Edição diária: 16/06/2019
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Lancer Evolution IX Wagon: quando a Mitsubishi decidiu transformar o Evo em uma super perua

Por muito tempo — boa parte dos anos 90 e 2000 — a eterna briga entre Impreza WRX STI e Lancer Evolution foi desigual em uma coisa: o Scooby podia ser comprado como sedã e perua, mas o Evo não. Isso mudou em 2006, quando a Mitsubishi decidiu que os entusiastas mereciam o desempenho do Evo com a praticidade de uma station. O resultado foi o raro e desejado Lancer Evolution IX Wagon, que você vai conhecer agora.

A nona geração do Lancer Evolution foi lançada em março de 2005 e, visualmente, era bem semelhante ao Evo VIII (que, por sua vez, era parecido com o Evo VII). Mas enquanto o exterior era diferente nos detalhes — os acabamentos cromados de faróis e lanternas davam lugar a detalhes pretos e o desenho da grade, dos para-choques e das rodas era novo —, o motor trazia uma grande inovação: o comando variável MIVEC.

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Fãs de carros japoneses costumam chamar o MIVEC de “VTEC da Mitsubishi”, pois sua função é a mesma: a variação do comando de válvulas (veja em detalhes como ele funciona em nosso post explicativo) para melhorar o desempenho do motor em determinada faixa de rotações.

O Lancer Evolution IX tirou proveito do MIVEC para entregar um desempenho muito mais linear. Com ele o 2.0 turbo de 286 cv (números oficiais, pois a potência real deve ficar na faixa dos 315 cv) entrega também 39,9 mkgf de torque logo aos 2.500 rpm, números que o tornam capaz de ir de 0 a 100 km/h em 4,7 segundos e chegar perto dos 240 m/h. Na outra ponta, o sistema de tração integral dá conta de torná-lo um carro extremamente estável e preciso nas curvas.

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Mas a principal novidade desta geração, não era o sistema de comando variável, e sim uma variação de carroceria perfeita para os fãs do Evo que tinham amadurecido e constituído famílias: o Mitsubishi Lancer Evolution IX Wagon, que unia praticidade de uma boa perua com o desempenho explosivo de seu esportivo.

Da dianteira até as colunas B, perua e sedã são idênticos — o que dá um contraste entre a traseira sisuda, quadrada e com lanternas verticais à la Volvo e a dianteira agressiva que, para uma pessoa normal, talvez seja bem esquisito. Mas não para a gente.

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O visual ficava completo com as rodas de 18 polegadas que recobriam os freios Brembo e pelo difusor no para-choque dianteiro. Ainda assim, era um carro bem discreto — e a situação se repete por dentro: na tradição do Evo, o interior não trazia nenhum revestimento ou acabamento chique, mas sim um painel básico que recebe a companhia de bancos Recaro com excelente apoio e um volante Momo de três raios.

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O motor é o mesmo do sedã, bem como os sistemas de suspensão McPherson na dianteira e multilink na traseira. Segundo testes de revistas como a Evo e a Car & Driver, o Evo IX Wagon também tinha desempenho virtualmente idêntico ao do sedã — a mesma velocidade máxima e o 0 a 100 km/h apenas frações de segundo mais lento, mas tinha algumas diferenças importantes. Primeiro, era o único Evo IX com câmbio automático opcional além das transmissões manuais de cinco ou seis marchas.

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Segundo, a perua não tinha o sistema Super AYC — (Super Active Yaw Control, ou “Controle Ativo de Guinada”), que distribuía o torque entre as rodas traseiras na tentativa de reduzir a tendência ao subesterço, presente no sedã.

Teste do canal alemão DMAX com um Evo IX Wagon modificado de cerca de 350 cv

Contudo, o diferencial central ativo e o diferencial dianteiro de deslizamento limitado garantem que, nas mãos certas, a dianteira aponte para as curvas com vontade, enquanto os cerca de 70 kg a mais adeixam a traseira um pouco mais arisca e fácil de provocar, contrabalançando o subesterço e garantindo a diversão em um circuito ou no caminho para a escola (embora a gente não recomende este tipo de coisa). A Evo disse que “esta é provavelmente a perua que mais faz curva no planeta”, e quem quisesse algo ainda melhor poderia optar pelo kit MR, que adicionava rodas mais leves e amortecedores reguláveis Bilstein.

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Acontece que os japoneses parecem sempre querer guardar as coisas mais legais para si mesmos. Talvez a gente já tenha dito isto algumas vezes, mas não é esta a impressão que fica ao saber que nenhuma das 2.500 unidades do Lancer Evolution IX Wagon saiu oficialmente do Japão. Por esta razão, há quem pense que o Evo IX Wagon é uma conversão, e não uma super perua japonesa de fábrica.

E, provavelmente, ela também será a única e última de seu tipo, visto que a Mitsubishi pretende fazer do Evo X o último Evo como o conhecemos. Uma pena.

 

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