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Lembra do ônibus flutuante chinês que passa por cima dos carros? Então… era uma farsa

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De vez  em quando surgem um produto ou ideia aparentemente revolucionário, capaz de mudar para melhor a vida das pessoas através de um plano que quase parece perfeito demais para ser verdade. É este o caso do TEB, ou Transit Elevated Bus — uma espécie de ônibus flutuante que promete acabar com o problema do trânsito nas grandes cidades ao passar por cima dos carros nas ruas. Só tem um probleminha: ao que tudo indica, o TEB é fake e faz parte de um esquema para atrair investidores e ganhar dinheiro.

Vaporware é o nome que se dá a este tipo de conceito, especialmente quando se trata de um produto que poderia até ter reais aplicações… caso fosse algo viável de ser feito. E, bem, de acordo com as autoridades chinesas, o TEB não é.

Como dissemos há alguns dias, o TEB foi idealizado em 2010, por uma companhia chamada Shenzen Hashi Future Parking Equipment Company, como um meio de transporte alternativo para reduzir os congestionamentos dos grandes centros. Desde então, algumas simulações computadorizadas e maquetes foram feitas para demonstração na China, até que no início deste mês foi realizado o primeiro teste com um protótipo funcional, em tamanho real.

O teste foi amplamente divulgado pela mídia — primeiro, em sites de notícias chineses e, depois, no mundo todo. E foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas.

A empresa criada para construir o protótipo, a TEBtech (ou Jinchuang Corp, dependendo da fonte consultada), realizou testes com uma versão reduzida do veículo. De acordo com eles, a versão final teria capacidade para levar algo entre 1.200 e 1.400 pessoas, enquanto o protótipo de 22 metros de comprimento leva 300 pessoas. O teste foi realizado na cidade de Qinhuangdao, no nordeste da China, em um percurso de 300 metros.

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Logo de cara, alguns veículos de mídia chineses começaram a questionar a legitimidade do teste, afinal, como avaliar a funcionalidade do TEB em um trajeto tão curto? Além disso, diversas outras questões foram levantadas acerca da segurança daquilo que, na prática, é um túnel em movimento — e se o ônibus for para um lado e um motorista desatento quiser ir para o outro? E se acontecer um acidente embaixo dele? Como as pessoas seriam evacuadas?

Sendo assim, não fomos os únicos a olhar para o TEB com certa descrença. Agora, os sites de notícias estatais chineses afirmam que o veículo não passa de um esquema ilegal para atrair investidores e lucrar com isso.

De acordo com o site People’s Daily, há diversos problemas com o projeto. A começar pelo óbvio: o TEB não se trata de um ônibus, e sim de um trem elétrico — afinal, ele corre sobre trilhos e é movido a eletricidade ou energia solar.

Segundo: de acordo com o site, as autoridades da cidade de Qinhuangdao sequer tomaram conhecimento do teste feito com o veículo. Isto levou a companhia por trás do TEB a dizer que aquilo foi um “teste interno”, que há “partes do veículo que ainda precisam ser construídas”.

De qualquer forma, um teste no mundo real como planejado também seria um tanto inviável. Ainda de acordo com o People’s, o limite de altura na maioria das ruas e estradas chinesas é de 4,5 metros e, nas autoestradas, de 4,2 metros. Eles dizem que a altura do TEB finalizado deverá ser de 4,8 metros, o que já dificultaria muito as coisas.

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Uma picape média já não passaria por ali

Além disso, o espaço debaixo do compartimento de passageiros só acomoda veículos que tenham, no  máximo, dois metros de altura — bem menor do que o limite de altura para veículos pequenos na China. Seria praticamente impossível colocá-lo em uma rua de verdade. E tem mais: com os cerca de 1.200 passageiros que o TEB é capaz de levar, seu peso adicional ficaria acima das 100 toneladas — mais do que a esmagadora maioria das vias rápidas chinesas seria capaz de suportar.

Acha que acabou? Não: além de tudo isto, os sites chineses Global TimesSina relatam que o TEB não passa de um esquema de peer-to-peer lending, também chamado de P2P, sistema que permite que investidores particulares invistam em empresas sem a intermediação de uma instituição financeira. O sistema de investimento vem crescendo bastante em países em desenvolvimento, mas já está perto de ser banido na China justamente pelo alto índice de esquemas fraudulentos — que, de acordo com tais sites, seria o caso do TEB.

Além do governo de Qinhuangdao, instituições como a Universidade de Xangai também negaram qualquer envolvimento com o TEB — ao contrário do que diz a companhia responsável pelo projeto. A TEBtech diz que um teste “de verdade” será feito em 2017 mas, ao que tudo indica, é melhor a gente puxar uma cadeira enquanto espera. Ou esquecer o assunto de vez.

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