A história do meu Opala Standard com câmbio manual na coluna, o Project Cars #481

Felipe Leonardo da Silva 8 abril, 2018 0
A história do meu Opala Standard com câmbio manual na coluna, o Project Cars #481

Olá ,pessoal. Sou Felipe Leonardo Da Silva, 23 anos, moro em Guarulhos-SP e sou proprietário de um Chevrolet Opala 1982 quatro-cilindros e com câmbio na coluna.

Primeiramente, quero agradecer meus pais Edmilson e Nadia, minha namorada Emiliana, e meu amigo Luiz por todo o apoio, ajuda e compreensão, cada um a sua maneira. Sem vocês o Opala não estaria comigo, ou pelo menos não como está hoje. Obrigado! Aos editores do Flatout, agradeço por terem escolhido meu projeto em meio a tantos outros inscritos. Mas antes de prosseguir na história com o Opala, voltaremos um pouco no tempo.

Origens

Diferentemente da maioria dos leitores, em minha infância eu nunca tive interesse por carros. Não sabia o nome dos carros que passavam na rua (somente os que meu pai tinha), não acompanhava os lançamentos, não brincava de carrinho, e muito menos gostava de “Velozes e Furiosos” (até hoje não gosto).

Talvez essa falta de interesse tenha sido herdada de meu pai, pois para ele, carros sempre foram apenas um meio de transporte, muito melhor do que andar de ônibus ou a pé. Desde minhas memórias mais antigas, meu pai já  teve Gol 1000 94, Monza Hatch 82, Palio 99, Chevette SL 87, Corsa Super 99 (que comprei dele junto com minha namorada, e hoje é o nosso carro do dia-a-dia), e seu atual Corolla 2003.

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O Gol, meu pai e eu, em casa

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O Gol, minha mãe e eu, em Praia Grande-SP

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O Monza, meu pai, minha prima e eu, em casa

Foi com o Chevette (Chevas) que começou minha relação mais íntima com carros.

O Chevette e eu, em casa.

Dezoito anos, empregado, recém-habilitado. Meu pai já havia aposentado o Chevette quando comprou o Corsa, e já estava parado no fundo da garagem por alguns anos sem funcionamento. Então ele me disse: “Se não colocar o Chevette para andar, vou vender”. Pois bem. Bateria nova, levamos para o mecânico revisar o carburador, troca de velas, e pronto: foi no Chevette SL 87 motor 1.6 álcool (problemático para ligar no frio) que realmente aprendi a dirigir e começar a gostar de carros.

Usei o Chevas por aproximadamente um ano, e nesse período comecei a pesquisar mais sobre ele e outros carros, sem me arriscar na manutenção mecânica. Apesar do curto período, curti bastante, estacionava-o na rua sem muita preocupação, o desempenho era legal, direção macia… um carro legal. Por diversos fatores acabei vendendo-o. Após a venda eu estava decidido: Era o momento de juntar dinheiro para comprar um Opala Monza!

Sempre gostei muito dos Chevrolet Monza, independente do ano e versão, e a ideia de comprar um completo (ar, direção, vidros e travas elétricas) por um preço razoável, para mim era perfeita.

Monza Hatch SL/E – Monza Classic SE – Monza GLS

No período entre a venda do Chevette e compra do Opala Monza, fizemos um bem bolado em casa e eu pude usar o Corsa aos fins de semana. O “problema” é que a compra do Monza ainda não aconteceu…

 

O Opala

Meu primeiro contato com Opala que me recordo foi em 2013, quando um vizinho da minha namorada apareceu com um duas portas modelo 75 – 79 meio detonado. Depois, em dezembro de 2014 num encontro de Chevrolet em Águas de Lindóia-SP, que encontramos totalmente sem querer. E no meio de tantos carros, um Opala em especial me chamou a atenção:

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Legenda:  Opala SilverStar 82 – Por coincidência do destino, depois de comprar o meu, conheci os donos deste Opala e até hoje mantemos contato.

Até aí, nada demais. Mas no carnaval de 2015, fomos passar o feriado na casa de um amigo do meu pai em Jumirim-SP. Chegando lá, numa rua já dentro do condomínio em que ficaríamos, havia um Opala bege quatro portas e interior marrom. Em tom de brincadeira, pedi para meu pai parar o carro e ele parou. Dei uma olhada geral, bem carro de tiozão mesmo, mas gostei. Ficamos de voltar no dia seguinte, e se o carro ainda estivesse por ali, chamaríamos o dono para conversar.

Voltei com meu pai, carro ainda lá, chamamos o dono (Sr. Horácio, até então o segundo proprietário do Opala), ele nos contou sobre histórico carro, motivo de estar vendendo, ligou o motor, abriu capô e porta-malas. Anotei o seu telefone, fiquei de pensar e ligar após o feriado.

O Opala é modelo Standard, tinha a carroceria em bom estado, mas com alguns pontos de corrosão. Para-choques um pouco amassados  e o dianteiro um pouco mais para baixo do que a posição correta. Rodas pintadas num cinza mais escuro do que o original. Interior com bancos separados de Opala dos anos 70, com padrão de tecido não original. Os frisos na lateral da carroceria e nos contornos de faróis, piscas e lanternas não eram da versão Standard, e sim da Comodoro, mas sinceramente prefiro o visual externo com os frisos. Além do visual há uma pequena proteção contra batidas de porta nos estacionamentos.

O ponto “interessante” do carro é que possuía a coluna de direção com o “buraco” da alavanca de câmbio na coluna, mas o carro estava com um câmbio varetado clec-clec quatro marchas no assoalho. Foi fácil identificar que originalmente era na coluna, pois o freio de mão ainda estava localizado sob o painel, e o console que envolve a alavanca no assoalho era dos Opalas modelo 85-87.

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Estava bem animado. Meu pai nunca gostou de carro velho “antigo” (e com razão), mas ele não foi contra a compra. Lembro-me dele me dizer: “Mais vale um gosto do que dinheiro no bolso” (obrigado pai), e eu ainda tinha aquela “desculpa / ilusão” de pensar que, pelo valor da compra, poderia levar para Guarulhos, arrumar uma coisinha aqui e outra ali, vender e comprar o planejado Monza…

Na semana seguinte liguei para o Sr. Horácio e fechamos negócio! Combinamos de ir até a casa dele em Campinas-SP (em Jumirim ele só passava alguns finais de semana) num sábado (21/02/2015)  junto com um amigo do meu pai que teve vários Opalas no passado, para dar aquela olhada geral na mecânica. Carro aprovado, então marcamos para eu buscar definitivamente o carro na sexta-feira seguinte (27/02/2015).

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21/02/2015 – Sr. Horácio e eu.

Avisei no meu serviço que chegaria mais tarde, fui sozinho para Campinas de ônibus, e vim rodando para Guarulhos com o Opala sem nenhum problema na viagem. Deu pra perceber que o Sr. Horácio ficou um pouco chateado com a venda, afinal ele era o segundo dono, e já estava com o carro há quase 20 anos. Durante a viagem para casa tive uma sensação legal, me adaptando ao novo/velho carro que parecia enorme, som do quatro cilindros 2.5 e do câmbio “Clec-Clec”, bancos que pareciam uma poltrona… Uma mistura de novidade com nostalgia de uma época que não vivi.

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Fotos do Opala após a chegada em casa. Dá para ver alguns defeitos como posição do para-choque dianteiro, fixação das borrachas nos para-choques com parafusos e desalinhamento dos frisos na lateral da carroceria.

Minha ideia sempre foi manter o carro o mais original possível, mesmo que não utilizasse somente itens da versão Standard, utilizaria no máximo itens dos Comodoros ou Diplomatas de mesmo ano, e alguns acessórios de época. Tinha como objetivo instalar um painel com conta-giros e hodômetro parcial, consertar ou trocar partes do interior do carro somente com peças originais, refazer a tapeçaria no padrão original, e talvez voltar o carro para o câmbio na coluna (ou “three on the tree” como dizem nos EUA).

Os primeiros serviços realizados por terceiros no carro após o processo de transferência e emplacamento foram:

– Troca de óleo e filtros;

– Revisão no carburador;

– Instalação de alarme;

– Troca de bateria;

– Reparo de tapeçaria no banco do motorista (havia um pequeno rasgo no apoio lateral);

– Substituição de rádio genérico com CD Player por um Bosch San Diego de época;

– Reparo na chave de seta.

Depois eu comecei a colocar a mão na massa, aos poucos. Os difusores de ar estavam todos faltando aletas, então os desmontei e dos quatro quebrados, consegui montar três perfeitos. Depois garimpando pela internet consegui comprar mais um difusor completo através do Fórum Opaleiros do Paraná (Desde que comprei o carro, sou membro do fórum e participo regularmente. Se você tem Opala, recomendo conferir).

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Legenda:  Modelo utilizado em toda linha 81 – 84

Iniciei a busca por um painel com conta-giros original, consegui um pelo Mercado Livre. Levei na oficina Velomarques aqui em Guarulhos (recomendo o serviço) e eles fizeram um Frankenstein entre o painel que já estava no carro e o que comprei. Além de deixar funcionando tudo, revitalizaram os ponteiros e a grafia. Ficou bem bacana, pena que eu não consegui um acrílico novo por um preço pagável, então vou convivendo com a trinca.

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Com estas pequenas manutenções e modificações básicas, utilizava o carro praticamente todos os sábados e domingos. No geral, ia com ele para casa da minha namorada, shopping, supermercados, ensaio da banda, eventos de carros, e de vez em quando para o trabalho e faculdade.

Depois vieram muitas e muitas manutenções, trocas de peças, situações  legais, outras nem tanto, e aos poucos fui pesquisando e aprendendo mais sobre o carro e sua mecânica (Nada melhor do que a simplicidade dos motores americanos). Mas os próximos passos ficarão para os próximos posts. Obrigado pela leitura, até mais!

FOTO FINAL

Por Felipe Leonardo da Silva, Project Cars #481

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