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Já pensou em ter um Porsche 918 Spyder como project car? Esta é sua chance!

O que vemos na foto acima, meus amigos, é um Porche 918 Spyder. Mais precisamente, o Porsche 918 Spyder nº 830 dos 918 exemplares fabricados. Ou, bem, o que restou dele. Não fosse ele um dos membros da Santíssima Trindade dos hipercarros híbridos (os outros dois, como você bem deve saber, são McLaren P1 e Ferrari LaFerrari), talvez este fosse seu triste fim. Mas, provavelmente, não vai ser.

Os superesportivos mais caros e raros do mundo raramente têm declarada sua “perda total”. A não ser que se transformem em um monte de ferro retorcido e derretido na beira da estrada, muitos acabam sendo recuperados pelas próprias fabricantes e acabam voltando para casa — ou são vendidos novamente, muitas vezes até pelo preço de um exemplar que nunca sofreu um acidente.

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Um exemplo recente? O McLaren F1 de Rowan Atkinson, o “Mr. Bean”, que bateu em uma árvore em 2011, ficando bem danificado. Os reparos custaram quase £ 1 milhão (R$ 5 milhões, em conversão direta), e o carro foi vendido por £ 8 milhões (R$ 41 milhões). O lucro? £ 7 milhões, ou R$ 36 milhões.

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O Porsche 918 Spyder ainda não é clássico o suficiente para render tanto dinheiro, mas já valorizou bastante. Enquanto um exemplar custava mais de US$ 900 mil (quase R$ 3,3 milhões em conversão direta) quando era novo, os exemplares usados não saem por menos que o dobro disso. Imagine, então, o tamanho da frustração do dono deste carro, um nova-iorquino que sofreu um acidente (não se sabe ao certo como, mas tudo indica que foi uma bela pancada em um muro) depois de rodar só 92 milhas, ou 148 km…

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Talvez, de tanta frustração (e talvez um pouco de vergonha) o cara nem tenha recorrido à Porsche para recuperar o carro, e decidiu simplesmente livrar-se dele. Agora, o 918 está na anunciado no site de leilões Copart. Não há valor mínimo estipulado ou mesmo uma estimativa, mas o lance mais alto no momento é de US$ 102 mil, ou R$ 368,8 mil — já dá para considerar uma pechincha.

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Ainda que a gente fosse achar incrível se alguém muito rico (ou muito louco, ou os dois) comprasse este 918 e colocasse nele, digamos, um flat-six do Porsche 911 (que tal o motor de quatro litros e 500 cv do GT3 RS, já que é para sonhar alto?), sabemos que provavelmente o carro retornará para a Porsche e será totalmente recuperado para ficar como novo.

E é aí que começa a segunda parte da brincadeira: pagar pelo conserto. E, ironicamente, no início da semana um usuário do fórum de discussão r/cars, no Reddit, divulgou os supostos valores de algumas peças de reposição do Porsche 918 Spyder — motor, câmbio, peças da carroceria e outros componentes.

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E é óbvio que os preços são bem condizentes com o de um hipercarro híbrido com tecnologia de ponta. O motor, por exemplo — um V8 de 4,6 litros feito todo de alumínio, com comando duplo no cabeçote, 616 cv a 8.700 rpm e 55 mkgf de torque a 6.700 rpm — custa US$ 203.385,37, ou R$ 729.013,79. Uma transmissão? US$ 69.239, ou R$ 248.180,02, sempre em conversão direta.

E tem mais: um virabrequim, sozinho, custa US$ 7.108,11 (R$ 25.478,28), enquanto um único disco de freio sai por US$ 9.000,42 (R$ 32.261,07). Componentes de fibra de carbono, naturalmente, também são bem caros: um para-lama traseiro custa US$ 28.352,40 (R$ 101.626,24). Ao menos os suportes para instalação vêm inclusos no pacote.

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Por dentro, a situação se repete. Enquanto um banco custa US$ 9.698,26 (R$ 34.762,40), um simples tapete tem etiqueta de US$ 537,36 (R$ 1.926,11).

Por fim, há os preços do para-choque dianteiro e de seu suporte: o primeiro custa US$ 11.369,78 (R$ 40.753,79), enquanto o segundo vai te deixar US$ 88.176,14 (R$ 316.058,23) mais pobre. Ou menos rico.

Digamos que é seguro apostar que, caso alguém seja corajoso o bastante para arrematar este 918 Spyder, o valor para recuperá-lo será bem próximo do quanto custa um exemplar inteiro. No entanto, é difícil avaliar se o negócio compensa ou não sem estar na pele de quem pode fazê-lo. Diz aí: o que você acha?

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