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Mercedes-Benz revela o novo CLA Coupe na CES 2019

Quando a Mercedes-Benz apresentou a terceira geração (W176) do Classe A, em 2012, era clara a missão do novo carro: romper completamente com a noção do que era o baby Benz em suas duas primeiras gerações: um hatchback monovolume com jeito de minivan (embora não o fosse), com porte subcompacto, e preço atraente. Uma porta de entrada para marca da estrela de três pontas, que acabou reprovada no “teste do alce” em sua primeira configuração. Mesmo depois que a fabricante alemã resolveu o problema, implementando assistências eletrônicas de direção, o Classe A sofria com a pecha de não ser um Mercedes-Benz à altura da marca.

Ao adotar uma silhueta de hatchback mais tradicional, porte mais avantajado e motores mais potentes, o Classe A conseguiu, finalmente, convencer aqueles que precisava convencer: o público mais jovem, que viu no modelo um Mercedes mais acessível e descolado, além de prático e espaçoso, que não deixava de se apresentar como um produto Mercedes.

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Com o potencial deste novo modelo, a Mercedes também finalemente deu à Classe A uma versão esportiva em 2013: o Mercedes-AMG A45, com um quatro-cilindros turbo de dois litros e 360 cv que, com tração nas quatro rodas 4Matic, fazia jus à cavalaria –que, seis anos atrás, era absurda para um motor daquele tamanho.

A partir dali a Mercedes-Benz percebeu que havia acertado na receita e tratou de expandir a família. Já em 2013 foi colocado à venda o sedã CLA, derivado da plataforma do Classe A W176 e compartilhando praticamente o mesmo visual na dianteira, porém com carroceria de três volumes, linha do teto com caimento suave (em uma tentativa de emular um perfil fastback) e, no geral, a aparência de um CLS mais compacto. A nomenclatura, C117, denunciava que, aos olhos da Mercedes, o CLA era um cupê de quatro portas, ainda que, na prática, o carro fosse um sedã.

O CLA foi bem recebido pela crítica e pelo público em geral, porém rejeitado por uma parcela dos entusiastas por, novamente, não ter o refinamento de um Mercedes-Benz. Não obstante, ele também ganhou uma versão 45 AMG e, lançado nos EUA ainda naquele ano, tornou-se o primeiro modelo compacto (para os padrões norte-americanos) oferecido naquele mercado pela Mercedes – que não lançou o hatch de terceira geração nos EUA.

Com a quarta geração do Classe A lançada no início de 2018, era questão de tempo até que o CLA passasse pelo mesmo processo. E foi o que aconteceu hoje edição de 2019 da CES, o Consumer Electronics Show – a maior feira de tecnologia do planeta. Pois é: o novo Classe CLA, código C118, não foi lançado em um Salão do Automóvel de Frankfurt ou Genebra, e sim no mesmo evento onde são apresentados robôs, aparelhos domésticos inteligentes, eletroeletrônicos, computadores e smartphones. O que, na verdade, virou meio que uma tendência no mercado automotivo em tempo de hibridização, eletrificação e inovações em condução autônoma/automática. De fato, por mais de uma vez a Mercedes se referiu ao CLA como um gadget. O que, de certa forma, evidencia o esforço para tornar a imagem da marca mais jovem e descolada diante do público.

O Mercedes-Benz CLA C118 também recebeu um novo sobrenome: Coupe – ainda que tenha quatro portas e três volumes. Embora fique clara a conexão estilística com a geração anterior, especialmente na silhueta crua e no formato da área envidraçada, é inegável que o novo CLA Coupe possui proporções melhor acertadas – eu tinha a impressão de que o antigo C117 tinha o balanço dianteiro longo demais e traseira demasiadamente baixa (uma forma elegante de dizer “bunda caída”, talvez), além de faróis um pouco grandes para as dimensões gerais do carro. Não que fosse um carro feio, mas faltava harmonia entre os elementos.

A nova geração adotou uma dianteira muito parecida com a do Classe A, com faróis menores, mais baixos e um “olhar” mais agressivo – e, da mesma forma que o hatch, também deu uma maneirada nos vincos bem marcados que se via na carroceria anterior, especialmente no capô e nas laterais.

A traseira parece mais alta e “arrebitada”, com lanternas de desenho mais afilado e horizontal, e também ganhou refinamento graças à mudança do local da placa, que saiu da tampa do porta-malas (onde agora fica uma estrela de três pontas maior e mais destacada) e foi colocada no para-choque.

O balanço dianteiro ficou visivelmente mais curto mas, no geral, todas as outras medidas aumentaram: com 4.688 mm de comprimento e 1.830 mm de largura, novo CLA é 48 mm mais longo e 53 mm mais largo que seu antecessor – e também ganhou 30 mm no entre-eixos, chegando aos 2.729 mm. As bitolas também cresceram: de 1.549 mm para 1.612 mm na dianteira (63 mm a mais), e de 1.547 mm para 1.602 mm na traseira (55 mm a mais).

A fabricante diz que o centro de gravidade ficou mais baixo e que, de quebra, o espaço para as cabeças dos ocupantes é até 17 mm maior. O coeficiente aerodinâmico da carroceria é próximo do que se via na geração anterior; 0,23 contra 0,22, apesar da área frontal consideravelmente maior no novo CLA.

Conforme se suspeitava, a versão apresentada na CES 2019 foi a CLA 250, equipada com o mesmo quatro-cilindros turbo de dois litros e 221 cv, acoplado a uma caixa de dupla embreagem e sete marchas. Ainda não foram dadas informações oficiais, mas é praticamente certo que o restante da linha também terá as mesmas opções de motorização que o Classe A – ou seja, um motor de 1,3 litro turbo com 131 cv ou 161 cv; e uma versão de 187 cv do motor 2.0 turbo. Existem especulações a respeito da adoção de uma transmissão manual, mas a Mercedes-Benz manteve o silêncio neste aspecto.

Embora o Mercedes-Benz CLA seja tratado como um modelo distinto do Classe A, e não sua versão sedã (esta é um terceiro modelo, mais compacto e com uma silhueta mais conservadora), ambos dividem a mesma plataforma modular e o mesmo sistema de suspensão dianteira do tipo McPherson e, na traseira, tudo indica que repetirá a solução utilizada pelo hatch: barras de torção nas versões mais baixas, e um eixo do tipo multilink na CLA 250 – que é um arranjo mais caro, porém com refinamento dinâmico superior. Amortecedores adaptativos serão opcionais.

Uma distinção do CLA em relação ao Classe A é a adoção de sistemas eletrônicos presentes nos modelos mais caros da Mercedes, como o Classe S, como recursos de condução semi-autônoma – algo que também ajuda a justificar sua estreia na CES. Por exemplo, usando dados do navegador por GPS, o CLA pode ajustar automaticamente a velocidade antes de passar por uma curva acentuada ou rotatória. Já o assistente de distância utiliza a câmera frontal, que pode “enxergar” até 500 metros à frente do carro, para acionar os freios automaticamente em caso de emergência ou ajustar a velocidade para manter uma distância segura do veículo à frente.

O CLA também emprega uma nova versão do sistema MBUX (Mercedes-Benz User Experience), que conta com uma assistente virtual acionada pelo comando de voz “Ei, Mercedes” e pode realizar diversas funções, como sugerir rotas e pontos de parada, oferecer opções de restaurantes, descrever os detalhes técnicos do carro e entender comandos de voz complexos – além de aprender com os hábitos do motorista e dos passageiros.

No segundo semestre a Mercedes-Benz irá apresentar a versão shooting brake do CLA. A fabricante também está trabalhando no desenvolvimento do AMG CLA45, que assim como o AMG A45, virá com uma versão de 421 cv do motor 2.0 turbo; e do CLA35 AMG, com 306 cv.

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