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Cinema

Mad Max: Fury Road: por dentro dos carros do futuro pós-apocalíptico do filme

Até hoje (14) Mad Max era, para todos os efeitos, uma trilogia. O filme de ação australiano que retratava a vida de um policial renegado que busca vingança pela morte de sua família em um futuro distópico, foi um dos filmes mais rentáveis de 1979 e deu origem a duas sequências controversas — “Mad Max 2” (The Road Warrior, 1981) e “Mad Max, Além da Cúpula do Trovão” (Mad Max Beyond Thunderdome, 1985). Agora, a franquia ganha um quarto filme: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Mad Max: Fury Road), o quarto filme.

Na verdade costumam dizer que o segundo filme é razoável e o terceiro, um tanto constrangedor. O fato, porém, é que os três se tornaram cults e o universo pós-apocalíptico de Mad Max conquistou milhões de fãs pelo mundo todo. Aliás, milhares deles se reúnem todos os anos em um deserto na Califórnia para viverem como os rebeldes do apocalipse australiano por um fim de semana inteiro. É o Wasteland Weekend.

Por isso em 2009, quando tornou-se pública a informação de que um quarto filme finalmente sairia do papel, a comoção foi grande. Não era para menos: o criador de Mad Max e diretor do primeiro filme George Miller já dizia desde 1998 que queria fazer um quarto filme, mas em 2003, quando as filmagens estavam para começar, o projeto foi colocado na geladeira.

Tudo parecia perdido quando Mel Gibson deixou claro que havia perdido o interesse em viver Max Rochatansky em outra produção, mas em 2006 Miller declarou que faria um novo Mad Max com ou sem Gibson. Nasceu ali Fury Road — e, diferentemente de outras trilogias que ganharam mais filmes depois de vários anos, como “O Exeterminador do Futuro” ou “Guerra nas Estrelas” (nos referimos à trilogia moderna, não aos futuros três filmes), Fury Road parece estar no caminho certo.

Em grande parte, porque boa parte da equipe do filme original, incluindo o diretor, está envolvida. Eles sabiam o que estavam fazendo, e o resultado foi um belo filme de ação, com toda a violência pós-apocalíptica, todo o barulho, toda a brutalidade e tods o visual pós-apocalíptico que você poderia querer. Ou menos é o que a crítica, que assistiu ao filme na pré-estreia no último dia 7 de maio, vem falando.

De qualquer forma, não é difícil acreditar nisso — é só dar uma olhada nos trailers para notar que o visual impressiona. E não é preciso prestar muita atenção para descobrir um dos maiores motivos: são os carros.

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A franquia Mad Max é uma série de filmes de ação, mas nós entusiastas temos todo a razão de estar empolgados. Se você assistiu, é claro que sabe que é o V8 Interceptor, um Ford Falcon XB GT 1973 todo modificado para patrulhar no deserto que Max ganha da MFP (Main Force Patrol) antes de abandonar a corporação. Nós já contamos a história dele aqui — sobre como ele tinha um motor V8 Ford 351 que era realmente preparado para render mais de 600 cv (ainda que o blower fosse cenográfico), como ele foi reutilizado em “Mad Max 2”, ganhou um clone para ser destruído e ficou guardado como relíquia até hoje.

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Ainda que agora Max Rochatansky seja interpretado por Tom Hardy e que o V8 Interceptor tenha sido destruído no segundo filme, ele está de volta em Fury Road porque Miller colocou, cronologicamente, o quarto filme entre o primeiro e o segundo. De acordo com Colin Gibson, responsável pelos carros do filme, “todos os veículos são meio que híbridos, construídos usando peças de carros quebrados no passado”. O novo Interceptor está incluído nessa, e seu visual está mais malvado do que nunca no quarto filme: os faróis são cobertos por telas de metal, a suspensão é elevada e, em certo ponto, a cor negra dá lugar a um cinza metálico enquanto a traseira ganha uma metralhadora.

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Acontece que o Interceptor é só o começo. O trabalho de Gibson é diferenciado porque ele fez questão de filmar “à moda antiga” — em vez de bonecos e efeitos especiais computadorizados (o que seria plenamente plausível em 2015), o produtor preferiu usar carros de verdade e dublês de verdade, construindo nada menos que 150 veículos funcionais. Cento e cinquenta!

Cada veículo é único e recebeu atenção individual, mas alguns se destacam — além do Interceptor, claro. O carro do vilão King Immortan Joe, por exemplo — na verdade, dizer que é um carro é ser discreto demais: o Gigahorse, que foi feito usando duas carrocerias de Cadillac Coupe de Ville 1959, uma sobre a outra, movida por dois motores V8 ligados ao mesmo eixo (provavelmente dois small block Chevrolet). “Neste filme, os veículos são quase extensões dos personagens. E, como Mad Max é um filme sobre rodas, o Gigahorse é como um trono. Ele tem que ser o maior de todos”.

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O “War Rig” é um caminhão Tatra com um dois motores V8 supercharged e tração em seis rodas. Na parte traseira da cabine há a carroceria de um Chevrolet Fleetmaster dos anos 40, enquanto que os restos mortais de um Fusca são soldados ao cilindro do tanque. É quase uma fortaleza sobre rodas e, de acordo com o diretor George Miller, “é o personagem mais importante do filme depois dos humanos” — mesmo que, entre os humanos, tenhamos Charlize Theron no papel de Imperator Furiosa, o braço direito de Immortan Joe. Ironicamente, Furiosa só tem o braço direito.

Outros carros impressionantes são o Peacemaker — que, na verdade, é a carroceria de um Plymouth Valiant da década de 70 montada sobre um Ripsaw, uma espécie de tanque superleve que roda sobre lagartas e pode ser autônomo ou conduzido por um piloto, e o Plymouth Rock, que usa um chassi Plymouth dos anos 30 coberto de espinhos metálicos.

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Que tal o Buggy #9, feito usando como base o Perentti, clone australiano do Corvette feito nos anos 70 sobre a plataforma de uma Ute da Holden; ou o FDK, que é basicamente um fusca sem capô, para-lamas ou portas que tem um V8 na dianteira?

Agora, poucos são tão absurdamente incríveis quanto o Doofwagon. Apesar do nome bobo, a ideia é animal: um caminhão MAN equipado com um V8 supercharged, dezenas de alto falantes, um grupo de percussionistas de Taiko para ditar o ritmo do exército de rebeldes durante os conflitos e um cara que toca guitarra — exceto que a guitarra também é um lança-chamas. É uma espécie de pancadão from hell.

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De acordo com Gibson, ao todo são 88 veículos diferentes, totalmente funcionais — os outros 62 são clones, usados nas cenas mais arriscadas. No mais, todos os que já viram o filme dizem que as cenas são frenéticas, empolgantes de se assistir e, o mais importante, autênticas. Não se tratam de manobras impossíveis feitas usando CG, mas de manobras impossíveis… tornadas possíveis no deserto australiano.

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Fury Road já vem sendo chamado de “a obra prima da carreira de George Miller”, o que é ainda mais impressionante ao lembrarmos que se trata do reboot de um clássico. Com todos estes veículos animais e esta bela recepção, só pensamos uma coisa: precisamos assistir a este filme. E rápido.

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