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McLaren 600LT chega mais potente e mais leve – e mostra que os superesportivos estão mudando

Quando a McLaren lançou o F1, em 1992, ele tinha um V12 naturalmente aspirado de 6,1 litros e 627 cv, feito com base no motor do grand tourer BMW 850CSi. Pesando 1.138 kg (uma relação peso/potência de 1,81 kg/cv), com lugar para três pessoas e bagagem e câmbio manual de seis marchas, o McLaren F1 ia de zero a 100 km/h em 3,9 segundos, com velocidade máxima de 386 km/h – um recorde concedido em 1998, ano em que o F1 deixou de ser produzido com pouco mais de 100 unidades fabricadas.

O McLaren F1 ficou conhecido como o carro mais rápido do planeta por anos, e mesmo depois de superado, permaneceu como um dos melhores e mais incríveis superesportivos já feitos. E ele também era inovador: Gordon Murray, o engenheiro responsável pelo projeto (e que se tornou tão lendário quanto sua criação), fez questão de que o F1 utilizasse a então inédita técnica de construção com estrutura monocoque de fibra de carbono, com a carroceria feita do mesmo material. Mais do que seu conjunto mecânico e seu recorde de velocidade, o maior legado do McLaren F1 para todos os superesportivos que vieram depois é, literalmente, do que ele foi feito e quanto ele pesava.

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O interior do McLaren F1 GTR e sua profusão de fibra de carbono, só para ilustrar

Até porque hoje, 20 anos depois, a barreira dos 600 cv é uma lembrança distante. É praticamente o piso de potência do supercarros de entrada. E é por isso que, antes de falar do último lançamento da McLaren, apresentado hoje (28), recapitulamos um pouco a respeito do icônico F1. A fabricante já disse, em uma conferência recente no Reino Unido, que o foco dos superesportivos daqui para a frente não será o aumento de potência – os números chegaram a um ponto no qual um aumento de 40 ou 50 cv não faz diferença. A verdadeira disputa é para reduzir peso. O que pode ser uma coisa boa.

Para a McLaren, o custo de pesquisa e desenvolvimento de um motor mais potente é mais alto do que a busca por materiais e componentes mais leves, e os ganhos em performance não são expressivos o bastante para manter a “guerra da potência” acontecendo. Além disso, o baixo peso pode ajudar os supercarros a obter índices de consumo de combustível e emissão de poluentes cada vez menores, algo que é cada vez mais cobrado por agências do governo e organizações ambientais.

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O novo McLaren 600LT é uma versão limitada do 570S com menos peso, mais potência e carroceria 74 mm mais longa – daí o “LT” em seu nome, que vem de Long Tail (“cauda longa” em uma tradução livre). A sigla foi usada pela primeira vez no McLaren F1 GTR Long Tail, que foi feito para a temporada de 1997 do campeonato FIA GT e tinha a carroceria mais longa a fim de gerar mais downforce em alta velocidade. Dito isto, estamos falando de um aumento de 641 mm no comprimento geral do carro, porém mais perceptível na traseira.

Em 2015 foi a vez do McLaren 675LT, versão “de pista” do McLaren 650S – este, sucessor direto do McLaren 12C. Agora – há poucas horas, na verdade – a fabricante de Woking apresentou o 600LT.

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A fórmula é conhecida: aumentar a potência e reduzir o peso. No caso do 600LT, estamos falando de um ganho de 30 cv no motor V8 biturbo de 3,8 litros – de 570 cv para 600 cv, como os nomes dos carros indicam. Além disso, o torque aumentou de 61,2 mkgf para 63,2 mkgf. A McLaren não divulgou as rotações, mas no caso do 570S o pico de potência vem às 5.700 rpm, enquanto o torque máximo aparece às 5.000 rpm. Dados de aceleração e velocidade máxima também não foram divulgados. O 570S vai de zero a 100 km/h em 3,2 segundos e sua velocidade máxima é de 328 km/h. A transmissão, presumimos, é a mesma caixa de dupla embreagem e sete marchas usada no 570S.

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Mais extensas são as modificações no restante do carro – pelo que diz a McLaren, 23% dos componentes do 600LT são diferentes em relação ao 570S. Isto inclui um novo spliter frontal, novas saias laterais e um novo difusor traseiro, além de uma nova asa traseira fixa. Os faróis também são diferentes, dispensando as lentes externas e ficando um pouco mais parecidos com as peças do McLaren 620S. De acordo com a fabricante, além de melhorar a aerodinâmica do carro, os novos componentes ajudaram na redução de peso: o 600LT tem até 96 kg a menos que o 570S, chegando aos 1.247 kg – uma relação peso/potência de 2,07 kg/cv. No caso do 570S, que pesa 1.343 kg, são 2,35 kg/cv.

Até mesmo o sistema de escape contribuiu para a redução de peso: com as saídas posicionadas próximas ao motor, e não no para-choque traseiro, foi preciso usar menos tubulação. O que, nas palavras dos britânicos, também melhorou consideravelmente a experiência sonora da coisa.

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O interior do carro também recebeu ajustes: além dos bancos de fibra de carbono vistos pela primeira vez no McLaren P1, o habitáculo passou a ser revestido com “Alcantara leve”. Comparado ao lado de dentro do 570S, o 600LT aposta no minimalismo. Para chegar à redução de 96 kg, porém, é preciso encomendar o carro com alguns opcionais: os bancos especiais Super Lightweight do McLaren Senna, que pesam apenas 3,35 kg cada (!) e os para-lamas dianteiros vazados. Ainda assim, quase 100 kg a menos é um número impressionante.

Segundo a McLaren, o 600LT ainda traz suspensão por braços triangulares sobrepostos de alumínio forjado, freios mais leves, suportes do motor “significativamente mais firmes” e pneus Pirelli P Zero Trofeo R feitos sob medida. Além disso, o carro traz respostas mais ágeis dos pedais e um sistema de direção com melhor comunicabilidade.

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A McLaren diz que as modificações do 600LT têm o objetivo de tornar o carro mais competente para uso nas ruas e ainda mais rápido nas pistas – sendo que o foco nesta última característica foi maior. Eles também dizem que a fabricação do carro, de forma artesanal, começará em outubro de 2018 e durará cerca de 12 meses. O carro dividirá a linha de produção com outros modelos da McLaren, que afirma que o fato de usar painéis de fibra de carbono moldados à mão ajudará a manter a exclusividade.

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