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Vídeos Zero a 300

Koenigsegg Agera RS atinge os 447 km/h e é o novo carro mais rápido do mundo (oficialmente)

Guardem estes momentos, entusiastas, porque estamos testemunhando o início de uma nova guerra da velocidade máxima. Em março de 2016, a Bugatti finalmente revelou o Chiron, seu novo hipercarro com motor W16 quadriturbo de 1.500 cv que precisa ser mais rápido que o Veyron. Por enquanto sua velocidade máxima está limitada a 420 km/h devido ao composto dos pneus, mas a fabricante franco-germânica acredita que ele pode ser capaz de chegar aos 460 km/h. A marca já revelou um vídeo no qual o ponteiro chega aos 440 km/h, mas a medição de sua velocidade máxima acontecerá somente em 2018.

Enquanto isso, John Hennessey, que adora provocar grandes fabricantes com seus carros semi-artesanais fora-de-série, revelou o Venom F5, sucessor do Venom GT, com a promessa de superar o Bugatti Chiron. Não sabemos se ele pretende homologar o recorde desta vez, ou só fazer marketing para sua preparadora usando um recorde questionável. O que sabemos é que ele deu a entender que o Venom F5 é capaz de chegar a 300 mph (482 km/h, aproximadamente).

Mas enquanto a Bugatti e a Hennessey falam e não aceleram, a Koenigsegg, que parecia alheia a essa disputa, resolveu acelerar e depois falar.

No último fim de semana, os suecos foram até Nevada, nos EUA, fecharam um trecho reto de 18 km de rodovia e, lá, colocaram o Agera RS para trabalhar com seu piloto de testes, Niklas Lija, ao volante. Eles voltaram para casa com um novo recorde mundial que seguiu todos os procedimentos exigidos e agora só precisa ser reconhecido oficialmente: somando suas duas melhores tentativas em sentidos opostos e dividindo o resultado por dois, o Koenigsegg Agera S atingiu a velocidade média de 447,2 km/h (277,9 mph). Isso é 16 km/h mais rápido que o Veyron Super Sport, o atual recordista oficial; e 12 km/h mais rápido que os 435 km/h do Hennessey Venom GT, o recordista não-oficial. O hipercarro sueco de 1.360 cv levantou a barra, e muito.

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Só para ficar bem claro: Bugatti Veyron Super Sport, 431 km/h; Hennessey Venom GT, 435 km/h; Koenigsegg Agera RS, 447 km/h. Tem noção do que é isto?

Aparentemente os caras erraram na conversão, pois 277,9 mph é igual a 447,15 km/h. Ou seria modéstia?

O anúncio foi feito pela Koenigsegg em uma publicação no Twitter, feita no dia 4 de novembro às 5:25 da tarde (horário de Brasília), e eles já prometeram que um vídeo oficial será publicado em breve – ontem foi dia de comemorar. Até porque a pista foi fechada por dois dias, e os caras conseguiram quebrar o recorde logo no início do primeiro dia. Enquanto isso eles divulgaram o vídeo bruto do teste, que durou cerca de seis minutos.

O pico de velocidade pode ser visto por volta dos 4:50 do vídeo. Para preservar os pneus, combustível e ter a melhor condição de temperatura do motor, o piloto só acelera pra valer perto dos 290 km/h, o que podemos perceber não só pela razão de aceleração que muda de forma abrupta (note aliás o acelerômetro abaixo do marcador de distância), mas também pelo zunido das turbinas pressurizando.

O trecho não era 100% plano, havia uma leve inclinação que influenciou as medições: na primeira medição, feita em aclive, o Agera RS chegou aos 436,4 km/h. Na segunda medição, em declive, a velocidade foi de 457,9 km/h. Somando tudo, são 894,3 km/h. Dividindo por dois, 447,15 km/h, aferidos pelo datalogger VBox da RaceLogic, que usa dados de GPS para medir a velocidade.

Como se não bastasse, a Koenigsegg quebrou outro recorde no fim de semana – afinal, os caras estavam com tempo livre. E mais: foi seu próprio recorde.

Em outubro passado, na Suécia, em uma pista de pouso feita de concreto e construída durante a Segunda Guerra Mundial, o Koenigsegg Agera RS havia cumprido o 0-400-0 (de zero a 400 km/h, depois de 400 km/h a zero) em 36,44 segundos – 0-400 km/h em em 26,88 segundos, percorrendo 1.958 metros; de 400 km/h a zero em 9,56 segundos, percorrendo 483 metros. No total, a distância percorrida foi de 2.441 metros. Para se ter uma ideia, o Bugatti Chiron fez o mesmo teste em agosto (com ninguém menos que Juan Pablo Montoya ao volante) há alguns meses e marcou 42 segundos.

Não contente, a Koenigsegg aproveitou que estava com tempo (e com a pista) livre em Nevada para fazer um novo teste de 0-400-0. O resultado? O Agera RS cumpriu o teste em 33,29 segundos – 8,67 segundos mais rápido que o Bugatti Chiron e 3,15 segundos mais rápido que seu próprio recorde, que tinha pouco mais de um mês. A diferença se deve não apenas às condições climáticas diferentes nos EUA e na Suécia, mas também ao tipo de superfície: enquanto a pista sueca feita era feita de concreto, a rodovia americana é pavimentada com asfalto betuminoso, que tem coeficiente de atrito maior — tanto adesivo quanto abrasivo.

O que torna um outro fator do teste ainda mais impressionante: segundo a Koenigsegg, o Agera RS usou apenas um jogo dos pneus Michelin Pilot Sport 2 durante todos os testes — algo que surpreendeu os próprios técnicos da Michelin presentes, uma vez que a marca está quebrando a cabeça para desenvolver compostos capazes de suportar o peso e a velocidade máxima teórica do Bugatti Chiron.

Isso, aliás, nos leva às inevitáveis comparações, porém antes de alimentar uma discussão sem sentido sobre seu carro preferido ser melhor que o carro preferido dos outros, é importante salientar alguns pontos nessa guerra: o Koenigsegg Agera RS originalmente tem 1.176 cv produzidos por seu motor 5.0 V8 biturbo, mas o exemplar recordista foi modificado com o powertrain do Agera One:1, que tem 1.360 cv e pode rodar com E85 (15% de gasolina e 85% de etanol). Ou seja: ele é praticamente um modelo “one-off” produzido fora-de-série, enquanto o Bugatti Chiron tem sua produção em maior volume — 100 unidades por ano.

A diferença de peso também influencia a durabilidade dos pneus. Em ambos os casos os pneus precisam lidar com altas temperaturas e um nível elevado de atrito. Porém, ainda que o Regera pese 1.395 kg, mesmo com os 450 kg de downforce declarados pela Koenigsegg, a carga resultante sobre os pneus será de 1.845 kg. O Chiron também produz 450 kg de downforce, porém ele parado é 150 kg mais pesado que o Agera RS gerando downforce máxima. A diferença de peso entre os dois carros em ordem de marcha é de 601 kg. No total os pneus do Chiron precisam suportar uma carga resultante de 2.446 kg (1.996 kg do carro, mais 450 kg de força descendente).

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Segundo a Koenigsegg, estas fictas adesivas foram coladas para proteger os componentes aerodinâmicos dos pedregulhos da estrada

Foi essa leveza um dos fatores que ajudaram a Koenigsegg a quebrar o recorde do Veyron — mesmo com tração apenas na traseira, o Agera RS levou a maior vantagem na aceleração entre 300 km/h e 400 km/h – foi ou menos seis segundos mais rápido — devido ao seu menor momento de inércia. Por ser mais leve, ele inicia o movimento mais facilmente, ainda que tenha menos potência que o Chiron. O inverso também é verdadeiro: por ser mais leve, ele consegue parar mais facilmente.

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John Hennessey já disse que não tem interesse em medir o desempenho do Venom F5 no 0-400-0 – ele diz que tal recorde foi criado pela Bugatti e pela Koenigsegg porque eles simplesmente não conseguem ser mais rápidos que seu supercarro (vale lembrar que todos os três usam pneus Michelin Pilot Sport 2).

É melhor os franceses e americanos se apressarem, porque os suecos não estão brincando em serviço.

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