As melhores versões do Volkswagen Passat no Brasil

Dalmo Hernandes 17 setembro, 2014 165
As melhores versões do Volkswagen Passat no Brasil

Em 1973 a Volkswagen lançou na Europa o Passat. Na época, o carro foi considerado um “anti-VW” — afinal, virtualmente tudo o que saía da fábrica em Wolfsburg até então era movido por um motor boxer refrigerado a ar pendurado na traseira. Com o Passat, era tudo ao contrário: um quatro-cilindros em linha com arrefecimento líquido debaixo do capô dianteiro. E deu certo.

Mas isto só foi possível porque o Passat era uma versão mais “popular” do Audi 80 — a VW não precisou desenvolver um carro do zero, dando a ele apenas uma nova configuração de carroceria: em vez de um sedã de duas portas, como era o 80, o Passat tinha um perfil fastback. Contudo, até a coluna C, ambos eram idênticos (com exceção, claro, do emblema das quatro argolas).

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Na mecânica, a situação se repetia: o motor de quatro cilindros com comando de válvulas no cabeçote, precursor do nosso conhecido AP, também vinha do Audi, bem como a suspensão dianteira independente, do tipo McPherson, e traseira com eixo de torção — sistema responsável pelo comportamento dinâmico exemplar na época.

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A receita era tão boa que o Passat foi o carro que desenhou o futuro da VW. Uma prova disso foi que , em 1974, a VW lançou o compacto Golf, que se tornaria o Volks mais vendido no mundo nas quatro décadas que se seguiram. Contudo, outra coisa aconteceu em 1974: o Passat chegou ao Brasil, onde suas novidades também causaram uma revolução — na imprensa, que tinha suas dúvidas quanto ao novo VW; na própria rede de concessionárias do País, onde os mecânicos tiveram que passar por um treinamento pela fábrica para aprender a lidar com as novas tecnologias; e, claro, junto ao público, que não demorou a aceitar a nova cara da fabricante do “carro do povo”.

O Passat de primeira geração durou 14 anos no Brasil, convivendo, inclusive, com seu sucessor — uma das versões da segunda geração do modelo que foi chamado somente de Santana. Depois disso, ele voltou a ser oferecido na década de 1990, desta vez importado da Alemanha, e desde então não deixou mais a linha da Volkswagen no Brasil. Contudo, as gerações mais recentes foram posicionadas em uma faixa mais cara e luxuosa do mercado.

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Sendo assim, podemos dizer que, em setembro de 2014, o Passat completa 40 anos de Brasil — afinal, mesmo quando não se chamava Passat, ele era um Passat.

Agora… nesse tempo todo, ele certamente teve algumas versões bem atraentes para entusiastas como nós, não é? Pode apostar que sim, e é delas que vamos falar agora.

 

Passat TS e GTS Pointer

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Com sua traseira de caimento suave, porte relativamente imponente e bom acerto dinâmico, o primeiro Passat, lançado em 1974, praticamente implorava por uma versão esportiva. E o pedido foi atendido com a versão TS.

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O ano era 1976, e o Passat TS (sigla para “Touring Sport”), que se diferenciava das outras versões pelos quatro faróis circulares na dianteira e pela faixa preta na lateral, trazia um novo motor 1.6 de 80 cv com carburador Solex de corpo duplo que o levava de 0 a 100 km/h em 14 segundos, com máxima de 160 km/h — números excelentes para a época.

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A primeira reestilização veio em 1979, quando passou a ser utilizada a dianteira do Audi 80, mas com o emblema da VW, e para-choques mais largos — modificações que trouxeram um ar mais moderno e ainda agradável, embora a maioria prefira o modelo clássico. O TS acompanhou a remodelação.

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Nos anos seguintes o Passat foi perdendo mercado com a chegada do Monza (que se tornaria o carro mais vendido do Brasil entre 1984 e 1986). Para combatê-lo, a VW promoveu mais uma reestilização, desta vez dando a ele ao carro quatro faróis retangulares. Foi neste ano que surgiu a versão mais aclamada do Passat: o GTS Pointer.

Usando um motor 1.8, o mesmo do Santana e do Gol GT, o Passat GTS Pointer tinha 99 cv e um ótimo acabamento interno, com novo painel e novas forrações. Ia de 0 a 100 km/h em 11 segundos, com máxima de 175 km/h.

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Em 1985 toda a linha recebeu para-choques envolventes de plástico, nesta que foi sua última atualização antes de sair de linha em 1988. Enquanto isso, a segunda geração do Passat seguia firme e forte por aqui, mas com outro nome: Santana.

 

Santana Sport e Executivo

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O Santana foi lançado em 1984. Embora fosse um sedã médio e, naturalmente, sua proposta fosse mais conforto do que esportividade, isto não impediu que versões com visual mais esportivo fossem oferecidas, como Santana e a Quantum Sport da primeira geração, de 1990, e o Santana Sport da segunda geração, de 1993 (acima).

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Também não podemos esquecer do Santana Executivo, um dos carros mais luxuosos do Brasil na época, com motor 2.0 de 114 cv com injeção multiponto Bosch (primazia em um carro de luxo nacional). Ele vinha em três cores — vermelho, preto e azul — e tinha rodas BBS douradas, spoiler traseiro, bancos de couro e teto solar. Podia ter câmbio manual ou automático.

Hoje em dia, é cada vez mais raro encontrar um Santana EX em bom estado e a um preço justo — situação que deve ficar ainda mais crítica daqui para a frente, visto que em 2014 o Santana completa 30 anos e já pode começar a receber a placa preta. Leia toda a história do Santana aqui!

 

Invasão alemã

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O ano de 1994 viu a volta do Passat, com o modelo de quarta geração. Na verdade, a quarta geração era baseada na terceira, mas com interior revisto e todos os painéis da carroceria diferentes. Era um estilo tipicamente alemão, na época, e modelos nacionais como o Santana e o Logus foram inspirados nele.

Tivemos duas versões deste Passat: GL, com motor 2.0 de 116 cv, e Exclusive, com motor VR6 de 2,8 litros e 174 cv a 5.800 rpm e 24 mkgf de torque a 4.200 rpm. As duas eram recheadas e bem equipadas mas, claro, vamos falar é da que tinha mais cilindros.

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O Passat VR6 tinha ar-condicionado, trio elétrico, bancos em couro, airbag duplo, freios ABS e podia vir com câmbio automático de quatro marchas. Não é uma lista impressionante hoje em dia, mas era tudo o que se esperava de um bom sedã médio naquela época — e ainda tinha o belo ronco do motor VR6, que o fazia chegar aos 100 km/h em 8,7 segundos com máxima de 224 km/h.

Foi com a quarta geração que o Passat começou a consolidar a imagem de carro de luxo que tem hoje no Brasil. O substituto do Audi 80 na época foi o A4, que compartilhou a plataforma com o novo Passat. Foi uma revolução estética com as linhas retas bem marcadas dando lugar a formas mais arredondadas, fluidas e limpas.

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A quinta geração do Passat ainda está fresca na memória: foi vendido de 1998 até 2004 com uma atualização no meio do caminho, e usou vários motores que hoje são cultuados pelos fãs de Volkswagen e Audi, como o 1.8 turbo de 150 cv e o V6 2.8 de 190 cv. Todas as versões eram importadas da Alemanha e eram bons carros quando novos — contudo, a manutenção mais cara exigida exigida pelos novos motores acabou tornando difícil encontrar um bom exemplar à venda por um preço razoável hoje em dia — os mais baratos estão detonados, e os melhor conservados custam caro.

 

Duas letras: CC

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Com a sexta geração, lançada em 2005, o Passat se tornou o modelo topo de linha da Volkswagen, adotando os motores FSI que são usados até hoje em vários modelos da Volks e da Audi. Contudo, a esportividade foi resgatada com um carro especial: o Passat CC.

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Lançado em 2008, o sedã com cara de cupê tinha três opções de motor: 1.8 turbo de 160 cv, 2.0 turbo de 200 cv (211 cv a partir de 2011), e a versão mais recente do motor VR6, com 3,6 litros e 300 cv — esta última aliada à tração integral 4Motion. E o VR6 foi o único Passat CC a ser oferecido no Brasil até abril deste ano, quando o modelo ganhou uma versão “de entrada” com motor 2.0 TSI de 211 cv (o mesmo do Jetta).

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Em 2012 o Passat CC foi reestilizado, adotando a identidade visual mundial da marca, e virou apenas CC. A mudança desagradou parte dos fãs, que preferiam as linhas anteriores à reestilização pois elas tinham mais personalidade. Mas mudanças de cara e de nome não são exatamente novidades na história do primeiro VW com motor refrigerado a água a fazer sucesso no mundo todo — e que teve sua oitava geração, a B8, apresentada em julho último.

Ainda maior, com estilo mais imponente e luxuoso (além de adotar, pela primeira vez, um cluster de instrumentos digital), o Passat B8 ainda não tem data para sua estreia no Brasil. Na Europa ele começa a ser vendido em novembro.

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[Fotos: Pedro Ruta Jr, Acervo Quatro Rodas, Santana Fährer Club, Volkswagen]