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Car Culture

Não seria legal ter na garagem o Audi Quattro de Nigel Mansell?

Em 1984, Nigel Mansell morava em Por Erin, uma pequena cidade no sul da Ilha de Man — sim, o mesmo território onde ocorre a famosa Tourist Trophy de Isle of Man, corrida de motos realizada em um dos mais brutais circuitos de rua do planeta. O piloto britânico passou 11 anos de sua carreira na Fórmula 1 morando no vilarejo, onde era um policial voluntário quando não estava na pista. Sério!

E ele devia ser o policial voluntário mais descolado do mundo. Sabe por quê? Por que, logo que foi morar em Isle of Man, Mansell comprou um Audi Quattro. E vai dizer que até mesmo o piloto mais tiozão da Fórmula 1 não se tornaria um cara descolado com um especial de homologação do Grupo B na garagem?

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O Audi Quattro você deve conhecer — andamos falando nele bem recentemente por aqui, na primeira parte da lista com os widebody mais incríveis do planeta (e vai ter parte 2, claro). Ele surgiu em 1980 como uma versão esportiva do Audi 80 Cupê e, com tração integral, virou o mundo do rali de cabeça para baixo — em 1982, todos os carros que competiam no WRC, o Mundial de Rali, tinham tração traseira. Depois de seu título naquele ano, a tração traseira tornou-se crucial para ter um carro de rali competitivo.

Então, qualquer um que compre um Audi Quattro é alguém que merece respeito.

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O Audi Quattro de Nigel Mansell é um exemplar 1984 — ele o comprou novo em 13 de junho de 1984 e, de acordo com a Silverstone Auctions, provavelmente o vendeu pouco antes de entrar para a Williams, ou seja, em 1985 — ano em que conquistou sua primeira vitória, o Grande Prêmio da Europa, disputado em Brands Hatch, no Reino Unido. A Silverstone Auctions leiloou o carro durante o Silversone Classic 2016, que aconteceu no dia último dia 30, no circuito de Silverstone. A casa de leilões estimava um valor de arremate entre £ 25 mil e £ 30 mil, ou algo entre R$ 108 mil e R$ 130 mil em conversão direta. No fim das contas, ele alguém o levou para casa por £ 26.438, ou R$ 114.861.

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Não se sabe muito mais a respeito do período no qual Mansell ficou com o Quattro, que foi registrado com a placa “1 DWP”. Mas uma coisa é certa: se um carro é bom o bastante para Nigel Mansell comprá-lo zero-quilômetro, certamente é bom o bastante para você. Ou até bom demais.

Sendo um exemplar 1984, o Quattro de Mansell tinha acabado de receber uma pequena atualização no visual do interior, com linhas mais modernas no painel — que trazia um cluster digital de LCD na cor verde introduzido em 1983. O motor era um cinco-cilindros turbo de 2,1 litro com cabeçote de dez válvulas e 200 cv. Era o bastante para chegar aos 100 km/h em 7,1 segundos, com máxima superior a 220 km/h. O motor era acoplado a uma caixa manual de cinco marchas, e ainda havia o sistema de tração integral permanente quattro (assim mesmo, com “q” e não “Q”) garantindo um carro de excelente dinâmica. Mansell deve ter aproveitado bem o brinquedo.

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Depois que o piloto britânico de F1 se desfez do carro, sua história fica um tanto obscura. Sabe-se que o carro teve outros cinco donos depois de Nigel Mansell, todos no Reino Unido, onde o carro foi registrado pela primeira vez em fevereiro de 1985. A Silverstone Auctions também descobriu que, em junho de 1993, o carro recebeu a placa “A154 DWP” que ostenta hoje, e que em abril de 1995 uma seguradora declarou a perda total do Audi Quattro, justificada pelo “roubo de componentes do carro”.

A seguradora acredita que os componentes roubados eram de menor importância, visto que o bloco original e os bancos do carro ainda são os originais de fábrica. O carro também tem a suspensão 20 mm mais baixa e as rodas de 8” de largura introduzidas em março de 1984, quando mês no qual o Quattro foi fabricado.

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De qualquer forma, o carro continuou rodando até 2003. A partir daí, ficou encostado por oito anos até ser comprado por seu último proprietário registrado, em novembro de 2011. De acordo com a agência de leilões, o dono tinha uma oficina de restauração de carrocerias e bons contatos, tento fabricado e adquirido componentes novos para uma cuidadosa restauração.

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O motor também recebeu atenção especial, com um novo viabrequim, coletor de escape Dialynx, embreagem e volante do motor novos, radiador e intercooler recuperados, sistema de escape Milltek Sport de aço inox e componentes internos substituídos. A suspensão também foi refeita, com novas buchas, suportes e balljoints. Estima-se que, só em componentes mecânicos, foram gastos £ 15.000, ou pouco mais de R$ 65 mil em conversão direta.

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O interior também envelheceu muito bem, ainda que tenha recebido o volante de um Audi Quattro pós-1989. Outra modificação estética são as rodas — as originais foram trocadas por um jogo de Ronal R8 de 15×8 polegadas. No mais, estamos falando de um carro muito bem preservado para seus mais de 186 mil km marcados no hodômetro.

O carro ainda acompanhava o documento de registro original no nome de Nigel Mansell, além de um recibo de pagamento de imposto, também em nome do piloto. Certamente o novo dono deste Audi Quattro levou para casa um belo pedaço de história da Fórmula 1, de certo modo — e também uma bela máquina para acelerar por aí. Só desejamos que cuide bem dela e não a deixe parada em alguma coleção!

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