Edição diária: 20/06/2019
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Project Cars Project Cars #17

Kadett C20XE turbinado? Conheça a história do Project Cars #17!

Bom, chegou a minha vez. Confesso que enrolei dias esperando outras histórias pra ter alguma referência e tentar escrever a minha de um jeito bacana, mas não deu muito certo – acabei ficando mais confuso! Bem, meu nome é Felipe Machado Marçola, mais conhecido como Machado. Moro em Santo André, SP e tenho 26 anos.

Sempre gostei de carros modificados. Não tenho muitas lembranças de como era minha paixão antes do game “Need For Speed Underground” e do “Velozes e Furiosos”. Acho que não falo só por mim quando digo que apreciei a “época de ouro” do tuning. Apreciei, no passado. Não gosto de exageros, de rodas gigantes ou de suspensões extremamente rebaixadas choraboyéfixa, que fazem o carro cabritar com qualquer bituca no chão e mal te deixam fazer uma curva direito. Este cara… não seja este cara!

Devia ter uns 12 anos, mais ou menos, quando ouvi um ronco diferente pela primeira vez. Estava em casa jogando PSOne e ouvi um ronco grave seguido de um espirro, corri até a janela da sala e vi um vulto prata passando. Passaram-se alguns dias e novamente ouvi o tal ronco, já fiquei ligeiro e sentei na garagem pra ficar observando: era um Chevette turbo de um vizinho. Eu nunca tinha ouvido algo como aquilo ao vivo e fiquei maravilhado com aquele carro! Depois, houve também um grupo de amigos com nome de equipe e tudo mais, o que não vem ao caso, mas foi bem antes de qualquer fórum automotivo que vim a conhecer…

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Algum tempo depois eu vi um Kadett GSI Vermelho Bach e foi amor à primeira vista! Na época meu pai chamava de carro de burguês, eu ainda não entendia o motivo. Lá pelos meus 16 anos um amigo ganhou um Kadett do pai dele, Sr. Hélio, gente finíssima que trabalhava com revenda de carros e que pegou o GM em um rolo. Este amigo, como eu, não tinha habilitação e só usava o carro pra alguns rolezinhos no bairro.

O Kadett era um SL 1989 prata com o kit do 98 (parachoques, frisos e aerofólio). Dirigi algumas vezes e gostei muito do motor 1.8 carburado. Depois de alguns meses, ele passou o carro pra frente e com isso eu também fiquei uns dois anos sem dirigir nada. Quando fiz 18 e tirei a habilitação, presente de minha mãe, dirigi alguns Ka 1.0, que achava absurdamente fraco. O tempo passo, e com uns 20 eu já estava pensando em uma moto. Um tio meu estava vendendo uma DT 200R azul com aros dourados, coisa mais linda, mas como vocês devem imaginar, minha mãe interviu e não deixou ele me vender.

Com a grana que daria na moto, coisa de uns R$ 3 mil na época, resolvi dar entrada num carrinho. Meu pai sempre dizia para eu comprar um Fusca até ficar bom na direção, para depois trocar por um zero. Mas nunca dei ouvidos: comecei a procura por aquilo que eu queria, um carro mais velhinho e com motor “grande”… 1.8 ou 2.0. Em lojas e em feiras (como a da Matel), olhei alguns Gols, Escorts e Kadetts, pois pretendia gastar no máximo R$ 10 mil na compra. Mas nada me chamou a atenção – e o que gostei estava fora do meu alcance, como um GSI branco conversível 1992, por R$ 16 mil.

Na época eu já fazia parte do fórum Kadetteiros para colher informações… e aquilo acabou me influenciando ainda mais: seria um Kadett mesmo. E era pra ser.

Estava em casa num domingo quando o Sr. Hélio me liga e diz que tinha um Kadett do jeitinho que eu queria lá na feira. Fui lá dar uma olhada. Era um GLS 1.8 EFI 1994 Vermelho Schumann (um tom de vinho), um dos poucos GLS realmente completos, com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, check control, computador de bordo, freios a disco na traseira e tudo o mais – só não tinha teto solar. O Sr. Hélio ligou o carro deu uma volta pelo pátio da feira e aprovou a mecânica – nas palavras dele, “o Kadett está uma uva!”, lindo de lata, suspensão em ordem. Fechamos negócio.

 

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Sem experiência, fiquei com medo de dirigi-lo. Pedi para um amigo ir buscar o carro e levar pra minha casa. Minha mãe adorou, era confortável, bonito e espaçoso. Meu pai odiou, me xingou por alguns dias e falou que eu tinha feito uma baita cagada e que deveria ter comprado um Gol. Contraste…

Só que, passada uma semana, meu pai pegou o Chevrolet para dar uma volta. Daí foram só elogios: suspensão macia, bancos confortáveis, direção hidráulica. Ele foi convertido e passou a adorar minha decisão.

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Foi meu primeiro e único carro. Agora estamos em abril de 2014 e muita coisa aconteceu desde que comprei este Kadett: suspensão de rosca, rodas esportivas, muitas grandes amizades graças ao carro. Por tudo isso, não vou me desfazer dele. Talvez até monte um GSI para track days no futuro, mas esse GLS aqui vai ser turbão.

Há alguns anos li uma frase que dizia o seguinte: só compreende a minha loucura quem partilha da minha paixão. Sou apaixonado por velocidade, conheço outros loucos como eu, alguns curtem motos e outros, carros. Não é sobre trocar de carro todo ano ou abrir mão na primeira manutenção que se enfrenta. Momentos bons e ruins existem em qualquer situação, loucos como nós não vêem seus carros ou motos como objetos ou dinheiro investido – e não operamos a máquina: nós fazemos parte dela. Temos muito mais em comum do que imaginamos, é uma droga, um vício, uma paixão, é parte da nossa personalidade e atraímos loucos semelhantes…

 

Aqui começa o Projeto Kadett SS

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Sendo o GSI o esportivo “legitimo” da linha Kadett, decidi batizar a minha cria de SS, uma homenagem aos esportivos de antigamente da Chevrolet. Depois de acompanhar diversos projetos pela internet e com alguns carros que conheço pessoalmente, decidi que o meu seria turbinado, com cabeçote de 16V e tudo o que tem direito – algo digno de ostentar a sigla SS! Contudo, como apelido carinhoso eu o chamo de Bate-Bate…

Hoje temos a seguinte situação: o Kadett está parado, esperando o seu novo motor. Sim, estamos falando de um C20XE, o 2.0 16v de Calibra. Tenho em mãos bielas e pistões forjados, injeção programável e a turbina.

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O projeto será dividido em três etapas: aspirado, turbo e estética. Primeiramente vou montar o motor com os pistões e bielas forjadas, acertar com a injeção programável Fueltech e rodar um tempo com ele aspirado. Considerando que este 2.0 originalmente gera 150 cv, espero chegar nos 170 cv desta forma. Com o turbo montado, espero chegar a algo em torno de 400 cv sem booster. É um carro que pretendo colocar para andar em Interlagos, mas o foco real dele é rua!

Pessoal, por enquanto é isso. Obrigado pela oportunidade de expor o meu monstrinho, no próximo post vou detalhar a preparação e se possível postarei um vídeo com o passo a passo da montagem do C20XE.

 

Por Felipe Machado, Project Cars #17

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