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Mustangs, Dodges, Cobras e picapes: conheça os carros da coleção pessoal de Carroll Shelby

Quando se é um entusiasta bom de braço e com muito dinheiro, não há limites para sua coleção de carros. Mas quando seu nome está vinculado a uma marca, a história é diferente. Você não espera encontrar Piero Ferrari dirigindo um Porsche. Ou Tonino Lamborghini a bordo de um Aston. Da mesma forma, tente imaginar Carroll Shelby no trânsito a bordo de um Corvette ou de uma Ferrari. Não dá. É impossível conceber tal imagem, especialmente vindo de um cara que conquistou as 24 Horas de Le Mans na investida mais americana da história da prova europeia.

Apesar de ter pilotado para a Aston Martin durante sua breve carreira de piloto, Shelby procurou se manter fiel às marcas nas quais fez sua história — incluindo a sua própria Shelby. Agora, passados seis anos desde sua morte, a coleção será leiloada no próximo dia 3 de junho, e graças a este leilão poderemos conhecer mais sobre os carros que Carroll Shelby guardava na garagem em seus últimos anos de vida.

 

Ford T “Depot Hack” 1927

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Se você está se perguntando o que Carroll Shelby fazia com uma “jardineira” em sua coleção, bem, saiba que ele não comprou este carro, mas o ganhou de uma entidade desconhecida, conforme o site da Bonham’s, casa responsável pelo leilão. Sendo um modelo 1927, este Modelo T já tem partida elétrica e a tradicional pintura preta com a carroceria de madeira envernizada. Um detalhe interessante é que o carro ganhou o escudo da equipe Terlingua Racing, formada por Carroll Shelby e pelo advogado texano David Witts nos anos 1960.

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Como todo Modelo T, este Depot Hack usa um motor quatro-cilindros de 2,9 litros, com um carburador Winfield e tem 35 cv. O câmbio tem apenas duas velocidades e usa uma engrenagem tipo planetária, enquanto a suspensão usa feixes de mola transversais sobre os eixos rígidos.

 

Ford Modelo A Sport Coupé 1931

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Reza a lenda que o Ford Modelo A foi o primeiro carro que Carroll Shelby dirigiu em sua vida. Ainda que este carro da coleção não seja o exato modelo dirigido por Shelby em sua primeira vez ao volante, ele certamente tinha um lugar especial na coleção.

Construído como uma evolução do Modelo T, ele também era equipado com um motor de quatro cilindros, porém com 3,3 litros em vez de 2,9, o que levava a potência para 40 cv a 2.200 rpm. O câmbio também era diferente, desta vez uma caixa com três marchas. Os freios eram a tambor como no Modelo T, mas também aplicados às rodas dianteiras.

 

Chrysler Airflow 1935

Um dos primeiros carros aerodinâmicos produzidos em série, este Chrysler Airflow foi comprado por Carrol Shelby no leilão da coleção de Steve McQueen, realizado em 1984, três anos após a morte do ator. O carro fora restaurado nos anos 1970 por McQueen, e ainda hoje mantém seu estado impecável e exibe apenas 59.000 milhas (94.950 km) no odômetro.

O exemplar é equipado com um motor oito-em-linha com válvulas laterais de 5,3 litros alimentado por um carburador simples de fluxo descendente para produzir 115 cv a 3.400 rpm. O câmbio é automático de três marchas e a suspensão usa um arranjo independente na dianteira e eixo oscilante na traseira.

 

DeSoto Firedome 1955

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O DeSoto Firedome foi um dos primeiros modelos a usar o novo motor V8 Hemi da Chrysler, com câmaras de combustão hemisféricas e válvulas no cabeçote. Era alimentado por dois carburadores e tinha 200 cv a 4.400 rpm. Tinha, porque Carroll Shelby o modificou para extrair o máximo do potencial deste motor, porém não há nenhum registro de quanta potência ele passou a produzir após a preparação. Por outro lado, este deve ser o único DeSoto Shelby da história.

 

Shelby Cobra 260 1962

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O primeiro de todos os Cobra, o chassi CSX2000, permaneceu com Carroll Shelby durante toda a sua vida. O carro foi usado para testar o desenvolvimento do modelo, e também foi o famoso carro que mudava de cor a cada apresentação à imprensa para parecer que a Shelby tinha mais carros do que realmente havia produzido.

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Foi nesse carro também que Carroll Shelby fazia sua famosa aposta de 100 dólares, prendendo uma nota na tampa do porta-luvas e desafiando seus caronas a pegar a nota durante a arrancada do carro. Reza a lenda que ele nunca perdeu os 100 dólares.

O carro permaneceu com Shelby até sua morte, em 2012, e foi vendido a um colecionador em 2016.

 

Shelby GT350H 1966

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O exemplar é um dos famosos “rent-a-racer” feitos para a locadora Hertz naquele ano. Curiosamente, Shelby não pegou seu GT350H na linha de produção. Em vez disso, ele comprou o carro usado do terceiro proprietário. Em 1968 o carro foi vendido pela Hertz, e a pessoa que o comprou da Hertz vendeu para um terceiro. Este terceiro proprietário instalou um novo quadro de instrumentos adicionais, novas tampas de válvulas, gaiola, um novo radiador, um novo spoiler traseiro e rodas de liga leve. Aparentemente ele gostou das modificações e arrematou o carro para seu uso diário.

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Em 2008 ele foi restaurado de acordo com as especificações originais — exceto as rodas, que foram mantidas — e foi colocado em exposição na sede da Shelby, em Las Vegas.

 

 

Lincoln Continental Conversível 1967

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Símbolo de luxo e status nos EUA dos anos 1960, este Lincoln Continental era a resposta da Ford ao Cadillac DeVille na briga pelo segmento de topo do mercado americano. Por isso, ele era equipado com um imenso V8 de 7,6 litros e 340 cv, combinado ao câmbio automático de três marchas.

Este exemplar da coleção de Shelby tem o esquema de cores monocromático — teto, revestimento interno e carroceria todos azuis — e ainda é equipado com diferencial de deslizamento limitado, ar-condicionado e rádio FM com leitor de cartuchos (8-track). Não se sabe ao certo por quanto tempo Shelby teve este carro, mas uma hipótese é que ele tenha escolhido este carro zero-quilômetro, uma vez que ele foi feito por encomenda na época em que Shelby ainda mantinha sua parceria com a Ford, e ainda ostenta apenas 61.000 milhas (92.000 km) no odômetro.

 

Shelby GT350 1968

Apesar de ser o criador do GT350, Carroll Shelby nunca se preocupou em guardar um exemplar novo para si — afinal, estamos falando de negócios aqui. Este GT350 1968 foi comprado por um californiano chamado Carl Trautman, que ficou com o carro até o início da década passada, quando foi comprado pelo próprio Shelby.

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Como todo GT350, ele é equipado com o motor Windsor 302 (cinco litros) modificado com um coletor de admissão de alumínio, carburador Holley de corpo quádruplo e comandos de válvulas de maior duração. A potência final era 250 cv a 6.000 rpm, que era enviada às rodas traseiras por meio do câmbio manual de quatro marchas.

 

Shelby GT500 1969

Outro Shelby GT comprado usado por Carroll Shelby foi este GT500 1969. Ele foi o quarto proprietário do carro, que foi comprado novo em 24 de julho de 1969 por um californiano chamado A. Rothschild. O curiosamente o carro voltou para a Shelby em agosto do mesmo ano, e de lá foi revendido ao ator Jackie Cooper, que o pintou de vermelho e removeu as faixas laterais. Depois o carro passou a um terceiro proprietário e chegou às mãos de Shelby nos anos 1980.

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O motor, como todo GT500 1969, é o V8 Cobra Jet Ram Air de sete litros, 335 cv e 61,4 kgfm, combinado ao câmbio automático C-6 de três marchas.

 

Shelby GT500 1969

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Sim, Carroll Shelby teve dois GT500 1969 em sua coleção. E este segundo também é vermelho, porém com faixas brancas nas laterais. Este exemplar chegou mais tarde às mãos de Carroll Shelby, porém permaneceu muito mais tempo com seu primeiro proprietário, o que permitiu um registro mais detalhado do carro.

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Por exemplo, ele foi comprado em 29 de janeiro de 1969, e teve suas rodas substuídas em um recall da Shelby em junho de 1969, quando já somava 5.278 milhas (8.494 km), e a tampa do tanque de combustível também trocada em um recall em outubro daquele ano, às 9.156 milhas (14.735 km). O carro foi vendido em 1997 com 59.140 milhas (95.176 km) ao seu segundo proprietário, que ficou com ele até 27 de abril de 2010, quando Carroll Shelby finalmente colocou suas mão novamente no GT500, agora com 63.767 milhas (102.623 km). O carro jamais foi restaurado e ficava na sede da Shelby em Las Vegas.

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O motor, como o outro GT500, é um V8 de 7 litros com quadrijet da Holley, 335 cv e 61,4 kgfm, porém o câmbio é o bom e velho manual de quatro marchas.

 

Shelby GT350 Conversível “Continuation” 1966/1980

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Não estranhe a quebra da sequência cronológica: este GT350 é um modelo 1966, porém foi construído em 1980, quando a Shelby decidiu produzir 12 exemplares de continuação do esportivo usando números de série na sequência dos originais de 1966. Para isso eles selecionaram 12 Mustang conversíveis 1966, desmancharam o carro inteiro e instalaram uma série de motores 289 “Hi-Po” (código K) novinhos que Shelby encontrou no estoque da Ford em Detroit.

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O V8 de 4,7 litros usava um quadrijet Holley para produzir 306 cv a 6.000 rpm — uma potência consideravelmente mais alta que o GT350 original. O câmbio nesse caso é automático de três marchas, mas os clientes poderiam optar pelo manual de quatro marchas. Todos foram pintados de azul com faixas brancas ou branco com faixas azuis.

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Por dentro eles foram sutilmente modernizados, com rádio estéreo e bancos de couro mais parrudos. Este carro nunca chegou a ser vendido e pertenceu a Shelby desde zero. Ele foi mantido no saguão do cassino Imperial Palace em Las Vegas durante os anos 1990 e depois foi devolvido à sede da Shelby American na mesma cidade, onde ficou até agora.

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Segundo a Bonham’s, o V8 289 ainda recebeu alguns upgrades de seu experiente proprietário, e exibe um cilindro de óxido nitroso (N.O.S.) no porta-malas.

 

Dodge Shelby Charger – protótipo – 1982

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No início dos anos 1980 a Dodge, então liderada por Lee Iacocca, chamou Shelby para desenvolver as versões esportivas dos modelos da marca. Os dois já haviam trabalhado juntos na Ford nos anos 1960 e a parceria foi retomada com uma versão do Dodge Charger dos anos 1980, que começou com este protótipo.

As modificações começaram com o aumento da taxa de compressão do motor 2.2 e um novo comando de válvulas. A potência subiu apenas 13 cv, chegando a 110 cv. O câmbio de cinco marchas tinha relações mais próximas que as originais e um novo escape menos restritivo foi instalado para encorpar o ronco do carro. O desempenho não era assombroso, mas estava ok para um esportivo pós-crise do petróleo: zero a 100 km/h na casa dos 9 segundos e velocidade máxima de 200 km/h.

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O verdadeiro objetivo do projeto era refinar a dinâmica do carro, aumentando a precisão e as respostas dos comandos. Por isso ele também tem uma caixa de direção mais direta, e a suspensão ganhou molas mais curtas e rígidas, que rebaixaram o carro em 2,5 cm. Os pneus também foram trocados por novos Goodyear Eagle GT de perfil baixo, e os freios ganharam discos ventilados na dianteira. Por fora ele recebeu um bodykit, um duto de admissão funcional, saias para reduzir a sustentação aerodinâmica e um spoiler traseiro para equilibrar a traseira do carro em velocidade.

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O carro ficou pronto em 1982 e foi usado por pouco mais de 13.000 milhas (20.900 km) durante os testes de desenvolvimento e, depois do trabalho, acabou ficando com Shelby.

 

DeTomaso Pantera GTS 1983

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Que outro supercarro europeu Carroll Shelby poderia ter se não o De Tomaso Pantera e seu V8 Ford? Pois este exemplar 1983 é um dos únicos 138 GTS que foram parar nos EUA após o fim da parceria entre a Ford e a DeTomaso para vender o Pantera nas concessionárias Lincoln-Mercury.

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A combinação de vermelho com a base preta nos parece uma provocação à Ferrari, mas talvez seja apenas coincidência, uma vez que os De Tomaso eram todos pintados neste esquema de dois tons na época. O motor é o Ford V8 351 (5,7 litros) de 270 cv a 5.400 rpm que, combinado ao transeixo ZF de cinco marchas, era capaz de levar o supercarro italiano aos 100 km/h em quatro segundos e à máxima de 260 km/h. O carro de Shelby tem apenas 7.350 milhas (11.830 km) e permanece todo original, apesar do proprietário.

 

Shelby Ram – protótipo – 1983

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Outro protótipo da Dodge que ficou na coleção de Shelby foi esta Ram anabolizada. A picape teve seu banco inteiriço substituído por um par individual, um novo volante, rádio PX e luzes auxiliares independentes. A suspensão foi rebaixada para reduzir o centro de gravidade e tornar a picape mais ágil em velocidade, e o motor 5.2 original foi substituído por um novo 5.9 com taxa de compressão elevada e comando de válvulas mais agressivo, além de um novo carburador Holley 600 CFM e uma admissão Holley Street Dominator. O resultado foram mais de 300 cv despejados no eixo traseiro pela transmissão automática Torqueflite 727 que levavam a picape aos 100 km/h na casa dos sete segundos.

O carro foi usado por 11.000 milhas (17.700 km) durante o desenvolvimento da versão esportiva da picape e, como o Shelby Charger, foi passar sua aposentadoria nas mãos de Carroll Shelby.

 

Shelby Charger GLH-S 1987

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Para marcar o fim da produção do Dodge Charger em 1987, Carroll Shelby comprou as últimas 1.000 unidades do carro e criou o Charger GLH-S (que, dizem, significa Goes Like Hell and Some more). O motor era o 2.2 usado na época, porém com turbo e intercooler, uma nova admissão, novas válvulas injetoras e pressão máxima de 0,85 psi que resultaram em 175 cv e 24,1 kgfm.

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A suspensão ganhou amortecedores Koni ajustáveis e barras estabilizadoras mais espessas. Os pneus aumentaram de 195 para 205 mm de banda e as rodas Centurion II cobriam os discos de freio ventilados. Eles foram oferecidos somente na cor preta com interior cinza, e tinham ar-condicionado e teto solar.

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Este exemplar da coleção de Shelby é o número 001, como indica a plaqueta em seu painel, e pertenceu a Carroll desde zero.

 

Dodge Shelby Lancer 1987

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Naquele mesmo ano de 1987 a Dodge lançou o Shelby Lancer, que usava o mesmo 2.2 turbo do GLH-S, de 175 cv e 24,1 kgfm. A receita de suspensão e freios era a mesma: amortecedores esportivos, nesse caso os Monroe Formula GP, molas mais rígidas e barras estabilizadoras mais espessas. As rodas de 15 polegadas calçavam pneus Goodyear de 205 mm.

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A diferença do Shelby Lancer para seus irmãos esportivos estava no interior: ele tinha retrovisores elétricos, vidros e travas elétricas, sistema de áudio Pioneer com 10 alto-falantes, equalizador gráfico e 120 watts de potência, bem como ar-condicionado e teto solar.

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Foram feitos apenas 800 exemplares deste modelo — 400 automáticos e 400 manuais — e Carroll Shelby ficou com o primeiro deles. Pelo jeito o texano gostou de sua criação: o carro tem 50.000 milhas marcadas no odômetro (80.470 km) e é o carro mais usado por Shelby desta coleção.

 

Dodge CSX 1987

Era praticamente uma versão de duas portas do Lancer. Foram feitos somente 750 exemplares idênticos: pintura de dois tons preta e prata, grade exclusiva, saias laterais e spoiler traseiro. Carroll Shelby ficou com o primeiro deles e também o usou com frequência, como denuncia o para-choques traseiro com marcas de um esbarrão.

 

DeTomaso Pantera GT5-S 1987

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No final dos anos 1980 Bob Lutz, Lee Iaccoca e Carroll Shelby se uniram para criar uma versão moderna do Cobra na Dodge. Este carro acabaria se tornando o Dodge Viper, lançado em 1992. Seu desenvolvimento, contudo, começou muito antes, em 1987 e este Pantera GT5-S foi um dos primeiros passos no processo: ele serviu de plataforma de testes para os powertrains imaginados para o Viper.

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Entre estes powertrains estava uma versão biturbo do V8 5.9 da Dodge, que se mostrou promissor no Pantera GT5-S e tinha tudo para ser o motor que equiparia a versão final do Viper. Contudo, durante o processo Shelby se afastou para tratar de sua saúde e a Dodge decidiu fazer um V10 baseado no motor picape Ram porque achou que o número incomum de cilindros daria um apelo mais exótico ao carro.

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Atualmente o carro está sem motor, como denuncia sua traseira alta, do jeito que foi guardado por Shelby nos últimos 30 anos.

 

Dodge Shelby Dakota – protótipo 1988

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No final dos anos 1980 a Dodge Dakota ganhou uma versão Shelby, e seu desenvolvimento foi feito neste protótipo que integrava a coleção de Carroll Shelby. O carro originalmente usava um V6 de 3,9 litros, mas recebeu um V8 5.2 que, graças ao uso de ventiladores elétricos para o radiador, ganhou 5 cv extras e chegou aos 175 cv. Parece pouco hoje, mas era um número razoável para a época — especialmente se você considerar que o V6 tinha 110 cv.

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A picape também recebeu um diferencial de deslizamento limitado, radiador do óleo da transmissão, rodas de liga leve e um bodykit que amenizava os efeitos aerodinâmicos indesejados em uma picape deste tamanho. A aceleração de zero a 100 km/h era cumprida em 8,5 segundos.

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O exemplar da coleção rodou menos de 15.000 milhas (24.140 km) e, como os demais protótipos, foi mantido sob a posse de Shelby desde o fim do desenvolvimento da picape até a morte do preparador.

 

Dodge CSX VNT 1989

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Esta foi uma versão ainda mais limitada do CSX: o nome VNT é a sigla em inglês para turbo de geometria variável, uma tecnologia adotada por Shelby para reduzir o turbo lag do CSX, e que se tornou popular há alguns anos, especialmente nos Porsche.

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A potência e o acerto da suspensão são exatamente os mesmos do CSX comum, somente o turbo é que muda, bem como o torque, que subiu de 24,1 kgfm para 28,3 kgfm a 2.000 rpm. A combinação de cores também é única e exclusiva da versão.

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O modelo na coleção de Shelby é o primeiro dos 500 exemplares produzidos, e passou a vida inteira ao lado dos irmãos número 1 de séries especiais no QG da Shelby em Las Vegas.

 

Shelby Dakota 1990

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Quando a picape Shelby Dakota começou a ser produzida, Carroll Shelby por algum motivo não ficou com o primeiro exemplar, que acabou vendido a um cliente comum. Porém mais tarde Shelby conseguiu localizá-la e a recomprou, colocando-a para trabalhar como veículo pessoal e para transporte de insumos da Shelby American.

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Em meados dos anos 1990 a picape foi aposentada e colocada no Shelby Museum Collection, antes de ter sido vendida a um colecionador em 2016, quatro anos após a morte de Shelby.

 

Aurora V8 Can-Am 1997

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No início dos anos 1990 Shelby decidiu projetar um carro de corrida de baixo custo com mecânica Dodge para equipes independentes. Os carros usavam um V6 de 3,3 litros da Dodge em uma configuração de 260 cv e deram início a uma categoria monomarca disputada pelo SCCA entre 1991 e 1997.

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Shelby queria fazer duas versões do carro, uma com este V6 e outra com um V8 de 500 cv. Ele chegou a fabricar um conceito com o motor V8 batizado como Shelby Aurora V8 Can-Am, usando o motor V8 de comando duplo no cabeçote da Oldsmobile, o mesmo que mais tarde seria usado no Shelby Series 1. O carro chegou a ser testado em Willow Springs, mas a categoria foi encerrada e ele acabou se tornando o único exemplar com motor V8.

 

Shelby Cobra 427 1965 Continuation

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No final dos anos 1980 a Shelby iniciou a produção da série de continuação do Cobra original. Conhecidos como CSX4000, estes carros foram produzidos por quase 20 anos com chassis novos e componentes que restaram de estoque antigo na Shelby. O dono do negócio, claro, ficou com um destes, mas não desde novo.

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O chassi CSX4194 foi construído em 1999 como fruto de uma parceria entre a Shelby American e a Playboy Enterprises, e foi concedido como prêmio à Playmate do ano, Heather Kozar. A moça ficou com o Cobra somente por alguns meses e logo fechou negócio com o próprio Carroll, que recomprou o carro e o colocou em sua coleção.

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O carro usa carroceria de alumínio e o motor V8 427 (7 litros) de 410 cv a 6.000 rpm combinado ao câmbio manual de quatro marchas. Por algum motivo Shelby quase não usou o carro, que permaneceu com 974 milhas (1.567 km) desde então.

 

Shelby Series 1

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O Shelby Series 1 foi a primeira tentativa da Shelby de fazer um carro próprio do zero, sem utilizar um outro modelo como base. Nós contamos sua história aqui, e embora ele fosse adequado para a época, ele não deu muito certo e acabou esquecido pelo passar dos anos.

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O primeiro de todos os exemplares, o chassi CSX5001, acabou guardado com Carroll Shelby desde 1999. Pintado de prata com faixas azuis, o carro tinha um interior provisório com bancos Sparco e cintos de quatro pontos, e ainda serviu de protótipo para o motor supercharged, que se tornou um opcional e levava a potência do carro aos 460 cv.

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Este exemplar de Carroll Shelby, claro, tinha uma pimenta extra, que levou a potência para 600 cv e baixou o tempo de zero a 100 km/h para 3,2 segundos. O carro até que foi bem usado por Shelby, com 10.085 milhas no odômetro (16.230 km).

 

Shelby GT500 KR

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Lançado em 2008 para comemorar os 40 anos do primeiro GT500KR, esta edição de 2008 foi mais uma das tantas colaborações entre Shelby e a Ford. Equipado com o motor 5.4 supercharged do GT500, ele ganhava um novo mapa de gerenciamento do motor e um novo coletor de ar frio para aumentar a potência em 40 cv e chegar aos 550 cv. A Ford Racing forneceu amortecedores, barras estabilizadoras e a uma barra de amarração, bem como o acerto da divisão SVT.

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Diferentemente das séries especiais, este não foi o primeiro exemplar da série, mas um presente da Ford ao preparador texano em seu 85º aniversário. Por isso ele tem o número de série JAN112008 (11 de janeiro de 2008), uma referência à data comemorativa. O carro rodou apenas 150 milhas (241 km) em seus dez anos.

 

Shelby GT500 Super Snake 2012

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Este foi o último carro de Carroll Shelby, produzido no mesmo ano em que o texano morreu. Foram feitos menos de 500 exemplares destes super Mustangs e Shelby ficou com o primeiro produzido naquele ano, com número de série 12SS0001. Ele é equipado com o mesmo 5.4 supercharged do KR, porém com um compressor de maior volume e com maior pressão de trabalho para chegar aos 750 cv.

Apesar de ter sido construído no ano da morte de Shelby, o carro rodou quase 1.000 milhas (1.600 km) antes de ser guardado.

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