Nesta ladeira em Pernambuco, os carros descem para cima

Leonardo Contesini 15 abril, 2014 87
Nesta ladeira em Pernambuco, os carros descem para cima

O que acontece se você parar seu carro em uma ladeira, desengrenar as marchas e soltar os freios? Ele irá descer, certo? Em qualquer lugar do mundo é exatamente isso o que aconteceria. Mas não nesta ladeira na Serra do Araripe em Pernambuco. Nela, um carro em ponto morto e sem freios “desce para cima”. Como assim?

Existe um trecho em descida na rodovia PE-122, próximo a cidade de Exu/PE, onde os carros que ali param começam a subir a ladeira em vez de descer. O lugar virou um ponto de parada para os viajantes que passam por ali e desejam ver com os próprios olhos as leis da física serem derrubadas. Duvida? No YouTube há vários destes vídeos, e o “mistério” levou até um programa da TV local a fazer o teste. Veja só:

Aposto que você ficou confuso. Mas como quase tudo no mundo, existe uma explicação lógica para isso. Esse fenômeno acontece em vários pontos do planeta, que são conhecidos como ladeira gravitacional.

O que acontece ali é que, na verdade, a reta não é uma descida, e sim uma subida. É o relevo do entorno da pista que faz com que ela pareça um declive.

Nesse caso, por exemplo, a reta tem um ângulo de inclinação baixíssimo, porém constante por toda a sua extensão. A serra ao fundo oculta a linha do horizonte, tirando nossa referência visual do plano, e para completar, a subida mais acentuada vista ao fundo ajuda a reforçar a impressão de que se trata de uma descida.

Esse fenômeno é observado em vários lugares do mundo — no Brasil outra ladeira gravitacional é a famosa Rua do Amendoim, em Belo Horizonte/MG. Ali o efeito é reforçado por duas ruas vizinhas que têm inclinação mais acentuada, ângulos oblíquos em relação à ladeira gravitacional e, novamente, pela ausência de referência visual do horizonte.

Há quem atribua este fenômeno a “um magnetismo muito forte” — esta é a explicação mais difundida para outra ladeira gravitacional brasileira, a Ladeira do Amendoim em São Tomé das Letras. A explicação, contudo, não tem nenhum embasamento científico.