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Viagens e Aventuras

Indianapolis, Corvettes, Jackie Daniels e Rock ‘n’ Roll: uma viagem de 4.000 km pelo meio-oeste e sul do EUA

Por Carlos Eduardo Almeida

Ano passado eu quebrei uma promessa. Prometi, no post final do meu Civic Si (PC #368), que não o venderia. Mas ele foi embora exatamente no dia 10 de dezembro de 2018. Três dias depois, quem foi embora fui eu. Sinto falta dele, espero que o novo dono cuide (e se divirta) tanto quanto eu.

Adeus

De fato, não era a minha intenção vendê-lo, porém, numa dessas reviravoltas da vida, eu fui admitido para fazer uma pós-graduação no Canadá, em uma cidade chamada Kitchener, a mais ou menos 100 km a oeste de Toronto. Como as minhas parcas economias eram suficientes para o curso e o custeio de moradia, alimentação, transporte, etc., e consegui o tempo, acabei embarcando no que provavelmente é a maior viagem da minha vida. E nessa, infelizmente, o Si passou de companheiro à excesso de bagagem.

Chegar aqui em dezembro, em pleno inverno, é tudo, menos fácil. Não conhecer ninguém, o choque de realidade de viver em outro país e o tempo que faz até curitibano bater os dentes é um baita desafio. As aulas começaram em janeiro deste ano e em meados de abril o primeiro semestre passou na velocidade da luz!

Eu estava com as principais pendências resolvidas. Havia alugado um bachelor studio – que é uma maneira pomposa de chamar quitinete por aqui – e comprado um Toyota Camry XLE V6 2011 com aquecimento nos bancos (detalhe crucial) que apelidei carinhosamente de Oldmobile (não confunda com Oldsmobile – Cazalbé approves this pun). O carro eu só decidi comprar depois de ficar esperando um ônibus por 15 minutos a -15 graus Celsius, com vento e neve caindo. Mesmo estando apropriadamente agasalhado (eu estava usando nada menos que 11 (!) peças de roupa), prometi a mim mesmo que evitaria a todo custo passar por esse martírio novamente!

Bem vindo, Oldmobile!

Como haveria um hiato de mais ou menos duas semanas entre a minha saída da residência estudantil e a entrada no apartamento – que coincidia com as minhas férias -, teria que procurar um hotel para morar nesse período. E, bem, se eu teria que me hospedar em um hotel aqui, eu poderia aproveitar e ficar em um hotel em outro lugar! Considerando que eu estava a 140 km da fronteira com os EUA, decidi que a melhor maneira de curtir o carro novo seria rodando com ele por outro país.

 

Começando com o pé esquerdo

Só que a viagem nem havia começado e um imprevisto aconteceu. Um dos sensores de oxigênio queimou no dia que peguei o carro. Ele foi trocado no dia seguinte, mas quando voltava para a cidade que moro a luz da injeção acendeu novamente. Conversei com o dono da loja e fizemos um acordo. Eu alugaria um carro por uma semana para fazer a viagem e na volta ele me reembolsaria esse valor. Nesse interim ele levaria o carro na Toyota para ter um diagnóstico do que estava ocorrendo e fazer o reparo. Isso me custou dois dias de atraso.

Então, de um jeito meio torto, comecei a rota na hora errada. Saí de Toronto por volta das 16h com reserva para dormir em Cleveland. Eu, na minha ansiedade, só queria chegar logo, mas esqueci que estava saindo bem na hora do rush e teria que passar simplesmente pela estrada mais movimentada do mundo, a Ontario Highway 401 no trecho que margeia Toronto. Como resultado, o tempo estimado pelo Google Maps aumentou em uma hora no período que eu me arrastava para fora da metrópole. Já que estava atrasado mesmo, parei em Niagara-on-the-lake para tomar um café, respirar fundo, conter minha ansiedade e admirar o pôr-do-sol primaveril nas Cataratas. Enquanto estive lá, infelizmente não avistei nenhum pica-pau tentando descer as cataratas num barril.

Cleveland ROCKS! Cleveland Highway Patrol not so much…

Depois, estiquei até Cleveland, contornando o Lago Erie pela Interstate 90. Estiquei até demais, pois faltando exatas seis milhas para chegar no hotel, ultrapassando alguns caminhões, vi um carro se aproximando bem rápido pelo retrovisor. Alguns segundos depois ele estava absolutamente colado na minha traseira, e no mesmo instante ligou a barra de luzes estroboscópicas azuis que quase me cegou de tão forte.

Fui flagrado a 93 mph num local onde o limite era 75. Resultado: uma multa de 200 dólares, o rosto corado de vergonha pelo sapo que tive que engolir e o fecho “perfeito” pra um dos dias mais estranhos que já tive. Se tivesse sido pego a 100 mph, seria obrigado a me apresentar perante à Corte Municipal e me explicar ao juiz.

Passado o gosto agridoce, resolvi parar em Cleveland por um único motivo: visitar o Hall da Fama do Rock And Roll. Ele fica em uma parte bem bonita da cidade, na orla do lago Erie, e o prédio é bem moderno. No patio antes da entrada, há caixas de som instaladas que ficam tocando o fino do rock and roll oldschool. Eu ainda tava chateado pelo ocorrido no dia anterior, mas ao chegar e ouvir “Everyday People” do Sly and Family Stone, me arrepiei todo e nessa hora eu senti que a viagem seria boa e valeria a pena.

Se alguém estiver de passagem por Cleveland, separe pelo menos umas três horas para o museu. Ele possui cinco pavimentos e todos eles são maravilhosos não só para quem gosta de rock and roll, mas também para ouvintes de música em geral. Até porque lá também se fala de country, folk, jazz, blues, funk, gospel, rap, eletrônica e todo o gênero que de alguma forma ajudou a construir esse amálgama que a gente chama de rock and roll.

Acabei almoçando no museu mesmo, e enquanto comia, me lembrei de um detalhe importante: onde dormiria aquele dia? A viagem começou de um jeito tão corrido que eu estava literalmente sem rumo! Pesquisando as opções, achei algumas bem interessantes e que dariam para chegar ainda naquele dia: Nashville (840 km), Dayton (341 km) e Indianápolis (506 km) foram as que me vieram à cabeça, mas resolvi ir mais longe. Eu possuo uma lista de estradas que gostaria de percorrer antes de partir desse plano, e um desses caminhos é a Tail of the Dragon Road, na divisa entre o Tennessee e a Carolina do Norte. De quebra, depois ainda poderia ficar uns dias em Atlanta e na volta parar em Nashville, Indianápolis e Dayton. Pronto, fechei um meio-roteiro, pois tinha idéia das cidades principais, mas fora isso, tudo seria de última hora.

Assim eu dormi num motel barato em uma cidadezinha na beira do rio Tennessee e da Interstate 75 chamada Lenoir City. O motel, e a cidade como um todo, pareciam saídos de um daqueles road movies de suspense/terror. Cheguei bem tarde e nem tive tempo pra ficar apavorado, só peguei as chaves do quarto e fui dormir. No dia seguinte, depois de ver que não estava numa banheira de água com gelo sem um dos rins segui para a Tail of the Dragon. Para alcançá-la, o caminho é todo feito por estradas vicinais. E que estradas, meus amigos!

Domando o Dragão

Somente isso já era recomepensa suficiente pelos dois stints longos dos dias anteriores. O interior dos EUA nessa região é belíssimo e não tem como não se relembrar de road movies clássicos como “Smokey and the Bandit”. As casas, as colinas, as plantações, tudo parece saído das telas de cinema! Inicialmente, havia me planejado para sair cedo do hotel, chegar ao início da estrada o mais cedo possível, percorrê-la, almoçar no Deals Gap Motorcycle Resort, na divisa entre os dois estados, e seguir para Atlanta.

Mas o caminho em si era tão bonito que acabei atrasando os planos. Almocei em um posto na beira da Highway 411 que, não fosse o inglês, me faria crer que estava no Brasil, de tão parecido com o que temos por aqui. Abasteci o carro e segui meu caminho num ritmo tranquilo, parando sempre que dava vontade e era permitido.

Durante a passagem na Tail of the Dragon ficam fotógrafos posicionados em pontos onde possuem recuos para se estacionar. Eles registram tudo que está passando depois vendem as fotos em alguns sites específicos. Em um desses pontos resolvi parar e troquei dois dedos de prosa com o cara que estava registrando. Aproveitei e fiz não só algumas fotos do pessoal subindo e descendo a serra, como do próprio fotógrafo.

A minha escolha por passar pela Tail of the Dragon valeu muito a pena. De fato a paisagem é belíssima e a estrada muito gostosa de dirigir. Ela me lembrou muito algumas das que percorri na viagem que fiz ano passado com o Civic pelas serras fluminenses, mais especificamente os trechos entre Petrópolis e Teresópolis (BR-495) e a Rio-Caxambu (BR-354), da BR-116 até o entroncamento para a vicinal que conduz à entrada do Parque Nacional Itatiaia. Então, se você está com o orçamento curto e quer ter uma experiência similar à Tail of the Dragon, já sabe que o Brasil possui estradas similares!

Chegando no Deals Gap, novamente lembrei que não sabia onde dormir. Dessa vez, sem wi-fi, tive que descer até Atlanta para poder pegar sinal e reservar o hotel. Feito isso, já no hotel que pernoitaria por duas noites, fui decidir o que fazer.

Pedindo uma Pepsi na terra da Coca-Cola (aqui tem coragem)

Atlanta é uma das cidades mais importantes dos EUA e também o lugar onde a Coca-Cola foi criada. Acabei visitando o museu do refrigerante, que fica num parque no centro da cidade, e o Mercedes-Benz Stadium, estádio dos “Alénta Félcons” e Atlanta United, times locais de futebol americano e futebol futebol. Também aproveitei para comer os melhores “american barbecue” da minha vida.

Aqui vale um adendo importante. Barbecue americano é igual pastelaria de beira de estrada no Brasil: quanto mais sujo, feio e zoado o ambiente, melhor é a comida. Num desses lugares – um muquifo praticamente debaixo de um viaduto na I-285, onde o máximo de conforto eram uns balcões para você apoiar a caixa de papelão onde vinha sua comida – pedi um brisket com mac&cheese e coleslaw e o balconista sequer me deu uma faca. Quando perguntei, ele apenas me olhou, abriu um sorriso de quem sabe o que está fazendo e disparou: você não precisa de faca para comer meu barbecue. De fato: a carne, de tão macia e suculenta, simplesmente desmanchava ao toque do garfo!

Também fiz um passeio obrigatório. Visitei a Igreja Batista Ebenezer onde um nobre pastor chamado Martin Luther King Jr. pregava a favor de um mundo sem nenhum tipo de segregação racial e que fez com que ganhasse fama mundial. No quarteirão onde fica a igreja, além do prédio há um memorial que o homenageia e uma praça. Essa região atualmente é considerada um parque nacional, ficando sua segurança e conservação a cargo do National Park Service (os famosos park rangers).

Infelizmente não consegui, mas gostaria de ter participado de algum dos cursos do Porsche Experience Center, mas planejar tudo em cima da hora acaba prejudicando certos pontos da jornada. Infelizmente esse passeio vai ficar para uma próxima vez, mas fica a dica. O Porsche Experience Center fica bem pertinho do aeroporto de Atlanta e oferece cursos onde você pode pilotar vários tipos de Porsches por uma pista de testes e autódromo com um instrutor, ou apenas ir de carona em algumas voltas rápidas. Existem cursos de 400 a mais de 1000 dólares, dependendo do carro e da carga horária.

Mais duas visitas que fiquei com vontade de fazer: Road Atlanta e Talladega. Na semana em que estive lá teve uma prova de carros clássicos da SCCA em um e as 500 milhas da Nascar no outro. Infelizmente, nesse caso, não teria tempo hábil. Lembram dos dois dias que perdi no Canadá? Então…

 

Parando para comprar garrafas

Para compensar isso, resolvi, já fazendo o caminho de volta, visitar uma cidadezinha no Tennessee chamada Lynchburg. Essa vila é mundialmente famosa por um produto local, o uísque Jack Daniels. Esse é outro passeio que vale muitíssimo a pena. Além de vermos todo o processo de fabricação do Old no 7, o lugar em si é belíssimo e por si só já vale a parada. Durante o passeio, além da degustação, o guia nos conta que é proibido vender bebidas alcoólicas no condado, portanto, nós poderíamos comprar apenas as garrafas na loja. O líquido dentro dela é cortesia da casa. Vai entender?! Obviamente não deixei a oportunidade passar e comprei duas garrafas vazias para mim: uma Single Barrel e uma Tasters’ Selection. Acho que eles gostaram da minha compra pois colocaram dois dos seus melhores uísques dentro delas, coincidentemente uma tiragem single barrel e um blend tasters’ selection.

Lá também tive uma típica experiência de almoço sulista. A Miss Mary Bobo’s Boarding House era o restaurante favorito do gentleman Jack Daniel, e ele frequentemente fazia suas refeições lá. Além da casa em si ser impecavelmente conservada, ela ainda preserva a forma como Mary Bobo servia seus comensais. Uma mesa comprida com 10 lugares é dividida entre os que pagam pelo assento e a comida é tipicamente sulista: frango frito, quiabo, maçãs caramelizadas com Jack Daniels, purê de batatas, milho verde, costeleta de porco, torta de maçã com sorvete de creme, chá gelado, água e café são servidos e divididos por todos. “Take your part and pass to the left” é a regra há mais de cem anos. Na casa há 9 salões, cada refeição dura uma hora, e durante toda a experiência uma anfitriã nos acompanha. Eu dei sorte e consegui o último assento em uma das mesas às 13h. Nesse interim, visitei a vila ao redor da prefeitura e pude ver que Lynchburg é um passeio apreciado nos finais de semana pelos motociclistas e entusiastas de carros. Tanto é que passou uma carreata de Dodge Challenger em frente à casa de Mary Bobo, provavelmente organizado por algum clube de Dodges da região.

Durante o almoço, acabei virando o centro das atenções quando contei que era do Brasil. Eles ficaram curiosos para saber o que levara uma pessoa de tão longe àquele recanto no meio do nada no sul dos EUA. Durante a conversa, contei meu modo de viajar e uma das pessoas sugeriu: “já que você gosta de carros e vai para o norte, deveria considerar parar em Bowling Green, pois lá fabricam o Corvette.”. Ótima idéia!

 

Mais uma parada musical

Mas antes de cair na estrada novamente, enquanto descansava logo após terminar o almoço, reservei o hotel em Nashville. Quando cheguei na cidade e vi o telão no hall do hotel, me dei conta que estava acontecendo o Draft da NFL lá. Eu curto futebol americano, então resolvi aproveitar a chance e fui para a praça onde ocorrera o evento. Fiquei lá até o último escolhido (ironicamente chamado de Mr. Irrelevant) ser chamado. Depois ainda teve um show de uma cantora de música country que eu não faço a menor idéia de quem seja, então resolvi que era hora de ir embora.

No dia seguinte, visitei o Hall da Fama da Música Country. Não sou muito fã do estilo, mas confesso que gostei bastante do passeio. O verdadeiro motivo de ter ido lá era visitar um certo estúdio de gravação, mas só é possível visitá-lo comprando junto o ingresso do Hall da Fama.

O RCA Studio B certamente é um dos estúdios de gravação mais famosos do mundo. Elvis Presley gravou todos os seus discos lá (com exceção do seu primeiro single, gravado em Memphis), e vários outros artistas, tendo ou não contrato com a RCA, utilizaram, e até hoje usam, daquelas instalações para gravarem suas músicas. Nomes como Johnny Cash, Roy Orbison, Willie Nelson, Dolly Parton, Jerry Reed (também conhecido como Cledus “Snowman” Snow, de Smokey and the Bandit) gravaram lá.

Estar no mesmo local onde foram gravadas tantas músicas de sucesso mundial é simplesmente mágico! Tive a chance de ficar no mesmo local onde os cantores se posicionam, sentar no banco do piano de cauda que foi usado por tantos artistas importantes, tocar no aparelhos de gravação, sentir o cheiro da sala. Enfim, algo que vale muito mais que o preço do ingresso para quem gosta de música.

Durante o passeio, o guia perguntou se alguém tocava algum instrumento. Uma das pessoas contou que tocava teclado então foi oferecido a ele a chance de tocar no mesmo piano em que Elvis tocou e gravou várias de suas músicas. Evidentemente ele não deixou passar e tocou por alguns segundos. Nessa hora confesso que fiquei com inveja, afinal, quem não gostaria de tocar algum instrumento nesse estúdio?

 

Visitando a dolina com fome de carros

Novamente almocei no museu, e após esse passeio, segui para Indianápolis. Antes, parei em Bowling Green, Kentucky, para visitar o National Corvette Museum. O museu é fantástico e conta muito bem a história não só do carro, mas como ele influenciou a cultura automobilística americana. A seção que desmoronou por conta de uma dolina foi restaurada e os carros que foram resgatados estão lá expostos, tanto os restaurados como os preservados.

O meu relógio tem ligação com o Sr. David Scott e o Corvette azul da foto acima. Se quiserem conto essa história em outro artigo.

Se você comprar um Corvette nos EUA, tem a opção de recebê-lo neste museu. Junto com o carro, incluso no pacote está um tour exclusivo com um guia e a visita à linha de montagem, que fica do outro lado da Highway 446. Não consegui fazer essa parte da visita, já que era domingo e não havia produção. Na loja de souvenir, trouxe alguns regalos comigo: um boné, uma camiseta e um imã de geladeira para me lembrar daquele momento.

Do outro lado da Interstate 65 fica o NCM Motosports Park, um autódromo com kartódromo anexo onde é possível alugar um Corvette para dar umas voltas. Fui lá, mas não consegui alugar o carro. Estava ocorrendo um trackday, então eles suspenderam os serviços. Tirei algumas fotos, reservei o hotel de Indianápolis e segui viagem.

Realizando um sonho: Indianápolis Motor Speedway

No dia seguinte, um dos pontos altos do passeio. Tive a chance de visitar um dos templos sagrados do automobilismo mundial! Além do museu, que é bem pequeno e possui carros de corrida campeões de várias épocas distintas, também fizemos um tour guiado pelo autódromo. Infelizmente não conseguimos entrar na pista, pois, como era final de abril, as equipes já estavam treinando e ajustando os carros para a corrida no misto que teve dia 11 de maio. Ainda assim, consegui pisar e tocar no mítico trecho de tijolos, porém em uma área menos famosa, atrás da pagoda onde ficam alguns camarotes e a área de imprensa e direção das provas.

Haviam também um motor Offenhauser desmontado com as peças espalhadas por uma bancada, ao lado de um motor montado em um cavalete. O Offenhauser, somando as variações atmosféricas e turboalimentadas, foi o motor que venceu mais vezes a prova, com nada menos que 27 vezes, entre os anos 30 e 70. É um motor bem diferente, com bloco e cabeçote em peça única, presa a uma espécie de “gaiola” onde fica o virabrequim.

Na loja de souvenir, coloquei o cartão de crédito para trabalhar! Tudo é muito bonito e bem feito, e eu fiquei com vontade de levar absolutamente todas as camisetas e bonés para casa. Acabei “me controlando” e comprei quatro camisetas para mim, um boné, um imã de geladeira e uma camiseta para cada um dos meus sobrinhos. Se você não tem tanto autocontrole eu aconselho fortemente a não olhar para os lados quando passar por essa loja. O risco de ir à bancarrota é altíssimo!

Os arredores do autódromo também possuem algumas atrações. A sede da Dallara e da AJ Foyt Racing fica na Main Street, vizinha do autódromo. É possível visitar o showroom da Dallara, porém, eles estavam fechados para um evento privado.

No fim dessa mesma rua fica a fábrica de transmissões Allison. O senhor James A. Allison foi um dos fundadores do autódromo. Ele também fundou uma equipe, que chegou a vencer algumas provas no brickyard no início do Século XX. Durante a Primeira Guerra Mundial, Jim Allison suspendeu a campanha de corrida e passou a colaborar no esforço de guerra fabricando peças para motores aeronáuticos. Terminada a Guerra, em 1919, um carro preparado pela Allison venceu as 500 milhas, porém este foi o último ano do time nas corridas. Eles passaram a fabricar motores aeronáuticos e foram adquiridos pela GM em 1929, no ano seguinte ao falecimento de Mr. Jim. A empresa foi importante também fabricando motores aeronáuticos para os aviões utilizados na Segunda Guerra Mundial e, terminado esse novo conflito, a GM decidiu transformá-los em um centro de pesquisa e fábrica de transmissões automotivas, até hoje em atividade.

Saudações aero…não, péra, esse é outro site!

Estava me aproximando da última parada desse passeio. Depois de Indianápolis segui para Dayton, Ohio, terra dos irmãos Wright e do museu aeronáutico mais impressionante que já visitei: o National Museum of US Air Force. Para quem gosta de aviação, são quatro hangares enormes e interligados, onde é contada toda a história da aviação militar, desde o invento dos irmãos Wright (o 1909 Wright Military Flyer – versão militar do Flyer III – é o primeiro avião militar fabricado) até o F-22 e F-35, passando pela corrida espacial.

Cheguei nesse museu às 10h da manhã e fui sair somente às 16h, já com os pés doendo de tanto andar. Para se ter uma idéia da magnitude desse museu, existem expostos três SR-71 Blackbird, além de um Bell XB-9, um F-111, um F-117 Nighthawk, um B-1B Lancer, um B-2 Spirit, um U-2 e um XB-70 Valkyrie, dentre vários outros. O B-29 apelidado “Bockscar”, que soltou a bomba atômica em Nagasaki, assim como o Memphis Belle, cuja história da máquina e sua brava tripulação inspirou o livro e filme homônimos, também fazem parte da mostra.

Isto é um túnel de vento capaz de simular até 730 km/h de velocidade. Foi construído em 1918!

Incrível como o tempo passa rápido. A alguns dias atrás eu estava ainda animado com a idéia de ter acabdo de comprar um carro novo, estava terminando a viagem planejada para fazer com ele. Retornei para casa ainda neste mesmo dia, ansioso para pegar definitivamente o Oldmobile. No dia seguinte, após devolver o carro alugado segui para a loja, onde, finalmente, meu carro estava pronto esperando por mim. Perguntei para o vendedor o que havia acontecido e, aparentemente, quando o 2GR-FE perde uma das duas sondas lambda (ele possui uma para cada bancada de cilindros) e a troca é efetuada, a ECU se perde e continua acusando o erro, mesmo após o reset da central. A sonda que estava boa também teve que ser trocada, e desde então o carro não apresentou mais problema algum. A loja me reembolsou o aluguel e eu voltei para casa de carro novo e muito feliz pela viagem realizada.

Quero ver quem adivinha o nome da banda, da música e os versos relacionada a essa foto!

De todas as oportunidades que tive de visitar os EUA, talvez essa tenha sido a que eu mais pude ver de fato o que transformou o país no que ele é hoje. Tanto o meio-oeste quanto o sul foram fundamentais para a consolidação da identidade nacional deles em vários campos distintos. Deste pedaço do país surgiram tantas empresas importantes, tantas invenções foram concebidas, tanta cultura foi produzida, que é impossível imaginar o que seria do mundo sem esse pedaço do país.

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