Lembra daquele Mercedes-Benz C63 AMG com carroceria de 190E Cosworth? Olha ele aí!

Dalmo Hernandes 14 setembro, 2018 0
Lembra daquele Mercedes-Benz C63 AMG com carroceria de 190E Cosworth? Olha ele aí!

Há duas formas de se fazer um swap: trocar o motor de um carro por outro, realizando um engine swap – algo que, como explicamos neste post, pode ser até mais prático do que preparar o motor original, mas não é exatamente fácil; ou trocar toda a carroceria de um carro por outra, fazendo assim um body swap. Apesar de soar mais como uma operação mais tranquila, por aparentemente não haver partes mecânicas envolvidas, este definitivamente não é o caso. Especialmente se a ideia é manter funcionando todos os recursos daquele modelo na nova carroceria – um body swap de alto nível, não apenas trocando os painéis, mas também adaptando equipamentos como direção assistida, ar-condicionado, trio elétrico e, nos carros mais modernos, até mesmo sistemas eletrônicos.

Você provavelmente lembra de uma certa oficina chamada Piper Motorsport e de seu famoso projeto “Frankenstein”. O nome não é exatamente criativo (você já deve ter visto dezenas de outros carros chamados de “Frankenstein” por aí), mas o carro sim: trata-se de um Mercedes-Benz C63 AMG com a carroceria completa de um Mercedes-Benz 190E, o clássico sedã dos anos 1980 e 1990, customizado como um 190E 2.5-16 Cosworth Evo II, especial de homologação para a versão que competia no DTM– Deutsche Tourenwagen Meisterschaft, o Campeonato Alemão de Carros de Turismo.

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Como seu nome anuncia, originalmente o 190E 2.5-16 Cosworth lançado em 1989 usava um quatro-cilindros de 2,5 litros com cabeçote de 16 válvulas e preparação Cosworth, enquanto o modelo Evo II adicionava um body kit com alargadores nos para-lamas para acomodar bitolas maiores e uma enorme asa traseira. A potência do motor 2.5 era de 235 cv, suficiente para levar o carro de zero a 100 km/h na casa dos sete segundos, com máxima de 250 km/h.

Era um belo sedã esportivo para a época, mas o tempo passa – como deixa bem claro o Mercedes-Benz C63 AMG W204. Mesmo a versão inicial, lançada em 2008, já era um monstro com seu V8 de 6,2 litros aspirado de 457 cv a 6.800 rpm e 61,2 mkgf de torque a 5.000 rpm (no cupê Black Series são 517 cv) acoplado a uma caixa automática de sete marchas – conjunto capaz de levá-lo de zero a 100 km/h em 4,5 segundos, com máxima de 267 km/h caso se remova o limitador eletrônico.

O que a Piper Motorsport está fazendo desde 2013 é juntar o melhor de dois mundos: o visual do 190E Cossie com o desempenho do C63 AMG.

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Nós falamos a respeito do Frankenstein Mercedes-Benz Project já há mais de três anos, no início de setembro de 2015, mas decidimos resgatá-lo agora simplesmente porque o carro está quase pronto. A demora tem um motivo: o carro é um projeto especial, feito no tempo livre do pessoal da oficina, sem pressa, e envolve a adaptação e fabricação de diversos componentes do zero. Atualmente, porém, o carro já está com carroceria instalada e pintada, apenas com alguns acabamentos do interior a completar. Não falta muito! Nada mais justo que recapitular o projeto, então.

Tudo começou em outubro de 2013, com os dois carros chegando à oficina. O primeiro passo foi a remoção da carroceria do C63 AMG, deixando o monobloco e todos os componentes mecânicos à mostra. Então, foi preciso encurtar o entre-eixos do carro para que a carroceria do 190E coubesse sem maiores adaptações.

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Foi preciso retirar pelo menos 10 cm do entre-eixos, visto que no C63 AMG 2,76 metros e no 190E, 2,66 metros – sem contar as adaptações milimétricas que foram feitas para garantir que o encaixe de todas as peças fosse absolutamente perfeito, e adicionaram um bom tempo de feitura ao processo. A carroceria foi removida inteira do 190E e encaixada, primeiro provisoriamente, ao monobloco do C63.

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Verificando que tudo se encaixava, os caras deram início à instalação definitiva da carroceria, que também levou vários meses e envolveu a fabricação de diversos componentes sob medida em diferentes partes do carro. Por exemplo, um reservatório feito sob medida para o fluido de freio, pois o original não deixava que o capô fechasse. O capô também precisou de um novo suporte no bico do carro, para acomodar o motor V8, e a peça inclui até mesmo entradas de ar para o coletor de admissão.

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Também precisaram ser fabricados sob medida suportes para os pedais, alojamentos dos faróis e lanternas, dobradiças para a tampa do porta-malas e o capô.

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Os alargadores de para-lama característicos do 2.5-16 Cosworth serviriam para cobrir a diferença entre as bitolas (1,61 m contra 1,48 m), e todas as medidas foram cuidadosamente ajustadas para acomodar perfeitamente o 190E sobre o C63 AMG sem alterar as proporções do original.

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O resultado é de uma fidelidade notável, embora ao observar com atenção seu cérebro comece a te dizer que “algo errado não está certo”. Ou talvez seja porque a gente saiba do que se trata o carro na verdade…

O interior do C63 AMG foi mantido por questão de praticidade – as dimensões do painel de instrumentos dos dois carros é totalmente diferente, e a instalação exigiria uma nova rodada de adaptações.

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Ao menos a geração W204 do Classe C ainda tinha um visual bastante sóbrio e monocromático, o que ajuda a compensar as formas mais arredondadas – destoa um pouco do restante do carro, mas nada imperdoável. Os bancos dianteiros Recaro foram instalados sobre suportes de Porsche adaptados, e foi preciso refazer a parte do monobloco onde se encaixa o banco traseiro. Os revestimentos de porta do 190E foram mantidos e modificados para acomodar os controles elétricos do C63. A Piper Motorsport também fabricou um console central sob medida para os comandos do AMG, mantendo toda a funcionalidade.

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A suspensão teve a geometria refeita para ajustar a postura do carro com a nova carroceria, com pontos de fixação deslocados e amortecedores ajustáveis do tipo coilover para facilitar o fitment das rodas. Mas o layout não foi alterado, permanecendo o conjunto McPherson na dianteira e o eixo multilink na traseira – uma das vantagens de usar o monobloco completo do C63 AMG. Os freios com discos ventilados e perfurados nas quatro rodas, com pinças de seis pistões na dianteira, foram mantidos.

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Quando falamos do Frankenstein Mercedes-Benz pela última vez o carro estava passando por ajustes na instalação das portas e estava com o interior provisoriamente montado. A mecânica, porém, já estava em ordem e o carro estava funcional.

Desde então a carroceria já foi montada por completo e pintada. As rodas HRE que seriam usadas originalmente foram trocadas por um jogo de Fifteen52 feitas sob medida, com visual inspirado nas OZ Racing usadas pelo 190E Cosworth na DTM.

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A mais recentes atualizações da Piper Motorsport, feitas nas últimas semanas, mostram passos importantes: o suporte na parte traseira do assoalho para o radiador de óleo, com direito a uma ventoinha à mostra; o sistema de escape finalizado, em um arranjo 4×2; e o resultado da pintura na cor preta com efeito perolizado, quase chumbo, que é a mais icônica oferecida no 190E 2.5-16 Cosworth Evo.

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Ainda falta revelar fotos do interior e também do carro andando depois de montado. Mas, como pelo visto o Frankenbenz passa pelos ajustes finais, não vai demorar para que ele seja revelado de forma oficial. Estamos aguardando ansiosos, pois será o desfecho de um dos project cars mais notórios desta década. E o resultado, depois de cinco anos de trabalho, não poderá ser menos que espetacular.