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Michel Vaillant, ou o Speed Racer francês

O filme “Fúria Sobre Rodas” (estes títulos abrasileirados…) é uma produção francesa, lançada em 2003, baseada em uma série de histórias em quadrinhos de 1957 – que é fabulosa e merece um post somente sobre isso. A série chamava Michel Vaillant, que também é o título original do filme e o nome do personagem principal. Michel Vaillant é o predecessor francês do Speed Racer, só que sem um carro com habilidades e recursos mirabolantes.

A história do filme não foge dos clichês nem cria nenhuma surpresa, e não se propõe a isso: em resumo, a equipe Vaillante compete em diversos eventos automotivos e enfrenta aventuras para contornar as malvadezas realizadas pela equipe rival, a Leader.

Mas a razão pela qual estou falando deste filme não é a sua história. Quando o assisti pela primeira vez, em 2005, estava no começo da minha carreira como fotógrafo. Esse filme mudou toda a minha percepção sobre cinema automotivo e os dois motivos principais foram a veracidade das cenas de velocidade e a fotografia fantástica.

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Acho que a coisa que mais me desanima em 99% dos filmes sobre carros é que, geralmente, as sequências de velocidade são captadas em baixa velocidade e depois são aceleradas na edição. Quando há muita diferença de velocidade entre a captação e a edição, o truque fica facilmente perceptível e a cena flui com aspecto de comédia pastelão do anos 1960. No “Fúria Sobre Rodas”, este recurso foi usado muito esporadicamente e de forma moderada – a maioria das cenas foi realmente filmada com velocidade real e complementada com um belo trabalho de direção, usando cortes rápidos e intercalando imagens externas, onboards e elementos voando na lente da câmera. A cereja do bolo é o belo trabalho de captação e tratamento de áudio.

Você sente veracidade e velocidade nas cenas – inclusive, uma parte do filme foi filmada durante a edição real das 24 Horas de Le Mans de 2002, solução que me lembra o clássico Grand Prix, de 1966. Mas, claro, nem tudo é tudo perfeito: existem algumas falhas de continuidade e umas cinco cenas irreais, que acabam sendo absorvidas pelo conjunto da obra – e há uma em específico (não vou estragar a surpresa), que é absolutamente ridícula e inverossímil.

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A fotografia foi um verdadeiro murro na cara pra mim. A escolha de planos, lentes e tratamento de cores me impressiona muito até hoje. Com certeza é um dos principais motivos para eu ter gostado tanto desse filme e ainda falar dele 11 anos depois do seu lançamento. Algumas características marcantes são os tons azuis das sombras, o céu bastante contrastado e o posicionamento agressivo das câmeras nas cenas de ação.

Infelizmente, por se tratar de um filme relativamente antigo e que não teve grande expressão aqui, não é tão fácil encontrar o DVD. Ganhei o meu há vários anos e a pessoa que me deu teve de suar um bocado para encontrá-lo. Há o longa completo disponível no YouTube, mas a qualidade é limitada e o áudio é dublado – por gente que não exatamente é entendida do assunto. Mesmo assim, vale a pena conferir.

 PS: Acho que poucas vezes refiz tanto uma coisa quanto o post de hoje. A ideia inicial do post, como acabei realizando, era falar sobre o filme Fúria Sobre Rodas. Mas, quando comecei a pesquisar para escrever, encontrei várias coisas interessantes sobre a origem do filme e seus personagens. Com essas novidades, estava mudando o foco do post para falar sobre isso. Porém, depois de refletir um pouco, resolvi me limitar ao filme. Então, caso queiram um post sobre a história por trás das cenas, deixem um comentário com o pedido.

 

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