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Mercedes C30 CDI: quando a AMG decidiu fazer um o esportivo movido a diesel

No final da década passada, quando o diesel ainda não havia se tornado o inimigo número 1 do futuro do planeta, ele parecia ser o combustível do futuro: os níveis de emissões eram relativamente baixos, sua eficiência energética era imensa e, para tornar tudo mais saboroso, a Audi e a Peugeot provaram que ele poderia ser empolgantes nas pistas.

Como resultado, estes carros dominaram as 24 Horas de Le Mans de 2006 até 2013, e até mesmo modelos esportivos de rua ganharam uma versão queimadora de óleo. A Volkswagen logo colocou um motor a diesel no Golf GTI (que passou a se chamar GTD), e no Scirocco. A BMW M, pela primeira vez em 40 anos de história, afixava seu logotipo em um carro sem velas de ignição com as versões M Performance de seus modelos a diesel.

A Audi também estava prestes a entrar no jogo com versões TDI de seus modelos S e RS, mas antes que eles chegassem às linhas de produção a Volkswagen teve um pequeno problema com o software de gerenciamento de seus motores diesel e o combustível se transformou em um pária energético. Os planos foram cancelados, os projetos da Audi Sport, engavetados, e a Mercedes-AMG antecipou que nem chegará perto dos motores diesel.

No caso da Audi, o problema é que ela está diretamente envolvida com aquele problema da Volkswagen. Mas com a Mercedes-AMG há um outro motivo: uma experiência mal-sucedida no passado, mais conhecida como C30 CDI AMG.

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A Mercedes chegou a desenvolver um esportivo a diesel nos anos 1970, na série de conceitos C111, mas ela era apenas uma plataforma de testes que estudava alternativas de propulsão para o futuro. Entre elas estavam o motor turbodiesel e o motor rotativo Wankel. Eles até chegaram a fazer um teste de alta velocidade e longa duração, no qual o C111 III percorreu 500 km no circuito de Nardò com uma média de 322 km/h. No fim, o motor de cinco cilindros e três litros foi parar no sedã 300SD e nenhum modelo esportivo a diesel foi feito.

Isso só aconteceria em 2002, quando a Europa estava começando seu romance com os modelos a diesel de alto desempenho, e a Mercedes achou que seria uma boa ideia fazer uma versão esportiva movida pelo óleo combustível. Para isso eles usaram como base as modificações mecânicas do C32 Kompressor: rodas de 17 polegadas, amortecedores com mais carga, molas mais rígidas, discos de freio maiores, pinças de quatro pistões, rodas “staggered” com tala maior na traseira e pneus esportivos. O bodykit também era o mesmo, com novos para-choques e saias laterais AMG.

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A diferença estava sob o capô: em vez do V6 M113, o motor era o OM612 do C270 CDI. Originalmente com 2,7 litros, a AMG fez modificações extensas para transformá-lo em um motor digno de suas três letras e da assinatura de seus funcionários. O deslocamento foi aumentado para três litros com a adoção de um novo virabrequim para aumentar o curso dos pistões, o cabeçote foi retrabalhado para aumentar os dutos de lubrificação e arrefecimento, a taxa de compressão foi reduzida para permitir o aumento na pressão de trabalho do turbo.

Além disso, ele ainda usava um sistema de lubrificação por esguicho de óleo sob os pistões e o intercooler ar-ar foi substituído por um ar-líquido equipado com um termostato eletrônico que regulava a temperatura do fluido. Isso garantia a mesma temperatura de admissão independentemente da temperatura ambiente.

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A potência não era muito vistosa: “apenas” 231 cv a 3.800 rpm, enquanto o C32 AMG produzia 354 cv com seu V6 sobrealimentado. Sua principal qualidade, contudo, era o torque: 54,9 mkgf a 2.000 rpm. Uma máquina de fumaça capaz de chegar aos 100 km/h em 6,8 segundos e à máxima de 250 km/h. O C32 fazia o mesmo em 5,2 segundos, porém não conseguia igualar os 13 km/l do irmão a diesel.

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Com tudo pronto, o esportivo foi batizado como C30 CDI AMG e lançado nas versões sedã, perua e “sportcoupé” (aquele coupé/hatchback que a Mercedes fazia na época), com preços que partiam dos 49.600 euros em uma época em que o Audi S4 V8 custava 52.000 euros. Não era barato, mas ao menos era econômico.

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Acontece que, na época, ainda não havia preocupações com o fim do petróleo, nem impostos baseados em emissões e consumo e os clientes da AMG não se importavam em visitar o posto de combustível com mais frequência. Isso deixou claro que um modelo a diesel simplesmente não era adequado à linha AMG. Com a demanda abaixo do esperado, a Mercedes encerrou a produção do C30 CDI AMG no final de 2004, e a divisão esportiva nunca mais colocou suas mãos em motores a diesel.

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