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Achados meio perdidos

O BMW M6 V10 de Nelson Piquet está à venda!

A segunda geração do BMW M6 foi um carro especial em muitos sentidos. Para começar, ele foi o ponto alto da retomada dos tradicionais cupês grandes da marca, que ficaram meio abandonados com o fim do primeiro Série 6, o E24, em 1989, e do Série 8. Além disso, ele vinha com o musical motor V10 5.0 S85. Mas este M6 zerou o direito de ser especial. Tem só 16.500 km. Olha a pintura, igual à dos M1 da Procar. E ela foi feita a pedido do primeiro dono carro, ninguém menos do que um certo Nelson Piquet. Tá bom ou quer mais?

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Derivado do E63, mais conhecido como o Série 6 de segunda geração, criado pelo controverso Chris Bangle, seu V10 rendia 507 cv a 7.750 rpm (sim, ele girava alto!) e permitia uma aceleração oficial em 4,4 segundos. Para um carro de 1.710 kg, 4,87 m de comprimento, 2,78 m de entre-eixos, 1,85 m de largura e 1,37 m de altura, é uma marca impressionante. A máxima, limitada eletronicamente, era de 250 km/h. Mas havia gás para mais de 300 km/h.

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Apresentado no Salão de Genebra de 2005, o M6 de segunda geração foi fabricado até juho de 2010. Uma particularidade que ele tinha era o botão M. Sem acioná-lo, o carro tinha “apenas” 400 cv. Era ele que liberava os demais 107 cv.

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Se os 1.710 kg parecem muito, saiba que o carro tinha teto de fibra de carbono, portas e capô de alumínio, tampa do porta-malas de material compósito e spoiler dianteiro de termoplásticos. Em outras palavras, era para ele pesar bem mais do que isso. Os materiais mais leves eram estrategicamente distribuídos pela carroceria para reduzir o momento polar de inércia e rebaixar o centro de massa do carro.

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Foram vendidos 9.087 cupês M6, dos quais apenas 701 foram equipados com câmbio manual. Só faltava este M6 vir também com essa raridade, mas não foi o caso. A transmissão dele é a SMG III, uma sequencial semi-automático de embreagem simples.

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A pintura especial do carro foi feita a pedido de Piquet, que na época tinha uma concessionária da BMW. A relação de Piquet com a fabricante bávara começou em 1979, quando o brasileiro disputou o campeonato monomarca M1 Procar. Depois, em 1983, Piquet faturou seu bicampeonato embalado pelo motor BMW turbo do seu Brabham BT52 — o único título da BMW na Fórmula 1, e o primeiro motor turbo a vencer na categoria (leia a história toda neste post). Mais tarde, nos anos 1990, Piquet ainda tentaria criar uma categoria de esportes protótipo no Brasil, a Espron, também embalado pelos motores da marca alemã.

A pintura (pintura, não envelopamento) deste M6 foi inspirada nesse passado de Piquet com a marca. São as mesmas faixas do BMW M1 que o piloto usou no campeonato Procar, mas em uma disposição diferente da que se vê no clássico de corrida: em vez de as faixas cruzarem o carro da ponta para a traseira, da esquerda para a direita, elas cruzam a dianteira esquerda do M6 e a traseira direita.

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Depois de Piquet, um colecionador comprou o M6 e o utilizou na troca por um modelo novo comprado na AutoStar, que agora o colocou à venda. A revenda, portanto, é a terceira dona do carro, que está com os 16.500 km que mencionamos no início do texto.

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Apesar de o piloto ser um dos que mais conheciam de mecânica (e mais “zuêros”) que a F1 já conheceu, o M6 não tem nenhuma pimenta a mais — aparentemente o único upgrade foram os freios Brembo maiores (os chamados Big Brake Kits) —, contrariando um costume do tricampeão, que quase sempre modifica seus carros.

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O carro traz exatamente o que oferecia de série: o motor V10 de 507 cv, o SMG III, bancos de couro Merino, head-up display, faróis de xenônio, sensores crepuscular e de chuva, controlador de velocidade, ar-condicionado de duas zonas, DVD e função TV, segundo a descrição do anúncio.

Pela preciosidade, a vendedora pede R$ 189.900. São R$ 900 a mais do que cobra uma loja com um M6 de 71.000 km e R$ 4.000 do que um de 61.000  km anunciados por aí. Enfim, o preço é mais ou menos esse e não tem ninguém querendo cobrar a mais pelo fato de o carro ter sido de Piquet. Mas isso é algo que o dono sempre vai poder se orgulhar de ter. E por um carro menos rodado e com muito mais história do que os demais à venda atualmente. Vale ou não vale? Interessados só precisam clicar no link abaixo.

 

[ Mercado Livre / Sugestão do leitor Marcelo Tanaka ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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