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Car Culture

Juiced: quando a Dodge fez um Charger com o V10 de 660 cv do Viper

Estamos em 2015, e o sedã mais potente do planeta produzido em série atualmente é o Dodge Charger Hellcat. Seguindo o exemplo do irmão Challenger, o Charger é equipado com um V8 Hemi de 6,2 litros com supercharger e 717 cv — mais potência que o V10 do Dodge Viper. Mas foi exatamente o motor do Viper que a própria Mopar colocou no cofre de um Charger (o modelo da geração passada) em 2012. Nascia ali o Charger “Juiced”.

Originalmente, o Dodge Charger R/T era equipado com um V8 Hemi de 5,7 litros, que era capaz de entregar 380 cv a 5.700 rpm e 54,6 mkgf de torque a 4.200 rpm. De forma alguma isto era ruim em 2012 — o muscle sedan chegava aos 100 km/h em 5,4 segundos e cumpria o quarto-de-milha em 13,8 segundos a 167 km/h —, mas a grande novidade da marca era a volta SRT Viper (que havia abandonado a marca Dodge) e seu V10 de 649 cv.

Quando chegou a hora de apresentar um conceito no SEMA Show, o maior evento de carros preparados dos EUA, a Dodge bolou uma bela maneira de promover o V10 de 8,4 litros do então novo Viper: colocá-lo no cofre Dodge Charger. Honestamente, algo que já deveria ter sido feito antes, se querem saber o que a gente acha.

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O motor do Viper é maior e mais pesado: enquanto o V8 Hemi tem 53 cm de comprimento e pesa 219 kg, o V10 do Viper mede cerca de 80 cm de comprimento e pesa 226 kg. Apesar disso, os cerca de 15 cm a mais de comprimento não foram um problema muito grande na hora de encontrar espaço para o novo motor — ainda que novos suportes tenham sido fabricados sob medida para o motor e o câmbio.

O acréscimo mínimo de peso do motor (apenas sete quilos a mais, graças ao bloco e aos cabeçotes de alumínio no motor do Viper) foi mais do que compensado pelo salto de potência: de 370 cv para 660 cv, ou 290 cv a mais. E 10 cv a mais do que originalmente no Viper, graças a um cold air intake especificamente projetado para o Charger.

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Motor original em cima, motor do Viper embaixo. Dá para ver que as coisas ficaram meio apertadas, mas nada de outro mundo

E sendo o motor da Víbora, nada mais justo que colocar também o mesmo câmbio. Ou seja: o automático de cinco marchas deu lugar à boa e velha transmissão Tremec T6060, manual de seis marchas, com direito a manopla pistol grip da Hurst na alavanca, em um aceno aos muscle cars de antigamente.

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Na época, não foram divulgados números de desempenho, mas sabendo que o Viper pesa cerca de 1.520 kg e é capaz de chegar aos 100 km/h em cerca de três segundos, é sensato imaginar que o Charger — que pesa cerca de 1.900 kg — leva pouco mais que isso

Por fora, o carro recebeu uma personalização leve, incluindo novas saias laterais, splitter frontal e difusor na traseira. A cor também era exclusiva — um laranja metálico chamado Copperhead, que também aparece em alguns detalhes de acabamento do interior, como o painel e os bancos. A ideia da Mopar, na época, foi dar ao carro um ar de “hot rod” e, ao mesmo tempo, manter a identidade do Charger. As rodas, vindas direto do catálogo da Mopar Performance Parts, tinham 20” de diâmetro e eram pintadas de preto fosco, com um lip na mesma cor da carroceria nas bordas.

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A suspensão também recebeu algumas modificações, com molas mais firmes, que também deixaram o carro mais baixo, e barras estabilizadoras mais grossas. No cofre e no porta-malas também foram instaladas barras anti-torção entre as torres dos amortecedores, feitas sob medida.

O carro foi levado para o SEMA Show em 2012 e 2013, mas depois disso não foi mais visto em público. Mas os caras da SRT gostaram da ideia de colocar um motor mais potente no cofre de seus modelos feitos sobre a plataforma LX — o Challenger e o Charger —, pois em 2014 foram apresentados os irmãos Hellcat.

Nós só ficamos imaginando como seria se, em vez do Hemi 6.1 supercharged, a Dodge tivesse levado a ideia do Charger Juiced adiante. Você acha que seria tão matador quanto o Hellcat?

Por outro lado, há quem prefira algo mais old school. Nesse caso, conhecemos um carro que segue a mesma receita — o Dodge Charger “GTS”, equipado com motor de Viper — com um pequeno detalhe: ele foi fabricado em 1968. E também apareceu no SEMA Show, mas em 2001.

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Isto significa que seu V10 não desloca 8,4 litros — em 2001, o motor do Viper deslocava exatos oito litros e produzia 420 cv, suficientes para chegar aos 100 km/h em quatro segundos cravados. O câmbio também veio do Viper, e o interior recebeu uma customização leve, com instrumentos aftermarket e o console central da víbora. A adaptação do motor foi um pouco mais complicada, visto que o projeto do carro é bem mais antigo — foi preciso trocar todo o eixo dianteiro pelo do Mustang II, mais compacto.

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O carro foi leiloado em 2012 pela Barrett-Jackson Scottsdale, e foi arrematado por US$ 128,7 mil — cerca de R$ 450 mil. Deve ter valido cada centavo.

 

 

 

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