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Mesma alma, corpos diferentes: os “gêmeos não-idênticos” do mundo automotivo – parte 1

Há pouco tempo, pedimos aos leitores do FlatOut exemplos de carros de marcas diferentes com carrocerias diferentes, porém com propostas parecidas e mesma plataforma — algo como o Mazda MX- 5 Miata e o Fiat 124 Spyder. Ainda que tenham motores e carrocerias diferentes, os carros usam o mesmo tipo de câmbio, a mesma plataforma (com mesmo entre-eixos) e até mesmo o interior dos dois se parece bastante.

Na verdade, o feliz casamento entre a Mazda e a Fiat nos inspirou a fazer esta pergunta. Como sempre, foram centenas de sugestões — e as melhores estão aqui!

 

Mitsubishi 3000 GT e Dodge Stealth

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Este foi um dos primeiros a serem lembrados, e não é por acaso: o Mitsubishi 3000GT, esportivo lançado em 1992, fez a infância de muita gente mais feliz em Gran Turismo.

Na versão VR4, a mais potente, o motor era um V6 biturbo com comando duplo nos cabeçotes, 24 válvulas, injeção eletrônica e dois turbocompressores para garantir 300 cv a 6.000 rpm e 42,3 mkgf a 2.500 rpm. Combinado a uma caixa manual de cinco marchas, o conjunto era o bastante para levar o 3000GT de zero a 100 km/h na casa dos cinco segundos. A tração era integral, e o carro tinha um sistema de 4WS (esterçamento das rodas traseiras).

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O que nem todo mundo sabe é que o 3000GT foi oferecido nos EUA e no Canadá como Dodge Stealth. Não é difícil entender o motivo: Chrysler (a dona da Dodge) e Mitsubishi eram parceiras nos anos 90. O Stealth era mecanicamente idêntico ao o 3000GT VR4, com modificações nos faróis e lanternas. Curiosamente, o 3000GT também era vendido nos EUA, mas não no Canadá.

 

Ford Mondeo e Jaguar X-Type

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Se, hoje em dia, Mondeo e o nome do Ford Fusion na Europa, o mesmo não podia ser dito da segunda geração do sedã, lançada em 2000 na Europa e importada para o Brasil entre 2003 e 2006, com motorização única — o 2.0 Duratec, de 143 cv. Sua passagem por aqui foi curta e ele não vendeu muito bem — algo que talvez não tivesse acontecido se os brasileiros recebessem a versão esportiva ST220, com um V6 Duratec de três litros e 206 cv.

De qualquer forma, na época a Ford ainda era dona da Jaguar e, para tentar atingir um público mais jovem (e um pouco menos rico), os britânicos decidiram criar um modelo baseado no Mondeo. Era o X-Type, que substituía as linhas modernas e angulares do Ford — que, na época, seguia o estilo New Edge de design, também presente no Ka e no Focus de primeira geração, entre outros — por formas mais clássicas, inspiradas no emblemático Jaguar XJ.

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Lançado em 2001, de início o X-Type só era oferecido com tração integral (o Mondeo só tinha tração dianteira) e duas opções de motor V6: 2.5 de 194 cv e 3.0 de 231 cv. No ano seguinte, foram apresentadas versões com motor V6 de 2,1 litros e 157 cv, e a diesel com motores de quatro cilindros e dois ou 2,2 litros, além de tração dianteira. Ainda que tenha sido um sucesso de crítica — seu estilo elegante e a dinâmica dos modelos 4×4 foram elogiados —, o X-Type não agradou muito ao público, que não aceitava muito bem um Jaguar baseado em um “reles” Ford Mondeo. De qualquer forma, o Jaguar X-Type permaneceu em linha, com versões sedã e perua, até 2009.

 

Chevrolet Corvette e Cadillac XLR

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Este aqui é meio desconhecido, mas exemplo e tanto. Todo mundo conhece o Chevrolet Corvette, cupê com motor V8 e carroceria de fibra de vidro (tudo bem que, há décadas, a Chevrolet emprega diversos outros materiais em sua construção) que é a cara dos esportivos americanos. Apresentada em 1996 e produzida até 2004, a quinta geração do ‘Vette foi a primeira da era moderna, e foi o primeiro carro produzido em série a usar chassi de aço hidroformado (mais leve e rígido); além de um dos pioneiros no emprego de amortecedores magnéticos.

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De qualquer forma, o que a geração C5 não tem em comum com nenhum outro Corvette é o fato de ter dado origem um carro diferente: o Cadillac XLR, que foi apresentado em 2003 e vendido até 2009. A plataforma é a mesma do ‘Vette e a carroceria também usa materiais alternativos como a fibra de vidro, mas todo o resto é diferente: o visual é retilíneo (como o de todo Cadillac lançado a partir de então), o interior é mais refinado (afinal, é um Caddy!) e a mecânica era exclusiva.

Enquanto o Corvette usava o V8 small block Chevy de 5,7 litros e 390 cv, o Cadillac era movido pelo V8 Northstar de 4,6 litros e 320 cv, acoplado a uma caixa automática de seis marchas. Havia, ainda, a versão XLR-V, com uma versão de 4,4 litros com supercharged do V8, capaz de entregar 450 cv. Nesse caso, o câmbio era manual, de cinco velocidades.

 

Ford Focus RS e Volvo C30 Polestar

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Este aqui é um dos exemplos mais recentes: hoje, a Volvo pertence à chinesa Geely e investe cada vez mais pesado em desenvolvimento de componentes e tecnologias próprias. Até o início dos anos 2010, no entanto, os suecos ainda faziam parte do grupo Ford e, como tal, dividiram diversas tecnologias e recursos. O melhor exemplo vem na forma de dois hot hatches: o Ford Focus RS e o Volvo C30 Polestar.

O primeiro é um carro bem real: o Ford Focus RS foi um dos mais ousados hot hatches do planeta em sua geração passada, lançada em 2009. Seu motor de cinco cilindros e 2,5 litros equipado com uma turbina Börg-Warner K16 operando a 1,3 bar entregava 305 cv, suficientes para levar o carro até os 100 km/h em 5,9 segundos, com máxima de 263 km/h. Tudo isto em um carro de tração dianteira que, com diferencial Quaife de deslizamento limitado Quaife (e um bom trabalho na suspensão dianteira McPherson), tinha comportamento dinâmico comparável ao de alguns rivais de tração integral, como o VW Golf R.

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O outro, por sua vez, não passou da fase de conceito. Só que ele é tão bacana que decidimos incluí-lo: o Volvo C30 Polestar, versão esportiva conceitual do belo hatch com tampa traseira de vidro apresentada em 2012. É bem sabido que o C30 e o Focus compartilhavam plataforma e mecânica — e, no caso do C30 Polestar, a Volvo caprichou: deu a ele o mesmo motor 2.5, mas a turbina foi substituída por uma KKK 26 de maior capacidade, e os pistões, bielas e o comando de válvulas da admissão foram modificados. Com as mudanças, o motor passou a produzir impressionantes 405 cv e 51,8 mkgf e o C30 passou a atingir os 100 km/h em apenas 4,9 segundos.

O C30 Polestar ganhou um sistema de tração integral Haldex com diferencial mecânico Quaife, amortecedores e molas Öhlins, freios Brembo com pinças de seis pistões na frente e quatro pistões na traseira, roas BBS FI de 19 polegadas com pneus Pirelli P Zero 235/35. Por dentro, ele recebeu bancos concha com couro Ternjsö e cintos de quatro pontos.

No entanto, a Volvo decidiu que não seria viável construir este carro, mesmo em edição limitada, e mesmo que fosse transformado pela Polestar em uma operação independente. Assim, tudo o que tivemos foi uma versão mais mansa, com tração dianteira e 253 cv.

 

Subaru Impreza WRX e Saab 9-2X Aero

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E os suecos atacam novamente — desta vez, com o Saab 9-2X. Os loucos pelo ronco borbulhante de um boxer turbinado sabem bem o que isto significa: que a versão perua Subaru Impreza WRX de segunda geração cedeu o motor, boa parte da carroceria e a plataforma para que a Saab o transformasse em um carro diferente, porém igual. Bem, não é disto que esta lista trata?

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Aconteceu em 2005, quando a Saab já ia mal das pernas financeiramente — e foi um belo malabarismo, diga-se. O Saab 9-2X, conhecido como “Saabaru”, era praticamente idêntico ao Subaru WRX Wagon da época, incluindo o flat-4 EJ25, com 2,5 litros, turbo e 230 cv e o sistema de tração integral. Apenas a dianteira era totalmente nova, a fim de dar ao carro uma identidade visual mais próxima à dos modelos da Saab. Isto só foi possível porque, na época, a Chevrolet era dona da Saab e também de 20% da Fuji Heavy Industries, o conglomerado do qual a Subaru faz parte.

 

Fiat 500 e Ford Ka

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Sim, é verdade. Estamos falando exatamente do Fiat 500 que você conhece: o pequeno hatchback retrô inspirado no 500 clássico que, em sua versão Abarth, é um delicioso pocket rocket com um motor 1.4 turbo de 160 cv. O Ford Ka, no entanto, não é aquele que você está acostumado a ver nas ruas do Brasil, e muito menos a nova geração, com quatro portas e versão sedã — os mais conservadores sequer gostam de chamá-lo de Ka.

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Estamos falando de um carro totalmente diferente, vendido apenas na Europa. Vendido desde 2008, o Ka de segunda geração europeu é tão diferente do 500 (lembra um New Fiesta menor, com traços da primeira geração do Ka) que, se você não soubesse, jamais imaginaria que não se trata de um Fiat com outra roupa.

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Ainda que o Ka tenha sido desenvolvido em conjunto pelas duas fabricantes e produzido na Polônia ao lado do 500, a Ford fez questão de disfarçar bem: os motores Fire de 1,2 litro e MultiAir de 1,4 litro, fornecidos pela Fiat, eram rebatizados como “Duratec” e “Duratorq”, respectivamente, enquanto o visual (tanto externo quanto interno) rompia com quaisquer elementos do simpático italiano.

Sabemos que você sentiu falta de outros carros, mas não se preocupe: como o título deste post diz, trata-se apenas da primeira parte da lista!

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