A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Vídeo Zero a 300

Nissan GT-R e Mercedes GT R se enfrentam na rua e na pista. Qual deles é o melhor?

O Nissan GT-R já foi a pedra no sapato dos supercarros. Quando foi lançado, no fim da década passada, ele custava o uma fração do preço dos superesportivos europeus de motor central-traseiro, como uma Ferrari ou Lamborghini, e andava tanto quanto eles, ou até mais. Nós já investigamos bastante seus segredos, mas as coisas mudaram bastante desde que ele foi lançado, em dezembro de 2007: o nível dos supercarros foi ficando tão alto em termos de desempenho que, para acompanhá-los, a Nissan abriu mão do preço relativamente baixo para incorporar melhorias ao projeto e manter o GT-R sempre a par dos rivais, ainda que não custasse mais tão pouco.

Um dos carros que vieram depois do GT-R e ajudaram neste processo foi justamente outro GT R, exceto que com um espaço em vez de um hífen: o Mercedes-AMG GT R, versão do sucessor do SLS AMG feita com foco na pista. Ele é bem mais recente, na verdade – foi apresentado no meio do ano passado –, e parece ter sido feito sob medida para encarar a melhor e mais nervosa versão do Nissan: o GT-R Nismo, recém-atualizado com melhorias na estrutura e no acerto dinâmico. Mas qual dos dois aproveita melhor o que tem?

amg-gt-r (14)nissan-gtr-nismo-2017-launched-2

Randy Pobst e Jonny Lieberman, da Motor Trend, saíram para responder a esta pergunta. E eles o fizeram de duas formas: dirigindo os carros nas estradas sinuosas da Califórnia e levando ambos para o circuito de Mazda Raceway Laguna Seca, cujo traçado a maioria de nós conhece muito bem graças a Gran TurismoForza Motorsport. O resultado foi o vídeo comparativo a seguir. Vamos dar uma olhada?

O vídeo tem legendas em inglês que podem ser traduzidas automaticamente pelo YouTube. Só preste atenção: quando as legendas dizem “Nuremberg”, os apresentadores estão se referindo a Nürburgring – alguém se confundiu na transcrição…

Antes de dar sequência, uma boa é conferir o que os carros têm de parecido e o que eles têm de diferente.

  • Os dois têm motores em V montados na dianteira, bastante recuados em relação ao eixo (central-dianteiro), ambos com dois turbos. O Nissan GT-R tem um V6 de 3,8 litros com comando duplo no cabeçote, 608 cv a 6.800 rpm e 66,5 mkgf de torque a 3.200 rpm. O AMG GT-R tem um  V8 de quatro litros, também com comando duplo no cabeçote, porém com 585 cv a 6.250 rpm e 71,3 mkgf de torque a 1.900 rpm.
  • Ambos têm câmbio de dupla embreagem: no Nissan, de seis marchas, no AMG, de sete marchas. Em ambos os casos, são transeixos (ou seja, a transmissão fica acoplada diretamente ao eixo traseiro).
  • Os dois carros custam mais ou menos a mesma coisa nos EUA: o AMG parte de US$ 160 mil, o GT-R parte de US$ 170 mil. Dependendo da quantidade de opcionais, os dois podem arranhar os US$ 200.000.
  • Os dois cumprem o quarto-de-milha na faixa dos 11 segundos a mais de 200 km/h.

nissan-gtr-nismo-2017-launched-10

amg-gt-r (25)

É nas diferenças, porém, que o bicho pega. O Nissan GT-R tem vantagem natural nas saídas de curva por conta da tração integral com ajuste eletrônico. O Nissan GT-R Nismo pesa 100 kg a mais que o AMG GT-R, 1.770 kg contra 1.670 kg. No AMG, 48% do peso ficam sobre o eixo dianteiro e 52% sobre o eixo traseiro, enquanto no Nissan a proporção é 55/45%, frente/traseira. O esportivo alemão tem esterçamento das rodas traseiras e o japonês, não, o que o ajuda a carregar mais velocidade dentro das curvas, minimizando uma eventual desvantagem em relação à tração do Nissan.

Entre-eixos e bitolas: 2.630 mm e 1.651 mm no AMG, 2.780 mm e 1.600 mm, respectivamente. O AMG usa pneus Michelin Pilot Sport Cup, voltados para a pista, enquanto o Nissan GT-R usa pneus run flat Dunlop Sports Maxx GT600 Ultra. E só a Besta do Inferno Verde (apelido dado ao AMG por conta de seu processo de desenvolvimento em Nürburgring) tem freios de carbono-cerâmica disponíveis, enquanto o Godzilla vem com freios comuns, de metal.

nissan-gtr-nismo-2017-launched-11amg-gt-r (27)

Ao andar nas ruas, ambos concordam que os Nissan GT-R mudou sua personalidade, sendo um carro muito mais fácil de conviver em uso constante. A estrutura foi reforçada na última atualização, e o resultado é um carro que se mostra sólido e confiante, mesmo em pisos irregulares. A tração integral, como já comentado, ajuda na saídas de curva em alta velocidade.

No entanto, falta punch na hora de retomar velocidade. Isto porque o pico de torque do motor aparece em uma janela muito pequena na faixa de rotações, entre mais ou menos 3.200 e 5.600 rpm. O que é até meio estranho, considerando que o GT-R leva só 2,9 segundos para chegar aos 100 km/h. Isto tem explicação, porém: o turbo lag, atraso no “enchimento” das turbinas que ainda se faz presente e é um dos pontos fracos do Nismo GT-R.

amg-gt-r (13)Nissan-GT-R-Nismo-16

No caso do AMG GT R (que, como lembra Lieberman, é feito com base na plataforma do SLS AMG com entre-eixos reduzido), a experiência é muito mais visceral: o carro tem um ronco com mais presença e, com tração traseira apenas, aponta nas curvas com mais avidez e tem uma traseira muito mais animada. E o modo como o motor entrega sua potência também é mais linear, começando pelo torque máximo que chega mais cedo.

É na pista, porém, nas mãos de Randy Pobst, que as coisas começam a ficar mais claras. O GT R da AMG, com o esterçamento das rodas traseiras, acaba se saindo melhor nas curvas, mas tem uma vantagem ainda mais clara: os freios de carbono cerâmica e os pneus do tipo R compound, que permitem que se freie mais tarde e se monte no acelerador mais cedo. Pobst diz que até mesmo a sensação ao pressionar o pedal do GT-R, que é mais mole e tem mais curso, acaba atrapalhando o conjunto todo, embora Lieberman tenha observado que, com a tração integral, os sistemas eletrônicos e a suspensão pouca coisa mais macia, um piloto menos experiente se dê melhor com o Godzilla.

nissan-gtr-nismo-2017-launched-3amg-gt-r (21)

O AMG GT R, por outro lado, se faz sentir mais ágil graças ao esterçamento das rodas traseiras e demanda mais habilidade na hora de extrair seu potencial. A suspensão traseira mais dura, o entre-eixos mais curto e a tração nas rodas de trás o tornam mais indicado para quem sabe o que está fazendo.

No fim das contas, porém, Randy virou 1:33,01 no AMG e 1:35,01 no Nissan. Curiosamente, esta diferença de dois segundos também se repetiu em Nürburgring, exceto que o Nissan foi mais rápido que o AMG GT-R, com 7:08 contra 7:10.

De qualquer forma, o ranking da Motor Trend para o circuito ainda é liderado pelo Dodge Viper ACR, com câmbio manual, tração traseira e um V10 naturalmente aspirado de 650 cv, que virou 1:31… O que será que isto que dizer, hein?

Matérias relacionadas

Estes são alguns dos hatchbacks para uso diário mais bacanas anunciados no GT40

Dalmo Hernandes

Volkswagen up! com ágio, um novo Land Rover Defender, o Skyline de Paul Walker e mais!

Leonardo Contesini

Jaguar F-Pace SVR no Brasil, Volkswagen confirma SUV compacto, Tesla quebra recorde em Laguna Seca e mais!