Nissan 240Z 432: um sleeper de fábrica com motor de Skyline GT-R

Dalmo Hernandes 17 fevereiro, 2017 0
Nissan 240Z 432: um sleeper de fábrica com motor de Skyline GT-R

Boa parte dos projetos que os entusiastas imaginam, admiram e executam envolve o famigerado engine swap. Afinal, trocar o coração de um carro pode ser, em alguns casos, não só a melhor maneira de conseguir potência extra como também uma forma especial de se alterar completamente a experiência do automóvel, seja no ronco, seja dinamicamente. Muitas vezes, até as próprias fabricantes de automóveis realizam engine swaps, seja como experiência técnica, seja como entretenimento de engenheiros entusiastas. De qualquer forma, quase sempre o resultado é incrível – como é o caso de hoje, o Nissan 240Z 432.

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No Japão, o 240Z era vendido como Fairlady Z

E só por aí você já sabe que vem coisa boa: o 240Z de primeira geração, também conhecido pelo código S30, é um dos esportivos mais legais que existem (que na verdade é um Datsun, modelo americano). A gente comprovou na prática, logo no início do FlatOut, ao testar um dos pouquíssimos exemplares que há no Brasil.

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A suspensão é independente nas quatro rodas, muito bem acertada; a dinâmica é amarradíssima (a la Alfa Romeo GTV 2000) e a ergonomia, impecável. E ainda nem falamos o quanto este carro é bonito, com seu estilo inspirado pelo Jaguar E-Type e influenciado também pelos italianos e alemães. Sem esquecer do belo seis-em-linha de 2,4 litros, com comando simples no cabeçote de alumínio, duas válvulas por cilindro e 151 cv, que é esperto e ainda ronca bonito.

Acontece que o Nissan 240Z 432 é um engine swap de fábrica, lembra? Seu nome é uma referência às especificações do motor instalado: 4 válvulas (por cilindro), 3 carburadores e 2 comandos de válvulas presentes no Nissan S20, o motor do primeiro Skyline GT-R.

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É um motor de corrida, desenvolvido em 1965 por uma companhia chamada Prince (que, no fim dos anos 1950, lançou o primeiro Skyline) para o protótipo R380, que competiu no Grande Prêmio do Japão. A Nissan comprou a Prince em 1966 e herdou, além do nome Skyline, todos os componentes e projetos da companhia – o motor S20 estava entre eles. O resto é uma história que já contamos aqui: em 1968, a Nissan deu ao Skyline o motor S20 e criou o Skyline 2000GT-R, também conhecido como GT-R “Hakosuka”.

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O S20 era um  motor bem avançado para sua época: bloco de ferro fundido, comando duplo no cabeçote (que é de alumínio e tem fluxo cruzado), câmaras de combustão hemisféricas, ignição com transístores e três carburadores Minuni-Solex 40PHH, de corpo duplo e montados de lado (side-draft). Nas pistas, a potência ficava entre 220 cv e 230 cv. No Skyline GT-R, eram 160 cv a 7.000 rpm e 17,7 mkgf de torque a 5.600 rpm, o bastante para chegar aos 195 km/h em 1968.

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O 240Z foi lançado no ano seguinte, e as vendas começaram em outubro de 1969. Agora, por mais que o principal objetivo do S30 fosse conquistar o mercado americano, foram os japoneses que ficaram com a versão mais fodástica (como de costume).

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Um dos interiores mais legais já feitos. Olha só os detalhes: quadro de instrumentos completíssimo, volante e pomo do câmbio de madeira, furinhos nos bancos para que o ar escape e eles se moldem melhor ao corpo

O 240Z 432 só foi vendido no Japão. As concessionárias que o recebiam eram selecionadas a dedo, e os carros eram vendidos por quase o dobro do preço de um 240Z comum.

Valia a pena: além do motor mais potente, o 240Z 432 tinha coletores de admissão exclusivos, câmbio manual de cinco marchas (os outros tinham câmbio de quatro marchas), e o diferencial R192 de deslizamento limitado tinha relação final mais curta.

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Apenas 419 exemplares foram fabricados entre 1969 e 1973, e a maioria deles acabou sendo transformada em carro de corrida. O carro que se vê nestas fotos será leiloado pela RM Sotheby’s no dia 10 de março, durante um evento em Amelia Island, na Fórida.

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É um dos poucos que saíram do Japão (pertence a uma coleção particular nos EUA), voltando para lá em 2013 para uma restauração completa, quase totalmente nos padrões originais. As rodas de alumínio são réplicas perfeitas das originais de liga leve, que eram fabricadas pela Gotti, e o capô foi pintado de preto opaco para homenagear o especial de homologação Z432R (calma que a gente já chega lá).

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A agência de leilões espera vender o 240Z 432 por algo entre US$ 150 mil e R$ 200 mil, ou R$ 460 mil e R$ 620 mil em conversão direta.

 

Da Ásia para a África

Com apenas 20 unidades produzidas, o Z432R tinha o motor preparado para entregar até 250 cv graças ao cabeçote retrabalhado aliado a três carburadores Solex 44H e um comando mais agressivo. A carroceria era laranja com capô preto, e o carro tinha gaiola de proteção, bancos de fibra, janelas de acrílico e tanque de combustível de 100 litros.

Havia um bom motivo para sua existência: o Z 432R foi produzido para que a Nissan pudesse competir com ele em provas de rali – algo que o carro fez muito bem, vencendo todas as edições do Safari Rally entre 1971 e 1973 (ainda que não usasse o motor do GT-R na versão que foi levada para o deserto africano). Você pode ler mais sobre esta história aqui!

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