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Project Cars Project Cars #379

“Marlboro Café Racer”: o começo da transformação do Project Bikes #379

Fala, pessoal!  Dando continuidade à terceira parte desse projeto, e mais uma vez agradecendo a receptividade de todos os leitores, que contribuem com informações e fatos nos comentários. Muito obrigado! Bora pra história que hoje o texto é mais longo!

Como disse no final da parte dois, após alguns atrasos na entrega da oficina e as primeiras peças custom instaladas, aproveitei pra rodar com ela um pouco até me acostumar com a moto e amadurecer de fato como seriam os detalhes do projeto que eu bolava na minha mente, pesquisando nos blogs, fóruns e paginas do Facebook buscando informações em como proceder.

Mas, como felicidade de gearhead não dura muito sem precisar de alguma manutenção, lá veio outro problema pouco mais de um mês depois rodando com a CG.

Desde que havia comprado ela, eu estava rodando sem ainda ter abastecido, e como também havia tirado o painel original e trocado só por um velocímetro universal, sem marcador de combustível, a maneira pra calcular a quantidade de gasolina restante tinha que ser no sistema ótico (leia-se aqui zoiômetro, com dizemos no interior). Num começo de noite, fui buscar um lanche pra mim e pra patroa numa lanchonete, na volta aproveitei pra passar no posto de gasolina e mandei completar o tanque.

Não consegui suportar a felicidade em ver que com menos de 40 Temers, o tanque já estava cheio. Montei na motoca feliz da vida e rumei pra casa. Chegando ao meu destino, começo sentir um cheiro de gasolina muito forte, e ao parar e descer sinto minha calça molhada. No momento pensei que tivesse voltado a ser criança, mas notei que a moto estava toda respingada e as carenagens laterais com a tinta escorrendo por causa do combustível que vazava.

Comecei procurar de onde estaria vindo o vazamento e notei que no espaço onde se encontravam o tanque e o banco da moto, havia um adesivo plástico preto, que estava solto com por causa da gasolina. Com certeza o antigo dono, quando teve o mesmo problema, colocou o adesivo ali na tentativa de tampar algum furo no tanque e andava com combustível pela metade ou menos da capacidade para que não vazasse. Quando vendeu a moto, a oficina com certeza não se atentou a esse problema e eu fui o sortudo quem descobriu isso da pior maneira. Como já era mais de 20h, guardei a moto vazando o precioso líquido na garagem pra levar na oficina novamente pela manhã.

No outro dia, quando vou pegar a moto, havia uma poça enorme de combustível espalhado pela garagem e fiquei morrendo de raiva por causa daquela gasolina toda desperdiçada. Nem preciso dizer que a patroa ficou uma arara por causa do cheiro forte de combustível que infestou a casa por dias. Evitei dar partida na moto e fui empurrando pelos dois quarteirões até a oficina onde comprei, com medo do calor do motor ou do escape incendiar o combustível que tinha vazado e se espalhado pela moto toda e a merda ser maior ainda. Deixei com o mecânico explicando o acontecido e combinei de passar no final do dia pra saber a dimensão do problema.

Saindo do serviço, na oficina e o responsável me informa que não havia um furo, mas sim dois bem pequenos na base do tanque causados por ferrugem, bem onde havia o tal adesivo, e que seria necessário soldar pra resolver o problema. O tempo pro conserto seria de uma semana. Assim, lá vou eu igual cachorro sem osso pra casa triste por ficar mais uma semana inteira sem a motoca.

O curioso disso é que, por mais que fazia pouco tempo que eu tinha comprado a moto, e ela não estava nas melhores condições de estética, eu já movia um sentimento enorme por ela. Como trabalho num escritório de contabilidade, toda oportunidade que eu tinha de sair pra visitar um cliente pra levar algum documento ou ir ao banco pra pagar uma conta, era motivo pra andar de moto e assim passei a fazer os meus dias um pouco mais felizes. Aos finais de semana, pelo menos nas sextas feiras, saia do trabalho, ia pra casa tirar o uniforme e saia pela cidade andando sem rumo só pra espairecer. A moto tinha virado minha terapeuta. Mas por causa desse problema, realmente a CG ia fazer falta!

Passados os sete dias do prazo, volto pra oficina e quando chego, vejo a moto toda empoeirada num canto, ainda desmontada. O mecânico me informa que ainda não tinha conseguido soldar o tanque, porque os funileiros da cidade estavam com medo de fazer o serviço. Todo mundo aqui acho que sabe como realmente é perigoso soldar um tanque, devido ao risco da presença de resíduos de combustível e principalmente gases no seu interior que podem inflamar e literalmente explodir o tanque e o soldador juntos.

Pra isso deve ser feita uma limpeza muito cuidadosa antes, com sabão e outros removedores de resíduos para que isso não ocorra, o que, diga-se de passagem, não é muito difícil. Como nenhum funileiro, segundo o mecânico, estava topando fazer o trabalho, a loja mandaria o tanque pra uma cidade vizinha pra ser feito o conserto. Foi me dado um prazo de mais 15 dias, e eu quase entrando em depressão a essa altura, concordei.

Passado alguns dias, estava eu na academia quando um amigo me fala de um cara que tínhamos estudado junto na época do ensino fundamental, que nas horas vagas trabalhava numa oficina particular perto da minha casa, e que talvez topasse fazer o serviço. Vi ali uma fagulha de esperança e fui atrás do Mateus. Era a noitinha, chego na oficina abarrotada de peças de carros, motos e sabe-se lá mais o que, me apresento e falo do meu problema. O Tio Chico, apelido pelo qual o pessoal conhece a figura aqui na cidade, pensou um pouco e aceitou fazer o serviço.

Levei o tanque pra ele num dia, e no outro me entregou pronto! Deu vontade de estourar um rojão e abrir uma champanhe. O cara, de uma maneira genial, lavou o tanque com uma solução usando vinagre (esses mesmo de temperar salada) pra limpar os resíduos e depois tapou os buracos que eram do tamanho de um buraco de agulha, aquecendo estanho a ponto dele derreter e tampar os buracos do tanque. Assim, não haveria necessidade de usar solda com fogo, evitando o risco de algum acidente. Serviço simples e rápido e que saiu praticamente de graça.

Feliz da vida levei de volta o tanque, pra oficina onde estava a moto pra remontar tudo. Era uma sexta feira, e já aproveitei pra dar aquela volta marota pra matar a saudade.

Nesse meio tempo, eu já tinha decidido mais alguns detalhes do projeto, e estava à procura de quem pudesse botar a mão na massa e fazer a parada sair do papel. Novamente, faço uma visita na oficina do Tio Chico, também conhecida por MOZ, e falo pra ele da minha idéia. O Mateus é meio famoso aqui na cidade pelas maluquices que ele apronta desde moleque. Uma vez inclusive caiu de bicicleta num rio que corta a cidade, quebrou o braço e teve que colocar uma chapa de platina pra consertar. Até nos ossos o cara deu um jeito de fazer funilaria. Se tivessem remendado o braço dele com arame com certeza seu apelido seria Chevette! (piada interna que ele vai entender, rs)

Como eu sabia que ele gostava de mexer em motores aircooled e estava reformando um Opala Luxo do zero, pensei que ele poderia se interessar também em encarar a customização da moto. Prontamente ele topou e já começamos estudar o que faríamos e por onde começar. Com poucos dias ele já tinha o gabarito da rabeta da moto, feito de papelão pra termos uma idéia das medidas. Isso era por volta de novembro de 2015, e logo eles iriam mudar a oficina de barracão. Acertamos então que depois da mudança ele começaria mexer na moto, no início de Janeiro de 2016.

Assim, passei a pesquisar os detalhes do projeto, e foquei em encontrar o tanque ideal pra ela. O original, da CG Four Stroke estava descartado simplesmente porque já tinha visto alguns projetos onde foram usados e eu não gostei do resultado. A dúvida era entre os modelos usados nas Suzuki Intruder, Honda Turuna e CG Bolinha. Cada um tem sua particularidade na questão de desenho e silhueta. Os modelos da Intruder eram os mais fáceis de achar em bom estado e eram mais baratos, porém muito arredondados. O da CG Bolinha e Turuna são os mais comuns usados em projetos Bratstyle, Café Racer e afins aqui no Brasil pelo visual clássico. O Bolinha oferece uma linha mais suave pra moto dando um ar mais sofisticado, enquanto o da Turuna, mais robusto e quadrado dá um ar mais bruto.

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Uma CG de primeira geração, também conhecida por Bolinha. Destaque para o tanque mais arredondado

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Suzuki Intruder, customizada no estilo Scrambler

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Honda Turuna, em estado original. Atenção para a capa da tampa de combustível

Visitando os grupos de venda do Facebook, encontrei um tanque de Turuna que estava em Florianópolis. Entrei em contato com o vendedor, o Jardel, que também trabalha com custom de motos muito gente fina, que na época estava montando uma Intruder 250cc estilo Bobber muito legal. No negócio acabei fechando com ele o tanque e um guidão morcego que cairia com uma luva no que eu tinha imaginado.

Como era o tanque e o guidão morcego, antes da reforma.

Na minha lista então, os itens principais do projeto já estavam resolvidos, faltando decidir pintura.

É aí que entra outra figura que também foi importantíssima pro desenvolver dessa história.

Um belo dia, ainda bem antes da idéia de comprar a moto, achei no Facebook um cara escondido numa cidade chamada São Bento do Sul-SC, conhecido por Ronnie França, que vendia produtos nacionais e importados para estética automotiva, além de ter também uma oficina especializada nessa parte, a RF Embelezamento Automotivo, com trabalhos de polimento e detalhamento que nunca vi igual.

Nessa época comprei dele uma cera importada, flanelas e um removedor de ferrugem que ia usar no pára-choque de um Fusca que meu pai tinha comprado. Muito gente boa e prestativo passei então, a acompanhar seus trabalhos pela rede social.

Quando comprei o tanque, que estava em Floripa, entrei em contato com o Ronnie, que também é de Santa Catarina e perguntei por acaso se ele toparia dar uma olhada na peça e me passar um orçamento de quanto custaria uma reforma completa e um belo trato na pintura. Como já acompanhava os trabalhos dele por quase um ano no Facebook, eu realmente queria que ele topasse esse trabalho e sabia que ele teria algumas idéias fora da caixa, que era o que eu procurava pra esse projeto. Isso porque o Ronnie é dono de um Chevette eurolook animal, com uma pintura estilo militar muito diferente e que realmente me chamava atenção. Como sabia que era ele quem tinha pintado o carro com tintas especiais e tal, logo imaginei que era o cara certo pro serviço. Combinado o serviço e o preço aproximado pra reforma total, o tanque foi enviado pra que pudesse começar os trabalhos.

Cheva do Ronnie, com direito a aros BBS originais e suspensão ar. O camuflado é feito com tinta fosca mesmo, nada de adesivo. Trampo nível gringo! 

Quando o tanque chegou, foi constatado que o estado dele era bem pior do que a gente imaginava, com bastante ferrugem interna que precisaria ser eliminada. Foi feita toda a reforma externa pra remover as imperfeições e amassados, e internamente várias e várias lavagens pra remover a sujeira, finalizando com um banho de removedor de ferrugem pra segurar a oxidação. Foi dado o banho de primer, e então só faltava escolher a cor que seria usada. Como devem ter notado, o tanque original da Turuna tem uma capa que cobre a tampa de combustível (vide foto dos tanques acima), por isso eles possuem uma alça onde essa capa era presa. Cheguei a procurar a tampa original pra comprar ma sos preços eram absurdos! No Mercado Livre, tinha um vendedor pedindo R$800 em um modelo original. Por essa razão, na reforma essa alça foi removida, pra futuramente ser usada uma tampa universal.

Um belo dia, o Ronnie me manda estas fotos:

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Uma Triumph Bonneville, customizada pela TMC (Tarso Marques Concept), inspirada na pintura da McLaren MP4/4 de Ayrton Senna na década de 80

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Senna, na sua época de ouro com a McLaren mais icônica do automobilismo

A idéia dele era fazer uma pintura, como se fosse um tributo ao mito brasileiro que tanto nos alegrou numa época tão marcante da Fórmula 1. Abracei a idéia na mesma hora. Faltava então decidirmos os tons certos pro trabalho. A minha vontade era usar algum tipo de tinta especial e optei pelo branco pérola, o mesmo usado nos modelos mais novos da Mitsubishi Pajero, e o vermelho foi escolhido o mesmo usado nos VW Gol da sexta geração, por ser uma cor viva e não tão gritante.

Porém nessa mesma época, começou um período de muita chuva na região de São Bento do Sul, e sem tempo firme, nada de pintura. As chuvas se estenderam por mais de um mês e isso acabou atrasando mais do que imaginávamos o decorrer do projeto, ainda mais porque dependíamos do tanque pra ter noção das medidas da traseira, side plates e mais alguns detalhes mais. Assim, por todo final do ano de 2015 o projeto não se desenvolveu.

Passado o final do ano, no início de janeiro, pingou essa imagem no chat do Facebook, enviada pelo Ronnie.

Só nisso aí já deu pra reacender a expectativa e começar imaginar como ficaria o projeto finalizado.

Postei essa foto num dos grupos de custom do FB e em menos de 24h, teve mais de 900 likes. Isso porque não estava nem mesmo com acabamento, e já dava pra ver o nível do trabalho. Mais alguns dias e o tanque estava nas minhas mãos. Eu evitava até mesmo tocar pra não manchar o polimento que dava pra servir de espelho de tão perfeito. A empolgação era tanta que até me esqueci de tirar foto… Shame on me!

Nessa época o tio Chico terminava de fazer a mudança pro barracão novo, bem maior e assim já íamos poder a colocar a mão na massa de verdade.

Com o tanque em mãos, foi possível fazer os ajustes e medidas finais pra traseira e ver como se encaixaria no quadro de fato. A rabeta foi toda feita e chapas de aço dobradas e soldadas.

O modelo escolhido foi baseado no padrão bullit, por ser mais fácil de fazer, se comparado com as traseiras “bundinha de abelha”, mais arredondadas típicas das café racers clássicas. Assim, na traseira já seriam embutidas a lanterna de freio, setas e o suporte de placa, que já serviria de para lama. Detalhe que, por lei, as placas devem ser iluminadas, então tive o cuidado de adquirir uma lanterna de freio de led que já tivesse essa função.

Decidimos também que a traseira iria servir como esconderijo para a fiação da moto toda e também iria armazenar a bateria. Porém não caberia tudo, então ficou só usamos pra esconder os fios e fizemos um suporte pra esconder a bateria próximo ao carburador, que seria tapada por side plates, tudo feito com chapas de aço dobradas.

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O escape também foi feito a mão, aproveitando o original (inclusive flauta e manta) somente reduzindo seu tamanho e dobrando pra que passasse por debaixo do motor ao invés da lateral da moto. O ronco ficou um show a parte!

Assim, a moto foi toda desmontada, deixando somente no quadro que estava com a pintura bem judiada. Nesse ponto, mais uma surpresa desagradável. A balança, peça do quadro onde fica o aro e a suspensão traseira, estava torta, provavelmente por causa de alguma pancada que a moto deve ter sofrido de lado com algum dono anterior, que também deve ter negligenciado o conserto da maneira certa.

Por isso, o eixo que prende a balança no quadro ficou gasto de um lado e depois quando fomos desmontar, foi necessário fazer um enchimento pra compensar o desgaste. Essa moto deve ter passado por uns maus bocados, o que rendeu até mesmo um apelido por parte da minha esposa, que a chama de Sarah Connor, em alusão à personagem do filme Exterminador do Futuro.

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Mandei pra ser feito jato de areia na estrutura toda, e depois repintar. Nessa altura já sabíamos que o destaque na moto seria justamente a pintura, então decidimos por seguir o exemplo da Triumph feita pela TMC e deixar o restante da moto mais apagado, com motor e quadro pretos. O quadro foi pintado de preto fosco, com tinta PU vinílico. Com o jateamento, o quadro ficou com uma textura levemente rugosa, e com pintura fosca, acabou por ficar com um acabemento muito legal.

O motor também foi pintado, porém com spray preto e teve as aletas e emblemas Honda polidos pra dar um destaque mais sofisticado do que somente o preto chapado. O resultado ficou muito bom. Aqui vai um conselho, pra quem pensa em pintar motores e outras peças que recebem sujeira diretamente. Procure uma tinta mais resistente e não poupe demãos, assim você evita ficar dando retoques freqüentes caso descasque. No meu caso, o spray até agüentou, mas em áreas de contato como tampas e perto dos pedais a tinta desgastou, além de que qualquer respingo de gasolina era suficiente pra tirar a pintura.

A moto já estava tomando forma e chegando ao final da montagem e era hora de providenciar o banco. Fui até um tapeceiro da minha cidade, com algumas fotos pra servir de base sobre como eu queria que fosse feito, junto da rabeta pra ter noção das medidas. O cara olhou, fez algumas perguntas e me perguntou qual seria a cor e o acabamento da costura. Optei por um courino cor de café. Dois dias depois, passo pra ver o resultado. O tapeceiro antes de me mostrar, me diz que fez algumas alterações no que eu tinha pedido, porque segundo ele, se fosse fazer igual as fotos que eu mostrei ia ficar com pouca espuma e o banco ia ser muito duro. Ele remexe num canto e me entrega um bloco de espuma encapado com cor de cocô de um palmo de altura, todo tordo e completamente diferente do que eu tinha mostrado como queria. Fiquei sem ação na hora e a única coisa que consegui fazer foi guardar aquela bomba no porta malas do carro e esquecer por algumas horas.

Depois que tinha me acalmado, resolvi testar pra ver como ficava. Era uma coisa tão sem proporção e base, que o banco chegou ficar mais alto que o próprio tanque, desproporcional e muito, mas muito feio! Assim, preferi simplesmente descartar aquilo e procurar outra solução.  Eram dinheiro e tempo jogado fora, que iria atrasar ainda mais alguns dias os términos do projeto. Nessa altura, a idéia de manter o projeto como uma customização de baixo custo já tinha ido pro espaço!

Ainda na novela do banco, me lembrei do Diego Lucas, um cara que tinha conhecido também via rede social, e que trabalhava com custom de motos e fazia peças de fibra de vidro, e produtos em couro feitos a mão. Entrei em contato, contei a história e ele topou fazer. O problema era que o cara mora em Machado-MG, e precisaria mandar a rabeta pra que ele tirasse as medidas e moldasse a espuma da maneira certa em cima da peça. Pra quem já estava com a corda no pescoço, o que era mais alguns dias no final das contas?! Mandei a peça pelo correio e em menos de uma semana já estava pronto. O trampo? Perfeito! A cor escolhida foi um caramelo, pra dar um pouco mais de destaque pro trabalho.

A essa altura já estávamos no final de abril, e eu tinha estabelecido o limite pra ter a moto pronta pro início de maio, então teria aproximadamente um mês pra correr com o restante.

A rabeta também foi enviada pra pintura, junto com as side plates e o Ronnie mais uma vez acertou em cheio no acabamento. A traseira recebeu o mesmo esquema de cores do tanque, seguindo aproximadamente o mesmo padrão que foi usado nas McLarens da F1. Nas placas laterais, optamos por pintar de branco, com uma linha fina vermelha nas bordas e com um número um e a assinatura do mito no centro, deixando clara qual era a inspiração do projeto. Detalhe aqui, que optei por deixar a cor branca como predominante, assim não teria necessidade de ter mais gastos com alteração de cor no documento.

Banco pronto, peças, quadro, motor e aros pintados, era hora de remontar de decidir a stance que a moto teria, com base na medida dos pneus que seriam usados.

Minha idéia era dar um ar um pouco mais robusto pra moto, optando por pneus maiores com medida 120/90 mais ou menos. Porém fizemos alguns testes, usando um aro de CB750 (Sete Galo), pois tem o mesmo diâmetro que a da CG (18 polegadas), porém usa pneus 110/90, enquanto da CG é 90/90. Na traseira os pneus maiores encaixaram e ainda sobrou espaço. O problema foi na dianteira, cuja largura entre as canelas da suspensão não é muito grande e os pneus 110 não caberiam.

Na época pensei em instalar a dianteira de CB 250 Twister, por ser mais larga que a da CG e suportaria os pneus mais largos, porém os preços que encontrei beiravam R$500 e achei um pouco caro só pra uma questão de estética, ficando com a frente original e pneus tamanho padrão. Como a moto teria um aspecto mais puxado pro Racing, escolhi um modelo de pneus mais slick, mas que não tirasse a segurança ao andar por terrenos com terra ou com asfalto mais acidentado. Optei pelos Pirelli Street Demon, modelo muito usado por motos da mesma cilindrada que a minha CG e tem uma boa durabilidade e pegada. Os aros eu mantive os originais raiados, porém foram pintados de preto fosco assim como os cubos, também com o PU vinílico. As raias mantive cromadas.

A essa altura já estávamos no final de abril, e eu tinha estabelecido o limite pra ter a moto pronta pro início de maio, então teria aproximadamente um mês pra correr com o restante.

Era hora de se preocupar com os detalhes finais de acabamento e escolher as “bijuterias” que iriam dar o toque final na moto.

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Se você quiser ver como continua essa história, fique ligado no próximo capítulo desse programa, nesse mesmo canal, nesse mesmo horário! ;D

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Por Felipe Queiroz, Project Cars #379

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