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Need For Speed III: Hot Pursuit  está ganhando um remake não oficial — feito por russos!

Com seu visual influenciado por Velozes e FuriososNeed For Speed Underground pode até ser meio ridículo hoje em dia, mas é um clássico e ajudou a formar a atual geração de entusiastas, não tenha dúvida disso. Mas há quem acredite que NFS de verdade é Need For Speed III: Hot Pursuit, de 1998, com seus carros exóticos e perseguições policiais em altíssima velocidade.

Desde o lançamento do game já são longos 16 anos, mas agora uma equipe independente de desenvolvedores russos está fazendo um remake do jogo com gráficos e tecnologia de 2014, porém a jogabilidade clássica do fim da década de 90. Estamos falando de Cry For Speed.

A princípio, nada faz muito sentido neste projeto russo. “Cry For Speed”, que raio de nome é esse? E por que fazer um remake se a própria EA Games já lançou Hot Pursuit 2 em 2002 e o “reboot” Hot Pursuit em 2010? Calma, que tudo vai ficar mais claro daqui a pouco.

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Segundo os autores do projeto, Cry For Speed é um projeto feito por fãs, para fãs do NFS III original e não tem nenhum objetivo financeiro por trás — a única intenção é recriar um clássico usando meios modernos. Para isso, a equipe escolheu a CryENGINE — engine desenvolvida pela CryTek para o FPS (First Person Shooter, ou tiro em primeira pessoa) Far Cry, de 2004. A CryENGINE ficou famosa em sua segunda geração quando foi a base para Crysis que, em 2007, era considerado um dos games mais exigentes da época em termos de hardware — quem se lembra da infame pergunta “roda Crysis?” para medir a força de um PC?

Pois bem, Cry For Speed usa a CryENGINE 3, lançada em 2009 e utilizada em Crysis 2 — daí o nome do game. A CryENGINE 3 é uma das mais poderosas entre as engines gráficas gratuitas — para computador, porque a versão para consoles domésticos é paga. Contudo, é mais do que o suficiente para garantir gráficos extremamente bem feitos e detalhados.

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Mas isto não nos explica por que os criadores do game decidiram entrar nessa. A resposta é simples: muita, muita gente mesmo, gosta dos games antigos só pela nostalgia (eu mesmo estou pensando em resgatar minha cópia de NFS 3 neste exato momento), mas nem sempre o visual datado de alguns títulos é o suficiente para manter o apelo. Sendo assim, remakes normalmente fazem bastante sucesso entre este público.

Só que as grandes desenvolvedoras costumam colocar em seus remakes muitos bônus e recursos extras que são legais, claro, mas atrapalham um pouco a experiência nostálgica, especialmente na jogabilidade. Sim, os gamers movidos pela nostalgia são exigentes (ou só chatos, mesmos).

É por esta razão que mods fazem tanto sucesso: os modders pegam um game antigo e dão a ele uma cara mais atual — não falta gente especializada em modelagem 3D que usa seus conhecimentos exclusivamente para isto —  mas mantém a jogabilidade intacta.

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Só que Cry For Speed é mais do que isso: eles estão fazendo o game todo do zero, usando os mesmos carros, as mesmas pistas e as mesmas músicas do Need For Speed III: Hot Pursuit original — tudo devidamente reconstruído com a CryENGINE 3.

Eles conseguiram (não sabemos como) os arquivos das pistas originais — com todas as texturas e objetos animados, bem como os carros modelados (boa parte deles importados de games mais modernos, como Forza 4 — e as músicas originais em formato FLAC (sem compressão e em alta qualidade).

A lista de carros é praticamente uma seleção dos sonhos para qualquer um que tenha crescido no fim da década de 90, e é praticamente idêntica à original:

  • Aston Martin DB7
  • Chevrolet Corvette C5
  • Ferrari 355
  • Italdesign Alfa Romeo Scighera
  • Lamborghini Countach
  • Lamborghini Diablo SV
  • Mercedes CLK GTR
  • Ferrari 456M
  • Ferrari 550 Maranello
  • Jaguar XJR-15
  • Jaguar XK8
  • Jaguar XKR
  • Lister Storm
  • Mercedes SL600
  • Spectre R42

Hoje em dia os games de corrida têm centenas de carros, mas há 16 anos — convenhamos, uma eternidade no mundo dos games — esta seleção era matadora. Na verdade, para quem prioriza qualidade sobre quantidade, nunca deixou de ser. Ainda mais com a adição do McLaren F1 que, apesar de não estar disponível no game original, costumava ser inserido usando mods. Certas coisas nunca mudam.

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Até agora, a equipe (que tem alguns membros bem experientes, trabalhando com modelagem 3D há mais de 10 anos) finalizou uma pista — Hometown, a primeira e mais icônica do jogo — e divulgou um vídeo de demonstração:

O desenvolvimento de Cry For Speed ainda está no estágio inicial, mas o grupo planeja lançar uma versão alfa para download em breve. O site da equipe está parado desde o ano passado, mas as atualizações sobre o andamento do game continuam sendo postadas na página do projeto no VK — a rede social russa que, segundo andam dizendo, está para um refúgio para quem não quer mais saber do Facebook. Tudo em russo, claro.

De qualquer forma, adoraríamos ver Cry For Speed finalizado. A proposta é nobre, e jogar um game de 1998 com gráficos de 2014 só pode ser uma experiência no mínimo interessante.

 

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