Lembra dos acessórios automotivos dos anos 1990?

Leonardo Contesini 10 janeiro, 2018 0
Lembra dos acessórios automotivos dos anos 1990?

Os anos 1960, 1970 e 1980 no Brasil mostraram que a invenção é uma filha da necessidade com a criatividade. Em tempos de mercado fechado às importações, quem quisesse algo mais exclusivo sobre rodas, precisava recorrer ao mercado de personalizações ou carros fora-de-série. Esse cenário mudou rapidamente após a abertura das importações em 1990. De repente, os caríssimos fora-de-série começaram a concorrer com marcas estrangeiras e consagradas mundialmente. As personalizações que deixavam nossos carros mais parecidos com os importados já não eram mais necessárias, afinal, você agora podia comprar um importado original.

Isso se tornou particularmente mais verdadeiro a partir de 1994, quando o Real entrou em cena e forjou uma cotação favorável às importações, que abarrotaram nossas ruas de modelos importados. Quem precisa personalizar um Monza se agora é possível comprar um Civic, um Corolla, um Saturn, um Subaru, um Dodge, um Citroën ou um Peugeot? Por isso, o mercado de acessórios automotivos mudou radicalmente naqueles primeiros anos dos noventas. O foco principal da personalização passaram a ser as rodas de liga leve e, em segundo plano, os sistemas de som automotivo.

Há cerca de dois anos vimos como era o tuning de antigamente, relembrando os acessórios dos anos 1970 e 1980. Agora chegou a hora de darmos uma boa olhada nos acessórios dos anos 1990 — afinal, eles terminaram há quase 20 anos. Passou rápido, não?

Começando pelas rodas, as marcas brasileiras conseguiram se manter em alta durante os anos 1990. Binno, Mangels, Scorro e Rodão eram as principais marcas. Como nas décadas anteriores, o catálogo mesclava criações próprias com modelos inspirados em designs consagrados internacionalmente ou até mesmo modelos originais de fabricantes. É o caso da Flash F.60, que é a cara das rodas que a AC Schnitzer produz para os BMW…

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… da Flash F.70, que lembra muito as rodas do M3 E36:

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A mescla de modelos autorais com clones dos estrangeiros fica muito clara no catálogo da Binno do final dos anos 1990. A marca tinha uma linha inspirada nas rodas do Porsche 993 e outra inspirada nos modelos Audi da época:

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Vaska, Girus Racing e até mesmo a Scorro, que criou algumas rodas icônicas nacionais, repetiam o tema:

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Nas prateleiras ao lado, Mangels e Rodão apostavam em algo mais original:

IMG_0067Sim, a foto do Porsche na propaganda da Rodão é a mesma usada pela Binno mais acima. A Rodão aliás, foi uma das poucas a oferecer acessórios de personalização. O gosto era discutível, mas eles até que eram relativamente comuns nas ruas:

Havia também a Car Win, que oferecia acessórios para picapes e utilitários. Aqui vemos duas peças publicitárias com acessórios para Blazer e S10, mas a Ranger e, mais tarde, a Dakota, também estavam no catálogo:

Na metade dos anos 1990 começaram a chegar as primeiras rodas importadas, BBS, OZ e as desejadas Momo:

IMG_0099Momo Ferrari II, Status e Arrow: se você curtia carros nos anos 1990 é impossível não ter sonhado (ou comprado) ao menos uma destas.

Mas o que marcou mesmo os anos 1990 foi o som automotivo. CD players mais acessíveis, alto-falantes de nível internacional, amplificadores de altíssima qualidade, toca-fitas capazes de pular as faixas identificando o intervalo entre as músicas, antenas digitais, Mini Discs e disqueteiras eram objetos de desejo mesmo àqueles que só queriam uma trilha sonora para suas viagens, sem grandes pretensões audiófilas.

Como aconteceu com as rodas, em um primeiro momento as marcas nacionais ganharam destaque, como FIC, Tojo, Selenium e Bravox:

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A Bosch, que produziu os lendários Los Angeles, Rio de Janeiro e San Francisco, mudou rapidamente sua linha passando a oferecer os modelos Blaupunkt:

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Mas não demorou para que as grandes marcas internacionais chegassem. A Pioneer desembarcou com uma linha absurdamente extensa de rádios, alto-falantes, módulos de potência e acessórios:

E veio seguida por marcas praticamente inéditas no Brasil, como Kenwood (que já vendia aparelhos domésticos nos anos 1970 por aqui), Clarion, Alpine, Rockford Fosgate…

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… e até marcas para entusiastas, como a Soundstream, famosa por seus módulos Tarantula e pelo impressionante Da Vinci, folheado a ouro e com terminais banhados a ouro para melhor condutividade:

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Lembra de outros acessórios e equipamentos da época? Não deixe de compartilhar com a gente nos comentários!

Agradecemos ao Rafael Bogossian pelo acervo de revistas antigas