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Magia Negra: os 10 anos da Black Series da Mercedes-AMG

Para nós, não tem discussão: os modelos Black Series da Mercedes-AMG são os verdadeiros muscle cars alemães: brutos, violentos, barulhentos, agressivos e rápidos. E, veja só, em 2016 eles completam dez anos!

A receita dos Black Series é simples: pegar um carro que já é bem rápido e deixá-lo ainda mais rápido e, no processo, alargar pneus, bitolas e para-lamas; melhorar a suspensão e, por fim, caprichar no ronco do motor. Honestamente, não tem como isto ser ruim.

Então vem com a gente e vamos celebrar os AMG Black Series como eles merecem. Quer uma dica? Coloque fones de ouvido. E aumente o volume!

 

SLK55 AMG Black Series

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Primeiro modelo da série especial pelo AMG Performance Studio, o SLK55 AMG Black Series já chegou metendo o pé na porta: se o V8 de 5,5 litros do SLK55 AMG já entregava 360 cv e 52 mkgf de torque, a versão Black Series tinha 400 cv e 53 mkgf de torque. O segredo era relativamente simples (ou ao menos é o que a AMG quer que a gente pense): coletor de escape modificado, comandos de graduação diferente, novo filtro de ar e um sistema de escape desenvolvido pela AMG exclusivamente para o modelo.

A transmissão automática 7G-Tronic, com trocas manuais por aletas atrás do volante, foi escolhida pro sua robustez e é capaz de levar o SLK55 AMG Black Series até os 100 km/h em 4,5 segundos, com velocidade máxima limitada em 280 km/h, sendo que os 200 km/h são atingidos em 15,5 segundos.

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O carro ainda recebeu suspensão com amortecedores ajustáveis, rodas forjadas de 19 polegadas (com tala 9,5 na traseira), freios com discos de carbono-cerâmica com 360 mm de diâmetro na dianteira e, como opcional, diferencial traseiro de deslizamento limitado.

Por fora, os para-lamas alargados (sendo que os dianteiros eram de fibra de carbono) conferiam agressividade extra ao visual. E não se engane: o SLK55 AMG Black Series não é conversível, tendo recebido um teto fixo de fibra de carbono – modificação que ajudou a enxugar 45 kg do peso final do veículo, que tem 1.495 kg na balança. Por dentro, as modificações se limitaram a bancos concha fixos e revestimento de fibra de carbono nas portas – um racecar com classe. E sabe quantos foram feitos? Apenas 120 deles entre julho de 2006 e abril de 2007.

 

CLK63 AMG Black Series

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Foto: Flickr/chazzz15

Com a boa recepção dos entusiastas ao primeiro modelo, não demorou para que a AMG preparasse seu segundo Black Series, que foi apresentado em 2007. O CLK63 AMG Black Series trazia uma versão ainda mais apimentada do motor V8 M156, de 6,2 litros e 481 cv, que equipava a versão “comum”.

Com coletor de admissão de magnésio com duas válvulas internas, sistema de escape de melhor fluxo e um novo módulo eletrônico, o motor passou a entregar 507 cv a 7.200 rpm e 64,2 mkgf de torque a 5.250 rpm. O câmbio continua sendo automático de sete marchas, e o desempenho é ainda mais impressionante: quatro segundos cravados para chegar aos 100 km/h, 8,8 segundos para chegar aos 160 km/h e máxima de 300 km/h.

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Foto: Flickr/IanStrachan

Novamente as rodas eram forjadas e de 19 polegadas, e os freios também tinham discos de 360 mm na traseira. Da mesma forma, suspensão ajustável e componentes para reforçar a estrutura foram instalados, além de um eixo traseiro mais largo – aqueles para-lamas obscenos são uma necessidade, e não apenas puro charme. O interior perdeu o banco traseiro e também ganhou bancos dianteiros do tipo concha e fibra de carbono nas portas. Fizeram 700 exemplares entre abril de 2007 e março de 2008.

Uma curiosidade: apesar do nome, o motor não desloca 6,3 litros, e sim 6,2 litros – mais precisamente, 6.208 cm³. O “63” vem do Mercedes-Benz 300SEL 6.3 que a AMG colocou nas pistas nos anos 1970. Que, na verdade, tinha um V8 de 6,8 litros…

 

SL65 AMG Black Series

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O SL65 AMG Black Series é especial por pelo menos duas razões: é o único Black Series com motor V12, e também é o membro mais potente da família. O motor de sobrealimentado recebeu um novo par de turbocompressores, 12% maiores, além de modificações nos coletores de admissão e sistema de escape. Com isto, a potência saltou de 612 cv entre 4.800 e 5.100 rpm para 670 cv a 5.400 rpm. O torque continuou em 101,9 mkgf porque, honestamente, precisa mais?

Com uma caixa automática de cinco marchas, o SL65 AMG Black Series é capaz de chegar aos 100 km/h em 3,9 segundos, com máxima limitada em 320 km/h. Veja bem, limitada.

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A carroceria mais larga, praxe entre os Black Series, utilizou componentes de fibra de carbono e perdeu o teto conversível, ajudando a reduzir o peso do carro em 250 kg. As rodas são de 19×9,5” na dianteira e 20×11,5” (!!) na traseira, com discos de freio de 390 mm e 360 mm, respectivamente.

Entre setembro de 2008 e agosto de 2009, foram fabricadas 350 unidades. Quanto a disparidade entre o nome do SL65 AMG Black Series e o deslocamento do motor, pensa com a gente: não seria estranho se ele se chamasse SL60?

 

C63 AMG Black Series

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Este aqui você já conhece muito bem, especialmente depois da homenagem que fizemos. Lançado em 2011, o mais radical dos Classe C trouxe o mais potente V8 naturalmente aspirado da história da Mercedes-Benz: 517 cv a 6.800 rpm e 63,2 mkgf de torque a 5.000 rpm. Apesar de seus 1.710 kg, o C63 AMG Black Series é capaz de chegar aos 100 km/h em 4,2 segundos, e a velocidade máxima é limitada em 300 km/h. A transmissão automática de sete marchas dá conta do recado.

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O resto da receita foi seguido à risca: kit widebody para acomodar as bitolas e pneus mais largos, freios maiores e suspensão ajustável e diferencial traseiro autoblocante.

Foram fabricadas 800 unidades do C63 AMG Black Series entre 2011 e 2015. O plano era fazer 650 deles, mas a demanda foi alta demais. Também, com esse ronco!

 

SLS AMG Black Series

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O C63 AMG Black Series foi o último a sair de linha, mas não foi o último a ser lançado. Em 2013, como se o supercarro SLS AMG já não andasse o bastante, a AMG ainda decidiu que ele precisava de uma versão Black Series. E ninguém teve coragem de discordar.

Partindo do V8 naturalmente aspirado de 6,2 litros do SLS AMG, os caras do Performance Studio aumentaram o limite de giro de 7.200 para 8.000 rpm e deram a ele um novo coletor de admissão, comandos de válvulas retrabalhados e componentes reforçados (além, é claro, de outros ajustes não revelados). Assim, a potência saltou de 571 cv para 631 cv. Curiosamente, o torque baixou de 66,2 mkgf para 64,7 mkgf. De qualquer forma, o SLS AMG Black Series é um míssil: leva 3,6 segundos para chegar aos 100 km/h, com velocidade máxima de 315 km/h.

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Usando componentes de fibra de carbono, como capô e elementos aerodinâmicos, o SLS AMG Black Series também ficou cerca de 70 kg mais leve do que a versão normal – são 1.550 kg, o que não é mau para um carro com seu porte. Apenas 150 exemplares foram fabricados em 2013.

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