma peça de vestuário “prática e sem firulas”. Ele também disse se inspirar nos veículos militares, especialmente os helicópteros – não em forma, mas em função, no sentido de que os helicópteros são leves e racionais, com apenas o necessário para executar sua função.

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No fim das contas, o visual do Panda acabou inspirando o próprio Uno, porém usava plataforma e motores já encontrados em alguns Fiat mais antigos, como o 127 (que deu origem ao nosso 147). Com bancos simples, que pareciam cadeiras de praia, suspensão robusta, versões de carga e até tração 4×4 em algumas versões, o Panda seguiu firme e forte a base de reestilizações até o ano de 2003, com mais de 4,5 milhões de unidades fabricadas.

 

Hindustan Ambassador

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Vendido de 1956 a 1959, por apenas quatro anos, o britânico Morris Oxford conseguiu uma sobrevida muito mais longa na Índia, onde foi fabricado sob licença pela Hindustan Motors entre 1958 e 2014 – nada menos que 56 anos ininterruptos e sem grandes alterações de projeto. Já foi muito usado como veículo pessoal mas, a partir dos anos 1980, era mais voltado a frotistas.

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Por conta disto, o Ambassador pode até ter origem britânica, mas é considerado, em essência, um carro indiano, e foi carinhosamente apelidado na Índia de “o rei das estradas”. E, por mais anacrônico que fosse, o Ambassador (cujo projeto original era de Sir Alec Issigonis, o pai do Mini original) era inovador quando foi lançado, sendo, ao lado do Morris Oxford, um dos primeiros automóveis com construção semi-monobloco produzidos em série no mundo.

 

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