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Car Culture

Mustang e Camaro compartilhando câmbio? Calma, isso não é novidade – e é mais comum do que parece.

Apesar dos universos completamente diferentes, futebol e automobilismo têm um elemento em comum: a rivalidade entre marcas/equipes. Nós até fizemos um post com as maiores rixas do mundo automotivo (se você ainda não leu, clique aqui) Na Austrália, a rivalidade Holden vs. Ford já foi chamada de “Guerra Civil” por Jeremy Clarkson e evidenciada no filme “Love The Beast”, de Eric Bana. Na Itália o negócio fica entre Ferrari e Lamborghini. Nos EUA, as três marcas locais dividem os entusiastas — há uma certa rixa entre o Corvette o Dodge Viper, e entre as picapes Ford, GM e Dodge (e, mais recentemente, Toyota), mas a mais acirrada delas talvez seja entre o Mustang e o Camaro.

Os pony cars disputam o mercado, as corridas e o coração dos fãs desde 1967, quando a Chevrolet lançou o Camaro como resposta ao sucesso do Mustang. Nesses 50 anos os dois tiveram uma trajetória muito parecida: foram sucessos instantâneos, passaram por um período de declínio, um breve esquecimento e ressurgiram com tudo  na década passada.

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Nas atuais gerações, os dois ganharam motores turbo de quatro cilindros — o Ford um EcoBoost 2.3 de 320 cv e o GM um Ecotec 2.0 de 272 cv — e, agora, os dois usarão um novo câmbio automático de dez marchas. Até aí tudo bem. Mas diferentemente dos motores, não se trata de uma coincidência, e sim do compartilhamento de peças. Sim: os rivais Mustang e Camaro usarão o mesmíssimo câmbio.

Quando a Chevrolet anunciou a nova caixa, parecia algo bastante exclusivo da GM. Ela foi batizada com um nome tradicional na marca, Hydra-Matic (que deu origem ao termo “hidramático” que seu tio usa para se referir a carros automáticos), e anunciada como sendo “mais rápida que o câmbio PDK da Porsche”.

No outro lado, a Ford também havia anunciado um novo câmbio de 10 marchas para a F-150 e para o Mustang. Parecia coincidência, mas quem tem boa memória deve lembrar que em 2013 as duas marcas anunciaram uma parceria para desenvolver duas transmissões: uma de nove marchas para carros de tração dianteira e uma de 10 marchas para modelos de tração traseira. É exatamente essa caixa que estará nos arquirrivais.

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Parece heresia, não? É meio como ver um Chevette com motor AP turbo, um Alfa Romeo com V8 Chevrolet, um Mini com motor Honda ou qualquer outro cruzamento de marcas daqueles que fazem os puristas terem síncopes nervosas.

Mas o objetivo aqui é o mesmo de toda joint-venture da indústria automotiva: reduzir custos. Ou melhor dizendo: dividir os custos do desenvolvimento para economizar uma pequena fortuna. Parece pouco inteligente dividir tecnologias com um rival do mercado, mas o fato de ter o mesmo projeto não significa que os câmbios serão exatamente iguais. Cada marca usará sua própria programação e configuração de relações, afinal, cada uma usará seu próprio motor.

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Tremec 6060

E apesar de reações exageradas nas redes sociais — especialmente nos EUA — esta não é a primeira vez que isso acontece. Na geração anterior os rivais já compartilhavam o câmbio manual de seis marchas Tremec 6060 (ou Magnum-6) — que também é usado pelo Dodge Challenger e é uma evolução do Tremec/Borg-Warner T56, usado pelo Dodge Viper, pelo Camaro e pelo Mustang desde meados dos anos 1990.

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Mustang Cobra usava o mesmo Tremec T56…

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… que a quarta geração do Camaro

Logo, apesar da rivalidade, o compartilhamento do câmbio não é algo exatamente escandaloso para os fãs dos carros. Na verdade, os fãs mais hardcore mesmo sabem que isso é algo absolutamente comum. Especialmente se tratando de câmbios, que são componentes comumente fornecidos por terceiros como Getrag, Aisin, Borg-Warner, ZF e Tremec.

Aliás, um dos câmbios mais populares do momento é o ZF 8HP de oito marchas, usado por BMW, Audi, Alfa Romeo, Jaguar, Land Rover, Bentley, Volkswagen, Rolls-Royce, Maserati, Dodge, Chrysler, Jeep e Iveco — logicamente com configurações e programações diferentes.

Então pode ficar tranquilo: seu muscle car favorito não está traindo suas raízes.

 

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