O charme e a nostalgia dos interiores monocromáticos

Dalmo Hernandes 23 fevereiro, 2017 0
O charme e a nostalgia dos interiores monocromáticos

Por mais que você seja do tipo que não admite que se faça modificações no visual do carro antes de melhorar o desempenho, é fato que o visual de um carro é reponsável por muito de seu apelo – tanto por fora quanto por dentro. E é justamente sobre o lado de dentro dos carros que vamos falar neste post.

Na verdade, dá para ser mais preciso dizendo que vamos tratar da interação entre a cor da carroceria com as tonalidades do interior dos carros. Você sabe o que é um interior monocromático?

“Evidentemente, FlatOut.”, você deve ter respondido. Muito culto, prosseguiu “Mono quer dizer “um”, e “cromático” é relativo à cor.” E de fato, é isso aí. Mas nem sempre a expressão é usada da maneira correta.

É comum usar o termo “monocromático” em referência aos carros com interior marrom, muito comuns aqui no Brasil (e, na verdade, no resto do mundo) na década de 1970. Só que não é bem assim que as coisas funcionam.

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A cor do interior de um carro é importante na percepção que se tem dele. Um belo exemplo é o nosso Ford Maverick: a versão GT, inspirada nos muscle cars americanos equipada com o famoso V8 “canadense”, tem cores vivas na carroceria e interior preto – painel, bancos, revestimento do teto e das portas e carpete.

É assim com a maioria das versões esportivas. O preto, além de ser uma cor mais agressiva, também dá a sensação de que o habitáculo é mais apertado, mais “justo”. Às vezes, detalhes vermelhos ou amarelos (cores que remetem ao automobilismo) e estampas características de uma determinada marca ou modelo quebram um pouco da escuridão e contribuem para o aspecto esportivo. A Volkswagen é versada nisto:

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O Maverick de luxo a partir de 1977 era o LDO, sigla que significa “Luxuosa Decoração Opcional” (uma tradução meio torta do inglês Luxury Decor Option). Além do acabamento interno mais requintado, a versão trazia como diferencial o interior marrom.

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Foto: Clube Rio Minas de Veículos Antigos

Caso o interior marrom viesse acompanhado de um tom de marrom na carroceria – dourado, champagne e mesmo bege costumam ser considerados “marrom” neste caso, o Maverick LDO era monocromático. Se a carroceria fosse de outra cor, não.

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O mesmo vale para Corcel e Belina LDO. A versão de topo do modelo, a LDO, também tinha interior marrom como opcional (com direito a apliques imitando madeira), normalmente associado à cor branca ou verde na carroceria. É uma bela combinação, se nos permitem.

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Mas a Ford não era a única: nos anos 1970 e 1980, ainda era possível encontrar diversos outros carros monocromático: Chevrolet Chevette, Volkswagen Brasilia, a família do Volkswagen Gol e até os Dodge com motor V8.

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VW Brasilia

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Chevrolet Chevette

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Volkswagen Gol. Note o painel satélite do modelo GL: era mais comum que as versões mais caras tivessem opção pelo interior monocromático

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Em cima, um Dodge Dart. Embaixo, o Dodge Charger. Ambas as fotos foram tiradas pelo Juliano Barata para o colecionador e especialista em Dodges nacionais Alexandre Badolato, autor da série de livros Dodge: História de uma Coleção e proprietário do Museu do Dodge.

Aliás, também podemos usar os Dodge para demonstrar que nem todo interior monocromático precisa ser marrom: abaixo, o lado de dentro de um Dodge Magnum monocromático azul (note a cor da lataria na segunda foto).

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O interior monocromático azul também pode ser encontrado no Chevrolet Kadett da década de 1980. Em ambos os casos, é um azul bem discreto, quase cinza. O mesmo vale para o Chevrolet Monza da época. E ambos também eram oferecidos com interior marrom.

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Monza monocromático azul

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Kadett monocromático azul

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Monza monocromático marrom

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Kadett monocromático marrom

Também é da Chevrolet um dos interiores mais cobiçados da indústria nacional: o do Opala Château. Apresentado em 1977, o opcional estava disponível para o Opala De Luxo e para o Comodoro, e consistia em revestimentos dos bancos e portas, além do painel e do volante, na cor vinho. A carroceria também era vinho, bem como o vinil do teto no caso do cupê e do sedã. A Caravan também podia ser ter acabamento Château, porém sem o teto de vinil.

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O Chrevrolet Monza também teve como opcional o interior na cor vinho – que, em vez de Chateaux, era chamado de Bordô.

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Fotos: Monzeiros

É claro que não é só no Brasil que existem interiores monocromáticos. Nos EUA, especialmente na década de 1950, era muito comum que as grandes banheiras de luxo tivessem o painel e os bancos combinando com a cor da carroceria – incluindo todo o tratamento cromado. E em todas as cores possíveis:

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Na Europa, as coisas eram mais parecidas com o se via no Brasil. Os Mercedes-Benz dos anos 1970 e 1980 são bem conhecidos por seus interiores combinando com a carroceria – além dos costumeiros marrom, azul e vinho, também se vê carros com interior monocromático verde.

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Que outros exemplos de carros com interior colorido ou monocromático você conhece? Deixe sua sugestão nos comentários!