Honda Civic Si, agora com motor 1.5 turbo: como ele anda?

Dalmo Hernandes 30 maio, 2017 0
Honda Civic Si, agora com motor 1.5 turbo: como ele anda?

Falar sobre o Honda Civic Si é sempre um tópico delicado, pois mexe com a paixão de muitos entusiastas. No Brasil, o Civic Si de sexta geração, produzido entre 2007 e 2012, é cultuado como um dos melhores esportivos já vendidos em nossas terras – apesar da tração dianteira, seu motor K20 potente e girador e seu comportamento dinâmico bem acertado fizeram dele um ícone. Lá fora, o Civic Si já existe desde o fim dos anos 1980, e é um dos favoritos de quem busca um carro divertido sem gastar muito.

E, se você é um dos admiradores do Civic Si certamente percebeu – na prática ou lendo na Internet – que a sétima geração do Si não teve o mesmo sucesso. Não que ele não fosse um carro competente, com seu motor K24 naturalmente aspirado de 2,4 litros e 206 cv e bom acerto dinâmico. Mas seu visual não era muito mais que ok (o stance elevado para um esportivo não ajudava, ainda mais no modelo nacional, 15 mm mais alto) e o pacote, como um todo, entregava menos que o Golf GTI, seu maior rival. Gostamos do carro, como você pode conferir nesta avaliação, mas não havia como negar que as qualidades do Civic Si foram diluídas, apesar de ter apenas duas portas e uma cara mais agressiva.

Ainda não tivemos a chance de dirigir o novo Civic Si – o oitavo a receber a sigla em dez gerações – e sequer há certeza de que ele será oferecido no Brasil. No entanto, não houve como não nos perguntarmos como o novo Si ficou. Por sorte, as avaliações da imprensa americana já começaram a sair. Vamos dar uma olhada no que andam falando dele!

A impressão de que a geração anterior deixou a desejar em relação aos anteriores aconteceu também lá fora. E talvez isto tenha ajudado o pessoal a perceber com mais eloquência as qualidades do novo Civic Si. Aliás, a ataual geração como um todo foi bastante elogiada, e com razão: a Honda mudou completamente a cara do Civic, com uma nova plataforma maior e mais leve (cerca de 45 kg a menos) e, pela primeira vez, com a adoção de motores turbinados.

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Nada daquelas capas plásticas em cima do motor – a bagunça fica toda à mostra. Que beleza!

E é um motor turbinado que move o novo Civic Si: o quatro-cilindros de 1,5 litro com injeção direta já visto em outras versões do modelo, porém com uma dose extra de pimenta. Se no nosso Civic Touring, por exemplo, o motor entrega 173 cv a 5.500 rpm e 22,4 mkgf de torque a 1.700 rpm (números já excelentes, por sinal), no Si são 208 cv a 5.700 rpm e 26,5 mkgf de torque a 2.100 rpm. Os picos demoram pouca coisa a mais para chegar e o fôlego extra faz toda a diferença.

A Honda divulga sete segundos para ir de zero a 100 km/h mas, de acordo com a Automobile, esta é uma marca conservadora: eles conseguiram fazer o mesmo em seis segundos. A velocidade máxima fica nos 220 km/h, o que não é nada ruim para um esportivo de quatro cilindros que, em muitos casos, será mais usado nas ruas e estradas do que na pista.

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Dito isto, o carro não se sairia mal em um autódromo, e isto tem a ver com o novo motor, especialmente por seu bom comportamento em rotações médias — característica do motor turbo —; e com o acerto de suspensão, que ficou muito mais refinado.

Todos os veículos de mídia americanos realizaram o teste no mesmo lugar: o Honda Proving Center, centro de testes da Honda que fica no deserto de Mojave, na Califórnia. O circuito conta com uma boa variedade de curvas e mudanças de relevo, e foi restaurado recentemente e estava com o asfalto lisinho. Foi uma boa forma de emular o comportamento do Civic Si em uma estrada de serra vazia e cheia de curvas. E, ainda segundo a Car and Driver, o carro se sentiu perfeitamente à vontade.

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Os trechos de reta não são longos o suficiente para atingir velocidades muito altas – o complexo de testes tem um oval de alta velocidade com 12 km de extensão onde não pudemos entrar – mas o circuito nos deu a chance de experimentar a fluidez e a elasticidade do motor do Si. Então entramos em um Civic Si cupê vermelho junto com um dos amigáveis instrutores, que nos disse, enquanto colocávamos nossas balaclavas e capacetes, que conseguiríamos percorrer todo o circuito em terceira ou quarta marcha.

Ao lembrar de como os Si anteriores exigiam que se trocasse de marcha com frequência para permanecer na melhor parte da curva de potência – especialmente depois que o comando V-TEC foi introduzido, em 1992 –, a capacidade de ligar duas curvas sem trocar de marcha duas ou três vezes é uma das diferenças importantes do novo modelo.

Conforme prometido, não tivemos que trocar muitas marchas. Não que a gente fosse se importar: com sua alavanca de curso curto e um trio de pedais perfeitamente posicionado, o câmbio de seis marchas do Si é uma delícia de operar.

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Mas não tem a ver apenas com o novo motor, como já observamos: o acerto do chassi também é exemplar, e bastante radical. A Motor Trend explica melhor:

A nova plataforma é muito mais rígida e firme que aquela que substitui, e contribui muito para a compostura e o equilíbrio em diversas situações. Comparado ao Civic comum, o Si tem um acerto de suspensão bastante agressivo, que poderia tê-lo tornado desconfortável. Os suportes e buchas da suspensão do Si são mais rógidos, as barras estabilizadoras são mais grossas, as molas são mais duras, mas a parte mais importante são os amortecedores adaptativos no sedã e no cupê. Eles transformam o carro.

O pessoal da Automobile – na verdade, eles foram os mais entusiasmados. “A nova plataforma do Si mostrou uma soberba resistência à rolagem. A suspensão exclusiva com amortecedores ativos mantém pulso firme sobre os movimentos da carroceria. Combinado com uma direção afiada que colocava o bico do carro direto no ponto de tangência das curvas, o resultado foi uma boa dose de adrenalina”, disseram.

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Para o Autoblog, o sistema de direção também merece destaque: “esta é uma das áreas em que o Si realmente mostra a que veio. A direção nunca parece pesada demais, seja no modo Normal ou no modo Sport, sendo que este último reduz a assistência elétrica, deixa os amortecedores mais firmes e melhora as respostas do acelerador. No modo Sport, a direção também é assustadoramente precisa. As rodas dianteiras respondem até os mais delicados movimentos, e você sempre sabe para onde as rodas estão apontando. No modo Normal, a precisão é um pouco menor. O feedback é grande e natural em ambos os modos.”

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Dito isto, o carro não é perfeito: uma reclamação comum foi a falta de personalidade do ronco, que ainda é bastante anulado dentro do carro graças ao eficiente isolamento acústico. “Um pouco de barulho nunca machucou ninguém”, reclama a Automobile. Além disso, vale lembrar que o 1.5 turbo não gira tanto quanto os motores aspirados usados antes, o que por si mata um dos maiores apelos do Civic.

Resta saber se o público topa trocar o ronco e as altas rotações que fizeram a fama do modelo, por características comuns a outros esportivos do momento: economia de combustível, uma faixa de torque e potência mais ampla e um desempenho mais afiado. Você topa?