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Isso é o que acontece quando você faz ultrapassagens forçadas

Feriado prolongado significa estradas cheias. Geralmente cheias de pessoas sem muita intimidade com as estradas, motoristas apressados e estressados, motoristas que estão dirigindo por obrigação e motoristas que só querem curtir um dia na estrada, independentemente do trânsito.

Essa é a receita para todas aquelas estatísticas mórbidas divulgadas logo após o feriado, quase sempre acompanhadas do número de infrações por excesso de velocidade — a multa mais temida pelos motoristas hoje em dia. Um dos maiores causadores de acidentes no Brasil são as ultrapassagens proibidas, algo que a fiscalização eletrônica não flagra e que, infelizmente, não é muito vigiada pelas autoridades. Há pouco tempo o governo até aumentou o valor das multas para motoristas flagrados em ultrapassagens perigosas, mas você sabe o que acontece quando não tem ninguém olhando, não é?

Esse cara abaixo, por exemplo, mostra de forma prática — e tão chocante quanto dolorosa — por que você não deve aproveitar o motorista da frente como escudo:

Repare a sequência de erros: embora a ultrapassagem fosse permitida em ambos os sentidos, o trânsito na faixa da direita desacelera mais adiante (as luzes de freio se a,cendem). Em seguida, a van faz a ultrapassagem quase no limite, pois o espaço para voltar à sua pista estava diminuindo com a frenagem dos carros. Então temos o Palio vermelho seguindo a van sem visibilidade nenhuma. Bastou que a van voltasse à faixa da direita para que o Palio se visse em uma situação de apuro — condição ideal para agir sem pensar e aumentar as chances de fazer besteira. Em vez de voltar para a direita, o Palio tenta impedir a batida indo para o acostamento contrário, o único lugar para onde o sedã preto poderia desviar — e, de fato, acaba desviando.

O resultado não poderia ser outro. Note também que se trata de um fim de tarde, situação com pouca luz natural. A maioria dos carros está com os faróis acesos (podemos ver pelas lanternas), mas tanto a van e quanto o Classic estavam com os faróis apagados — por isso não se vê o carro preto na longa descida. Saldo final: pelo menos três carros envolvidos em um acidente terrível. Tudo por impaciência e falta de atenção. A velocidade ali seria um mero detalhe. Em tempo: nessa situação, desvie sempre para a direita, tentando voltar para a sua faixa ou para o acostamento da sua mão.

Outra situação comum é quando o camarada acha que entende tudo de estrada e de moto e, justamente por isso, perde o respeito pelas duas. Foi o que aconteceu neste vídeo a seguir, que conta inclusive com legendas mostrando todas as pisadas de bola do personagem principal.

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Em pausas e closes estratégicos, o editor deste vídeo mostrou tudo que foi ignorado pelo cara da moto. É uma prova do que os especialistas dizem em relação aos acidentes: eles nunca acontecem por apenas um fator. Foram seis avisos ignorados: uma placa, um funcionário sinalizando a obra, placas indicando a redução da velocidade na estrada para 40 km/h, placas de obras na pista, placas de estreitamento de via e, finalmente, o primeiro dos cones usados para fechar a faixa da esquerda. Nessa situação, um motociclista consciente reduz a velocidade, espera passar o estreitamento e só depois sai em disparada.

Mas o que aconteceu foi novamente uma ultrapassagem forçada: quando a pista estreitou, o caminhoneiro, ligado no trânsito, foi para o acostamento para permitir que o motociclista que ia à frente passasse por ele sem riscos. O que ele não esperava é que ao mesmo tempo o outro cara fizesse uma das piores coisas que alguém pode fazer na estrada: passar pelo acostamento — outra multa que teve seu valor aumentado pela nova lei de 2014. Mesmo assim, o cara da moto usou o recurso e se colocou em uma situação perigosíssima. O vídeo poderia ter terminado muito mal se o motorista do caminhão não fosse realmente muito atento. O pobre homem ainda passou por vilão na cabeça do motociclista. Vá entender.

Este outro abaixo mostra a pior situação possível, e que coloca em risco todos os motoristas por perto: ultrapassagens em curvas, na chuva, com faixa contínua e trânsito intenso.

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O motorista que fez o vídeo já havia cantado a bola. Vendo que o do Corsa Wind vinha desembestado, preferiu sair de sua frente. Ao vê-lo ultrapassar na curva, o cara se assusta com a imprudência, faz um elogio às baixas velocidades e ainda torce para que Deus o proteja, pedindo que o acompanhe. Não deu certo.

Ao ver a batida, ainda se dispôs a parar para ajudar, mas já havia muita gente em volta. O motorista, segundo o jornal O Povo, do Ceará, acabou morrendo no local.

A sucessão de erros é tão absurda que só podemos supor que o motorista do Corsa era suicida. Ou louco. Afinal, é difícil entender como um motorista encontra tanta autoconfiança para acelerar na contramão, na direção de algo que ele não vê. A faixa contínua pintada por ali indica que não há visibilidade, espaço ou qualquer outro fator relevante para efetuar uma ultrapassagem segura. Novamente a velocidade não teve nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu. Em todos esses casos, os acidentes tiveram relação somente com imprudência, imperícia e muita, muita irresponsabilidade.

Por sorte, ninguém mais se feriu além do motorista do Corsa. Ele poderia ter levado muita gente com ele, mas parece que tinha chegado apenas a sua hora. Há vezes, porém, em que a hora não chegou. E nem Deus nem o capeta querem carregar o acidentado.

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Esse vídeo claramente não é brasileiro. Foi feito possivelmente em algum país do sudeste asiático, pela escrita nas placas, mas também serve de aviso. O acidente foi causado porque o rapaz do scooter bateu no que estava fazendo o vídeo, perdeu o equilíbrio e deu com a cabeça nos pneus do caminhão. Escapou de ser esmagado por três eixos. Desrespeitou as regras da estrada, que não permitem que motos andem em corredores, da velocidade, e dos próprios corredores. Não se passa outro motociclista no corredor. Foi forçando a passagem que o rapaz do scooter fez toda a lambança descrita acima. Quase pagou com a vida por isso.

Os cuidados que esses vídeos mostram mais uma vez que não é somente a velocidade o fator de risco — e infelizmente as pessoas parecem não entender isso. Não é todo dia que você pode ter a sorte de cruzar com um motorista como esse do Omega:

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