Hofmeister Kink: a história do detalhe que faz a diferença em todo BMW

Dalmo Hernandes 9 setembro, 2016 0
Hofmeister Kink: a história do detalhe que faz a diferença em todo BMW

Do Série 1 ao i8, todo BMW tem algo em comum. E não estamos falando da grade em duplo-rim, embora esta possa ter sido a primeira coisa que lhe veio à mente. É algo bem mais discreto, que costuma ser notado apenas por fãs da BMW e entusiastas do design. É uma daquelas coisas que te fazem se sentir meio especial por conhecer.

Hofmeister kink. Trata-se de um pequeno detalhe compartilhado por todo BMW moderno. Uma pequena curva na base da coluna C (ou coluna D, no caso dos SUVs e peruas), formada pelo contorno do vidro e voltada para a dianteira do carro. Repare bem: todo BMW que você vê na rua, todo mesmo, traz esta mesma curva.

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Recentemente, perguntamos aos nossos leitores quais eram os carros alemães mais icônicos do planeta, citando como exemplo o BMW Neue Klasse. A família de cupês e sedãs foi lançada em 1962 e tinha o objetivo de salvar a BMW de uma crise financeira bastante séria, que podia até mesmo levar a companhia à falência. Para se ter uma ideia, a BMW manteve-se de pé durante a segunda metade dos anos 1950 fabricando panelas e utensílios domésticos.

A receita do BMW New Class consistia em baixo preço, eficiência mecânica e boa dirigibilidade, mas o design também era importante para o sucesso do carro. Este ficou a cargo de Wilhelm Hofmeister, que na época era chefe do departamento de design da BMW. Foi dele a ideia de criar um carro compacto, com carroceria de três volumes, ampla área envidraçada e com a tal curvinha na base da coluna. Daí seu nome: Hofmeiter-Knik, em alemão; ou Hofmeister Kink, em inglês – algo que pode ser traduzido como “curva Hofmeister”.

Fora dois os primeiros modelos da BMW a portar o Hofmeister Kink: sedã 1500, primeiro representante da Neue Klasse; e o 3200CS, cupê que seria o último BMW a ser equipado com o motor V8 OHV de 3,2 litros e 160 cv da companhia. Ambos foram apresentados no Salão de Frankfurt em setembro de 1961 – exatamente 55 anos atrás. Ou seja: de certa forma, dá para dizer que o surgimento do Hofmeister Kink marcou o fim de uma era na BMW, e o início de outra.

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Com o passar dos anos, o Hofmeister Kink tornou-se uma assinatura estilística muito forte para a BMW  talvez tanto quanto a grade duplo-rim, mas não é só isto. A companhia também diz que a curva na base da coluna C reforça uma das características principais da fabricante bávara: a tração traseira — embora a relação não pareça fazer sentido algum. De qualquer forma, ela aparece em todo BMW desde a introdução da Neue Klasse.

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Nos modelos mais emblemáticos, como o Série 3, o Série 5 e o Série 6, é bem fácil identificá-lo – tanto os cupês, sedãs e peruas incorporam facilmente o Hofmeister Kink a suas linhas gerais.

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No caso dos hatchbacks, SUVs e crossovers, algumas adaptações e modernizações mais radicais são necessárias. Pegue, por exemplo, a primeira geração do hatchback Série 1, e observe como toda a parte posterior do vidro traseiro forma um Hofmeister Kink gigante:

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No crossover X1 da geração passada, E84, o Kink era tão discreto que mal dava para identificá-lo. A geração atual, lançada em 2015, corrigiu o “problema”:

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Até mesmo o elétrico i3 e o esportivo híbrido i8, com seu visual todo futurista, deram um jeito de seguir a tradição: repare no formato da base da janela do i3, e em como a janelinha falsa do i8 também traz o Hofmeister Kink, mesmo que fique praticamente escondida em uma moldura preta:

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Aliás, até mesmo o novo sedã da Série 1, que é feito sobre a plataforma de tração dianteira usada pelo Mini Cooper e pelo Série 2 Active Tourer, traz seu próprio Hofmeister Kink.

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Ele não tem tração traseira, mas a tradição no design falou mais alto. A nós, resta aceitar.