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Máquina do tempo: veja a história do DeLorean DMC-12 neste minidocumentário imperdível

Quando alguém tem sorte o bastante para passar algum tempo ao volante de um DeLorean, ao descrever a experiência suas palavras costumam seguir a linha do “nunca encontre seus heróis”. Ora, depois de quase 25 anos, não é segredo para mais ninguém que o DeLorean (todo mundo chama ele assim) é muito mais descolado e icônico do que rápido ou confiável. Isto não nos impede, contudo, de ser fascinados com cada aspecto dele, de seu design a sua história — que toma outra dimensão neste belo vídeo do canal XCAR.

Trata-se de um minidocumentário que dá uma dimensão totalmente diferente à história do carro que nasceu com pretensões enormes para se tornar um fracasso comercial e de crítica, para ser trazido de volta à tona pouco depois por um dos filmes mais cultuados não só entre os entusiastas de automóveis, mas entre todas as pessoas do mundo: a trilogia “De Volta para o Futuro”, claro — com direito à participação mais do que especial do carro que pertence ao atual dono da DeLorean que, sim, ainda fabrica, restaura e vende o DMC-12!

Foram feitos cerca de oito mil exemplares do DeLorean entre 1981 e 1983. Seu criador, o engenheiro John Zachary Delorean, começou sua carreira na General Motors, onde teve uma ideia pela qual recebe créditos bem menos frequentes do que pela invenção de um “carro do futuro” fracassado: o Pontiac GTO, amplamente considerado o primeiro muscle car da história.

É que as pessoas preferem lembrar a parte ruim das coisas — e, no caso do DeLorean, preferem lembrar que ele tinha um motor V6 PRV (Peugeot-Renault-Volvo) que, com 2,6 litros e parcos 130 cv, ficava muito aquém do desempenho que o visual e o perfil da carroceria em forma de cunha, projetada por Giorgetto Giugiaro, sugeria. Ao menos a carroceria de aço inox era imune à corrosão, as portas abriam para cima e o carro era um dos mais seguros de seu tempo (este era um dos objetivos principais de John DeLorean com o carro).

Também lembram que John DeLorean acabou se perdendo em dívidas — a fábrica começou a operar com um prejuízo de mais de US$ 18 milhões — dívida que só cresceu à medida em que eram produzidos cada vez mais carros que nunca encontravam donos. Sem falar nos problemas de construção decorrentes dos prazos sempre apertados, que nunca deixaram de assombrar o DeLorean ao longo de toda a sua curta vida. O golpe de misericórdia veio com uma acusação — John DeLorean estaria envolvido com tráfico de cocaína.

Por sorte, um diretor de cinema apareceu para ajudar a imortalizar o DeLorean — Robert Zemeckis que, em 1985, decidiu que aquele esportivo descontinuado havia dois anos seria o carro perfeito para se tornar a máquina do tempo mais famosa do mundo. Por causa dos três filmes, muito mais gente conhece o DeLorean como a invenção de Doc Brown que altera o espaço-tempo sempre que chega aos 88 mph (140 km/h), e não como um esportivo fracassado que destruiu o sonho de um homem.

O culto é tão grande que, como já mencionamos, a DeLorean ainda existe, mantendo, restaurando e vendendo DMC-12 usados usando ferramental, componentes e diagramas originais. Em 2011 eles também lançaram uma versão elétrica do DeLorean para ser produzida sob encomenda.

Ver a história sendo narrada com imagens da época e tomadas in loco, com um DeLorean de verdade, dá uma percepção muito maior da sequência de acontecimentos ruins — e nos faz, de fato, querer voltar no tempo para descobrir um jeito de fazer o DMC-12 dar certo. Ou, ao menos, convencer John DeLorean a colocar um motor mais potente nele — algo capaz de fazê-lo acelerar até os 100 km/h bem antes dos 9,5 segundos e, quem sabe, passar dos 200 km/h.

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Um carro com um visual desses e uma história tão marcante (que você pode ler na íntegra aqui!) merecia um desempenho à altura. Como ele não tem, vamos ficar na nostalgia…

Já que ele não tem, vamos curtir a nostalgia.

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