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Isto não é a foto de um cenário de verdade – é um diorama ultrarrealista

O australiano Luke Towan é um daqueles caras que só não são famosos de verdade porque o mundo não sabe apreciar o que eles fazem. Ok, a gente pode estar exagerando um pouquinho, mas é porque realmente curtimos o que ele faz. Luke é especializado em dioramas ultrarrealistas e escala 1:87 – ou seja, ele usa carros ainda menores que os Hot Wheels, com cenários em tamanho condizente, com uma atenção absurda aos detalhes. Em uma foto como a que abre este post, é mesmo fácil de confundir com um cenário real.

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Dioramas são a evolução dos cenários que você fazia usando objetos da casa, seus carrinhos e estradas desenhadas em folhas de papel sulfite ou cartolina (dependendo da sua inspiração) quando era criança. Boa parte deles retrata cenas cotidianas, como um carro abastecendo em um posto de combustível, mecânicos trabalhando em uma oficina ou um corpo de bombeiros no meio de um salvamento. Alguns são maiores e podem incluir diferentes cenários dentro de um mesmo contexto, ou simplesmente retratar um dia normal em uma pequena vila na beira da estrada, por exemplo.

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De qualquer forma, é possível chegar a níveis de realismo absurdos com um diorama. Basta ter paciência, as ferramentas e materiais certos e saber o que fazer com eles. Ah, também é preciso ter bastante tempo disponível.

Os vídeos publicados por Luke mostram, em detalhes, como ele confecciona e monta seus dioramas, que costumam retratar cenários bucólicos e rurais, como estradas, estações ferroviárias e fazendas. Em seu site, 
Boulder Creek Railroad
, Luke diz que seu primeiro emprego na vida foi em uma fazenda, empilhando rolos de feno, e que talvez seu tempo na fazenda seja sua inspiração na hora de compor os cenários. Hoje em dia, Luke é piloto de aviões comerciais, e faz dioramas em seu tempo livre.

Um de seus vídeos mais recentes mostra como foi feito o diorama da foto que abre este post, um cruzamento na cidade de Vitoria, no interior da Austrália. São mais de 20 minutos, e a quantidade de técnicas diferentes empregadas para obter cada um dos elementos do cenário é impressionante.

Como mostra o vídeo, o trabalho costuma começar com uma visita ao Google Street View, de onde Luke tira as referências para montar o cenário, visto que nem sempre é possível ir pessoalmente até as locações. Algumas vezes, as imagens do Street View servem como referência. Em outras, como mera inspiração. Em todos os casos, porém, ajudam principalmente com a proporção entre os diferentes elementos.

Os materiais usados são uma mistura de itens específicos para o modelismo, enquanto outros são feitos em casa. Existe, por exemplo, uma massa específica para moldar estradas de asfalto, e também materiais feitos especialmente para simular pedregulhos na estrada ou grama. A grama, aliás, é um elemento bem interessante: feita de material sintético, ela é carregada com eletricidade estática simplesmente pulverizada sobre o cenário. Por causa da estática, ela fica em pé. Luke até desenvolveu um aplicador para a grama, usando um gerador, baterias, uma peneira e algumas peças de plástico. Coisa de McGyver, mesmo:

A indústria do modelismo oferece placas de trânsito em miniatura, bonecos de pessoas e animais, e diferentes materiais que permitem que se reproduza estradas de terra, árvores, rochas, montanhas e outros tipos de cenários. Luke gosta de personalizar seus elementos e, por isso, faz suas próprias árvores com arame ou palitos de madeira, usando frutos e folhas fabricados especialmente para este hobby. Uma das empresas mais tradicionais deste ramo é a Woodland Scenics, que existe desde 1975 e fornece não apenas modelos, mas também materiais para a confecção dos dioramas, como colas, resinas e tintas.

Mais do que construir os cenários, porém, Luke se preocupa em torná-los realistas com detalhes que só se tornam evidentes se apontados – ligeiras irregularidades nas faixas das vias, remendos no asfalto e marcas do tempo (como a poeira sobre a estrada ou o chão compactado pelos pneus dos veículos nas vias de terra).

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Luke também faz questão de fotografar seus dioramas de modo a evidenciar seu realismo. Para isto, ele faz como Michael Paul Smith, o cara por trás de Elgin Park, a cidade fictícia feita com dioramas em escala 1:24. Ele posiciona o diorama ao ar livre, em um cenário compatível com o retratado em miniatura e, usando truques de perspectiva, luz e edição. Mesmo a temperatura da luz, um pouco mais quente, contribui para a sensação de realismo. Ele quase nos enganou!

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Já que estamos aqui, confira alguns outros tutoriais detalhados de Luke. Além de tudo, eles são bem relaxantes de se assistir:

 

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