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Mary Pozzi: a mulher por trás de um dos Camaro mais incríveis do planeta

O Camaro de segunda geração, lançado em 1970, não é tão famoso quando o carro que estreou o nome em 1967, porém tem uma leal base de fãs que o consideram o melhor de todos os Camaro. Entre eles, certamente está a veterana (com todo o respeito do mundo!) Mary Pozzi — porque o “boca de tubarão” 1973 pro-touring dela é um dos restomods mais legais que já vimos.

Mary Pozzi é uma piloto experiente: já venceu 11 campeonatos de autocross pela SCCA. Seu marido, David Pozzi, corre há quase quatro décadas, e os dois se conheceram em uma escola de pilotagem — ele era instrutor, e ela era aluna. Hoje, os dois têm uma oficina especializada em preparação de muscle cars, com ênfase no Camaro. Mary também é piloto de testes e jornalista automotivo — ela entende do riscado.

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Mary comprou o carro em 2002 — ela procurava um Camaro de segunda geração para ser um daily driver, mas que tivesse potencial para fazer bonito em um fim de semana no autódromo, mas não muito mais do que isto. Ela encontrou seu Camaro 73 em uma loja de usados e pagou US$ 5.300 por ele. Ela não imaginava que o carro ficaria mundialmente famoso e valeria muito mais do que isto.

Mas ela deveria saber: depois de uma modificação, vem sempre outra, outra e mais outra — um project car nunca está pronto. E hoje, 12 anos depois, o carro é uma das maiores lendas da cena pro-touring mundial, e já apareceu até em Gran Turismo 6.

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O carro de Mary teve duas fases. Na primeira, foi modificado com um V8 383 stroker — crate engine original da Chevrolet — de relativamente pacatos 376 cv, alimentado por um carburador Barry Grant Speed Demon de corpo quádruplo. O motor era praticamente original, recebendo apenas novos sistemas de admissão e escape, e a potência era levada para as rodas traseiras através de uma transmissão Richmond de cinco marchas e um diferencial Chevrolet. Mary diz que o mais importante em um projeto são suspensão, estrutura e freios, e foi nestas três coisas que elas se concentrou na primeira fase de seu carro.

O interior manteve sua essência original — painel, forros de porta e itens de acabamento foram mantidos — porém os bancos originais deram lugar a modelos de competição com cintos de cinco pontos e foi instalada uma gaiola de proteção, e os instrumentos originais foram trocados por um kit da Autometer. A suspensão foi preparada pela Hotchkis, com molas mais firmes na dianteira e feixes Global West Cat5 na traseira, com amortecedores ajustáveis nos quatro cantos. A altura “standard” do carro foi rebaixada em cerca de quatro centímetros.

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O contato do carro com o chão ficava por conta dos pneus Kumho de medidas 245/45 na dianteira e 285/40 na traseira, calçando rodas Vintage Wheel Works de 17 polegadas.

O carro também recebeu freios maiores, com discos de 13 poledas na dianteira e 12 polegadas na traseira, além de barras estabilizadoras e reforços estruturais para aumentar a rigidez à torção. Naturalmente, Mary nunca parou de aperfeiçoar um detalhe ou outro aqui e ali — e sempre competia com ele em eventos por todos os EUA, até que, em 2010, ela encostou o Camaro para uma mudança gigantesca.

Ele simplesmente não estava deixando Mary explorar toda sua habilidade ao volante, adquirida em anos de experiência. Ela precisava de um carro mais potente, mais leve e que tivesse muito mais chão.

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A “segunda fase” do carro de Mary foi a que tornou o carro referência em pro-touring. Em uma transformação radical, boa parte do aço de 40 anos deu lugar a fibra de carbono — toda a dianteira, as caixas de roda, o capô e a tampa do porta-malas foram refeitos de compósito. Com a dieta de fibras, o carro passou de 1.580 para 1.490 kg — 90 kg aliviados.

Como se não bastasse a redução de peso, o motor também foi embora. Em seu lugar, entrou um LS2 stroker, com cilindrada ampliada de seis para 6,5 litros (402 pol³) e injeção eletrônica — o suficiente para entregar respeitáveis 620 cv. A transmissão também foi substituída de acordo — a Richmond deu lugar a uma Magnum T56 de cinco velocidades com trambulador Hurst — e a alavanca traz a clássica bola branca com o esquema de marchas estampado.

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Com o aumento na potência e no torque, veio também a necessidade de um novo diferencial — e a solução foi adotar um eixo traseiro Ford com diferencial de 9 polegadas, um dos mais populares entre os adeptos dos muscle cars preparados. O interior foi atualizado com uma nova gaiola de proteção, e o exterior foi repintado de laranja — deixando a fibra de carbono exposta no capô e na tampa do porta-malas — uma decisão de muito bom gosto.

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Agora, uma das partes mais impressionantes deste Camaro: a suspensão foi retrabalhada novamente pela Hotchkiss, mas desta vez as mudanças foram profundas — o sistema de eixo rígido com feixes de molas foi trocado por um sistema three-link com braços triangulares superiores e inferiores e barra Panhard (que evita o movimento lateral do eixo) ajustável.

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As rodas escolhidas para a nova fase do Camaro foram as Forgeline de 18 polegadas com acabamento preto fosco, calçadas com pneus Falken Azenis de medidas 275/35 na dianteira e 315/30 na traseira — mais borracha, mais aderência.

Mary, naturalmente, participou ativamente do processo de modificação, acompanhando cada detalhe e definindo o acerto de suspensão e as relações das marchas, por exemplo.

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Desde então, o carro apareceu em inúmeros eventos e encontros. O mais importante deles aconteceu em 2011, quando o carro participou do Optima Ultimate Street Car Invitational. O evento contou com a presença de Kazunori Yamauchi, criador da série Gran Turismo.

Por alguma razão, os caras do canal /DRIVE pensam que o carro de Mary é um Camaro 1971. Não é — é um 1973. De qualquer forma, o dá para ver o carro (e ouvir o ronco do LS2) muito bem neste vídeo

Ele vai para lá todo ano e, em 2011, ficou encantado com o Camaro de Mary e decidiu incluí-lo em Gran Turismo 6 — simples assim. Depois, durante o SEMA Show, Kaz chamou Mary para receber um Playstation 3 como prêmio — o carro dela venceu o Gran Turismo Awards como melhor Hot Rod de 2011. E, se você tem Gran Turismo 6, pode pilotar o carro de Mary.

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O Camaro de Mary Pozzi representa uma volta às raízes do pro-touring. Atualmente, o estilo está abarrotado de carros extremamente potentes, com pinturas brilhantes, pneus exagaradamente largos, rodas enormes — mas que dificilmente verão tanto asfalto (de rua de pista) como o carro desta mulher — e ela já mereceria nosso respeito e admiração só por isso, mesmo se não fosse uma baita piloto.

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[ Fotos: Mike Garrett/Speedhunters ]

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