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Sessão da manhã

Jackie Stewart apresenta: os Escort de competição mais radicais dos anos 1970

Em oito anos na Fórmula 1 (1965-1973), Jackie Stewart disputou 100 corridas e venceu 27 delas – um aproveitamento impressionante, ainda mais se considerarmos que ele subiu ao pódio 43 vezes e levou para casa três títulos, em 1969, 1971 e 1973. O que ele fez depois disto?

Bem, uma das coisas foi se tornar um ativista pela segurança na Fórmula 1 – em 1966, o escocês saiu da pista em Spa-Francorchamps, em um dia de chuva forte, a 270 km/h, ao volante do BRM P261. O carro bateu em um poste telefônico, a coluna de direção do carro perfurou sua perna e os tanques de combustível se romperam, despejando todo o combustível no cockpit.

Stewart foi tirado do carro por uma equipe destreinada e sem as ferramentas adequadas, foi colocado na caçamba de uma picape aguardando por socorro (não havia qualquer tipo de assistência na beira da pista) e foi levado para o setor de emergência de Spa, onde aguardou atendimento em uma maca no chão. Depois do ocorrido, ele começou a lutar por melhores condições de segurança no circuito.

Talvez isto ajude a explicar porque, neste vídeo feito nos anos 70, Jackie faz questão de mostrar todos os equipamentos de segurança antes de começar a acelerar um Ford Escort RS1800 de rali – cinto de quatro pontos, balaclava, capacete e, finalmente, as luvas. Mas, afinal, que vídeo é este?

Aparentemente, trata-se de um vídeo promocional da Ford para o Escort. Não há informações precisas sobre o contexto ou sequer uma data mas, se fosse para adivinhar, diríamos que foi feito em 1977 ou depois. Por quê? Porque naquele ano a Ford havia acabado de realizar algumas modificações no Escort de segunda geração, lançado três anos antes.

O primeiro carro em que Jackie entra é um Escort L 1300, equipado com um motor 1.3 de 65 cv e, na dianteira, é possível ver o oval azul da Ford, adotado apenas em 1977. O carro, que também recebeu um aumento na largura da bitola dianteira naquele ano, é elogiado por Stewart por sua posição de dirigir. Jackie também diz “very nice” e… vai direto para o Escort de rali.

“Nunca pilotei um desse”, ele diz. “Deve andar”. Então, depois de se equipar corretamente, Jackie brinca dizendo “agora vamos ver se este pequeno demônio vai ligar…”

É claro que liga, e Jackie parte imediatamente. É aí que podemos ver como os carros de rali sempre foram difíceis de controlar. O carro estreou no WRC em 1975 e, na última etapa da temporada, o RAC Rally no Reino Unido, conseguiu uma vitória tripla.

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Fotos: AutoWP.ru

Na época, o motor era um quatro-cilindros de dois litros (apesar do nome RS1800, apenas a versão de homologação tinha motor 1.8) que, preparado pela Cosworth e equipado com duplo comando no cabeçote e dois carburadores duplos da Weber, entregava até 255 cv sem qualquer tipo de indução forçada. A tração era traseira e o câmbio, manual. Contamos toda a sua história aqui.

O carro que Stewart usa no vídeo foi pilotado por Hannu Mikkola, um dos pilotos principais da equipe de fábrica da Ford no WRC até 1981, quando assinou com a Audi (onde, em 1983, conquistaria seu único título no Mundial de Rali).

O carro que Jackie dirige depois é ainda mais insano: um Escort RS2000 que era usado nas corridas de turismo no Reino Unido na década de 70. Na época, o Escort era um dos carros que competiam nas corridas de stock car britânicas nas categorias acima de 2,5 litros. O motor, instalado em uma estrutura tubular feita sob medida, era um Ford V6 Essex preparado pela Cosworth.

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No vídeo, o carro já havia sido equipado com uma dianteira mais baixa e aerodinâmica

Nos carros de rua, como o Ford Capri, o Granada e a van Transit, o V6 Essex deslocava entre 2,5 e três litros e entregava até 140 cv. Com a preparação da Cosworth, o V6 recebia cabeçotes com comando duplo, injeção de combustível e o deslocamento era ampliado para 3,4 litros. O resultado? Entre 430 e 470 cv sem qualquer tipo de indução forçada. Olha só um vídeo do bicho no dinamômetro:

“É coisa de Fórmula 1!”, Jackie diz antes de entrar no carro para dar umas esticadas. O campeão não fala nada (talvez porque, com o ronco do Cossie, provavelmente não fosse ouvido), mas não precisa: dá para ver que o carro é absurdamente rápido e que Stewart está se divertindo à beça.

Em seguida, Stewart entra no Escort L 1300 (depois de abrir a porta e demonstrar como os bancos reclinam) e dirige até um avião decorado com as cores da John Player Special, embarca e vai embora. De qualquer forma, não é preciso muito mais do que isto para nos entreter por pouco mais de sete minutos, não é mesmo?

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