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“Mini Remastered”: o novo restomod da David Brown Automotive é a reinvenção de um clássico britânico

Quem compra um Mini moderno, seja usado ou zero quilômetro, certamente se identifica com o original. O hatchback tem visual retrô que remete ao clássico britânico, embora seja obviamente um carro moderno, com proporções mais infladas, muita tecnologia embarcada e motores turbinados que passam dos 200 cv.

Os fãs mais fervorosos, porém, não se convenceram, mesmo após três gerações lançadas desde 2001. Eles dizem que, embora o carro produzido pela BMW seja um tributo muito digno ao Mini lançado em 1959 (e produzido até o ano 2000 sem maiores alterações de projeto), ele ainda é grande e pesado demais para ser considerado um Mini de verdade.

Qual é a solução óbvia? Procurar um Mini original, claro – qualquer um que já tenha guiado um exemplar do clássico pode confirmar que a experiência de conduzir um carro tão pequeno, leve e bem acertado é muito difícil de imitar. Por isto, se você quer ter a sensação de dirigir um Mini, terá de abrir mão de certas conveniências dos carros modernos. A não ser que compre um Mini Remastered, o novo lançamento da David Brown Automotive.

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Talvez você já tenha ouvido falar neles: trata-se de uma companhia britânica cujo dono é David Brown. O empresário tem o mesmo nome do homem que, em 1947, comprou uma fabricante de automóveis anunciada nos classificados de um jornal. Esta fabricante era a Aston Martin, e Brown ficou com ela até 1970 – não sem antes criar a emblemática linha de modelos que levam suas iniciais: os DB, sigla utilizada até hoje pela Aston.

A David Brown Automotive foi fundada em 2013. O fundador da companhia não tem parentesco algum com o ex-proprietário da Aston Martin, mas o primeiro modelo da David Brown Automotive foi um grand tourer baseado no atual Jaguar XK-R, porém com carroceria inspirada nos clássicos Aston Martin da década de 1960, como o DB5. O Speedback GT tem visual retrô com elementos modernos e um V8 supercharged de cinco litros e 510 cv, e parece um carro bem divertido de guiar.

Satisfeito com o resultado do Speedback GT, David Brown imediatamente começou a trabalhar em seu novo projeto. Também seria um carro genuinamente britânico mas, em vez de fazer outro carro moderno com visual clássico, ele pegou um clássico e deu a ele elementos modernos. Assim nasceu o Mini Remastered.

Ao olhar para ele, fica claro que se trata de um Mini das antigas. Mas você vai notar algumas coisas diferentes: a grade, que agora é bipartida por um friso vertical, e as lanternas traseiras, que são compostas por três lentes circulares empilhadas. No mais, parece um belo Mini restaurado, não?

Acontece que é mais do que isto: o Mini Remastered é um restomod – um carro restaurado com o qual foram tomadas certas liberdades, incorporando componentes modernos e ligeiras modificações estéticas. Não é algo que todo mundo aprecia, pois certas características do clássico são alteradas, mas neste caso o resultado é impressionante de todo jeito: o carro recebe um motor reconstruído, novo acabamento no interior e itens como ar-condicionado e navegador GPS, além de vários outros componentes novos.

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O ponto de partida, porém, é um Mini usado – de preferência, um exemplar fabricado depois de 1990, quando foi adotado o motor quatro-cilindros de 1,3 litro com injeção eletrônica e 63 cv. Originalmente, era o bastante para levar o carro de 700 kg aos 100 km/h em 12 segundos. Não é um desempenho alucinante em linha reta, mas o barato do Mini sempre foi e sempre será a agilidade com que ele contorna curvas, graças a seu entre-eixos apenas 203 cm, suspensão bem calibrada e eixos bem nas extremidades da carroceria.

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De qualquer forma, o motor original é completamente retrabalhado – bloco, cabeçote, componentes internos e periféricos – para tornar o desempenho do Mini mais próximo dos padrões atuais. Com isto, são 78 cv a 5.700 rpm, com torque de 13,6 mkgf a 3.900 rpm na versão básica, suficientes para chegar aos 100 km/h em 11,7 segundos. Não é um salto em performance, mas a empresa também oferece modificações mecânicas, incluindo um aumento no deslocamento para 1,4 litro (de 1.275 para 1.380 cm³) para chegar aos 90 cv. Em um carro de 740 kg, não se precisa de muito mais do que isto. A transmissão é manual de cinco marchas, mas a DB não especifica sua origem.

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O conjunto mecânico atualizado é só o começo, e sequer é o aspecto que mais chama a atenção no Mini Remastered. Olha só: a carroceria é nova, zero-quilômetro, fornecida pela British Motor Heritage – empresa especializada em fabricação de carrocerias de ícones britânicos desde 1975, com mais de 40 modelos disponíveis. É feita sobre os moldes originais, porém utiliza materiais mais resistentes e técnicas de montagem mais modernas na sua construção.

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A David Brown remove os frisos entre as soldas da carroceria, deixando o visual do carro mais limpo e eliminando um ponto de corrosão frequente entre os Mini. De qualquer forma, os painéis recebem tratamento anti-corrosão, além de reforços estruturais e uma boa camada de isolamento acústico (responsável por um aumento de cerca de 40 kg no peso do carro em relação ao original).

A atenção aos detalhes da carroceria é total: os itens cromados de acabamento são novos, assim como os faróis e as já citadas lanternas. O processo de pintura leva 4 semanas, totalizando 400 horas de preparação, aplicação de múltiplas camadas de pintura e finalização com verniz. São 13 opções de cores, sendo duas metálicas e 11 sólidas – estas, batizadas com nomes de canções clássicas do rock, como preto Fade to Black (Metallica), amarelo Crimson King (King Crimson) e roxo Laguna Sunrise (Black Sabbath).

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Há também diferentes opções de revestimentos de couro para o interior e também de rodas de 14 polegadas com desenhos inspirados em modelos clássicos, como as Minilite e as BBS populares na Europa durante as décadas de 1960 e 1970.

Não é preciso muito tempo dentro do Mini Remastered, porém, para perceber que outras coisas mudaram além do couro dos bancos. O painel recebe instrumentos modernos, porém com visual retrô, e uma central multimídia com tela sensível ao toque e integração com Apple CarPlay e Android Auto – perfeitamente integrado ao interior.  O console central abriga as saídas para o ar-condicionado digital, e são instalados alto-falantes de alta fidelidade.

Serão algo entre 50 e 100 unidades produzidas por ano – garantia de exclusividade, pois cada carro será feito segundo as especificações do comprador. Outro fator que certamente contribuirá para a raridade do Mini Remastered é o preço: o valor básico é £ 70 mil, ou o equivalente a R$ 272 mil em conversão direta.

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