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Car Culture

O “Fusca” elétrico de quatro portas e outras cópias descaradas dos chineses

É provável que todo mundo aqui conheça a fama que os chineses têm com suas “réplicas”. Ainda que grandes empresas tenham fábricas na China, e que estas fábricas produzam itens genuínos (seu iPhone comprado na Apple Store é tão chinês quanto a cópia vendida a uma fração do preço na internet), a indústria automotiva chinesa conquistou uma reputação não muito desejável: a de uma fonte inesgotável de cópias de modelos de outras marcas.

Não que eles não tenham feito por merecer. Há alguns anos ouvimos a promessa de que os carros chineses não demorariam a se tornar presença constante nas ruas brasileiras, e desde então começamos a perceber que as companhias chinesas possuem, digamos, uma certa dificuldade em criar designs originais para seus carros.

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O exemplo mais recente veio à tona nos últimos dias. Durante um salão de veículos elétricos na cidade de Jinan, província de Shandong, na China — a Shandong EV Expo —, uma companhia chamada VEDOEV (que tem um emblema absurdamente parecido com o da Volvo, incluindo a tipografia) apresentou um protótipo assustadoramente parecido com o atual Volkswagen Fusca.

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As formas da carroceria imitam quase perfeitamente o hatch da VW — com a diferença de que a cópia chinesa tem quatro portas —, bem como o painel. Segundo o site Car News China, só há alguns detalhes: ainda se trata de um protótipo não acabado (o interior não traz bancos, acabamentos ou mesmo volante) de um veículo elétrico, que terá um motor elétrico de 68 cv na traseira e deverá começar a ser produzido em 2016.

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O carro da VIDOEV ainda não tem nome, e o Car News China diz que os funcionários da companhia se referem a ele como “Beetle-style car”. Bondade deles, não?

De qualquer forma, este é certamente um dos clones chineses mais descarados que já vimos. Já existiram outros, e nós decidimos selecionar uma lista com as maiores “pérolas”.

 

Yogomo 330

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Olhando rapidamente, você pode até confundir o Yogomo 330 com o Kia Picanto. O subcompacto chinês apresentado na semana passada é praticamente um xerox do modelo sul-coreano — das proporções gerais ao formato da grade, dos faróis e das lanternas —, e nem dá para perceber que o entre-eixos é cerca de dez centímetros menor. O que entrega o jogo é a qualidade de construção: te desafiamos a procurar um único vão regular entre os painéis da carroceria.

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As diferenças ficam por conta do interior, que usa linhas bem mais simples e arredondadas no painel (que, na verdade, tem um aspecto bem ultrapassado apesar da central multimídia no console central) e da motorização, que consiste em um motor elétrico de apenas 17 cv e duas opções de bateria — chumbo e íon de lítio. Equipado com o primeiro tipo, o Yogomo 330 custa 31.500 Yuan (cerca de R$ 16.300 em conversão direta). Com o segundo tipo, que aumenta consideravelmente a autonomia por carga, o preço quase dobra: 54.500 Yuan (por volta de R$ 28.200).

 

Landwind X7

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Se o nome deste clone remete aos utilitários da BMW, a fonte de “inspiração” é outra: o Landwind X7 é uma reprodução quase 100% fiel do Range Rover Evoque. Não é exagero nosso: descontando alguns detalhes, como o posicionamento das maçanetas, o acabamento dos faróis e lanternas, o desenho das grades e, obviamente, os emblemas, o X7 certamente engana quem não entende muito de carro.

A semelhança também é mecânica: assim como o Evoque a diesel vendido no Brasil, o X7 tem 190 cv — vindos, porém, de um quatro-cilindros a gasolina de origem Mitsubishi. O câmbio é automático de oito marchas, enquanto o Evoque tem nove marchas.

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O Landwind X7 chegou a incomodar até mesmo a Jaguar Land Rover que, no fim de novembro passado, declarou que tomaria as providências necessárias para “proteger a propriedade intelectual, a reputação e a posição do Evoque no mercado”.

Mas a história não acaba por aí: de acordo com o Autoesporte, uma importadora independente chamada S. Auto planejava trazer o X7 para o Brasil em 2015, dizendo que o clone chinês “não deve nada” ao original e que custaria até 40% menos que o Evoque — ou seja, algo próximo dos R$ 120 mil. Hoje, se você visitar o site da S. Auto (que não funciona muito bem), encontrará outros modelos chineses no catálogo e apenas uma nota de rodapé sobre o lançamento do X7.

 

JAC Refine A6

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A maioria das fabricantes chinesas procura evitar outras associações com as fabricantes dos modelos que copiam — além, é claro, do visual dos carros. Mas há exceções: a JAC, por exemplo, apresentou no ano passado o Refine A6, e nós vamos dar um doce a quem adivinhar qual foi sua inspiração.

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O interior tem design um pouco mais original, mas ainda dá para notar certa semelhança com o Audi A6. O modelo, exibido no Salão de Pequim em maio de 2014 como o novo topo de linha da JAC, é equipado com duas opções de motor: 1.5 turbo de 170 cv e 2.0 turbo e câmbio de seis marchas com dupla embreagem — conjunto mecânico surpreendentemente sofisticado. Nada se falou sobre a vinda do Refine A6 ao Brasil — onde, que fique claro, a JAC vende apenas modelos com design próprio.

 

Shuanghuan SCEO

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Este é velho conhecido dos leitores do FlatOut: o utilitário chinês foi destruído pelo jornalista alemão Wolfgang Blaube, da revista Auto Bild, que comprou um exemplar com cinco anos de uso e pouco mais de 100 mil km rodados só para ter o prazer de explodi-lo com suas próprias mãos. O motivo não era apenas o fato de a traseira do Shuanghuan SCEO ser uma cópia do BMW X5 de primeira geração, mas o estado deplorável em que o carro se encontrava depois de tão pouco tempo de uso.

A má qualidade dos materiais e do acabamento do carro — alguns componentes, como os freios, estavam literalmente se desintegrando —, somada à semelhança mais do que acidental com o X5, levou a BMW a processar a Shuanghuan para impedi-la de comercializar o SCEO na Alemanha. A fabricante bávara ganhou a causa e, para a segurança da população alemã, todos os exemplares do utilitário no país tiveram que ser destruídos.

 

Noble Nano

Em 2013 o grupo S-Auto anunciou no Brasil o lançamento do Noble Nano, confirmando boatos que vinham desde 2011. Depois, nunca mais ouvimos falar nele — talvez porque não exista muito o que falar de um compacto de quatro lugares inspirado no Smart ForTwo (este, capaz de levar apenas duas pessoas), ainda que a dianteira lembre mais seu irmão maior, o Smart ForFour.

Mecanicamente, ele também é bem diferente do Smart: seu motor, um quatro-cilindros de 1,1 litro e 16 válvula, fica na frente e move as rodas dianteiras, enquanto o ForTwo tem um três-cilindros montado direto sobre o eixo traseiro.

 

Lifan 320

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Este já é um clássico entre as “cópias” chinesas: vendido no Brasil desde 2010, importado do Uruguai, o Lifan 320 não é, como alguns carros desta lista, uma reprodução fiel do carro que lhe inspirou — no caso, o hatch Mini. As linhas gerais até lembram o compacto alemão de raízes britânicas, mas os detalhes são diferentes, a ponto de qualquer um que entenda um pouco de carros conseguir notar a diferença. Na verdade, o Lifan 320 só é oferecido com quatro portas, opção que o Mini só começou a ter em 2015, com a chegada da nova geração.

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Mas não espere motores turbinados espertos ou desempenho esportivo: o Lifan 320 é equipado com um motor 1.3 aspirado de 16 válvulas e 88 cv. De qualquer forma, o o chinês foi reestilizado no ano passado e recebeu uma nova grade, que agora fica posicionada mais abaixo, e perdeu a “cara” do Mini. Ele também mudou de nome — agora, se chama Lifan 330. Nós conseguimos notar certa semelhança com o Fiat 500L, você não?

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Geely GE

Em 2009, no Salão de Pequim, a Geely (companhia chinesa que é a atual dona da Volvo) apresentou o conceito de luxo GE. Com uma enorme grade cromada, ornamento no capô, faróis quadrados e porte imponente, o carro era praticamente idêntico a um Rolls-Royce Phantom — a ponto de, quando a Geely anunciou seus planos para produzi-lo a curto prazo, a companhia britânica (que hoje faz parte do grupo BMW) ameaçou tomar providências legais.

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Isto levou a Geely a levar uma versão atualizada do conceito para a edição do ano seguinte, desta vez com um visual mais contemporâneo e arredondado, e fez questão de afirmar que, agora, o carro era “todo novo, da plataforma ao estilo”, e que não foi inspirado em nenhum outro modelo.

 

Jiangling T7

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Parece uma VW Amarok com um emblema diferente na grade, não é? Aparentemente, foi exatamente esta a intenção da chinesa Jiangling com a T7, que imita perfeitamente as linhas da picape alemã. Apresentada em janeiro último, a T7 pode até parecer uma Amarok, mas mecanicamente é bem diferente — as única opções de motor são um motor turbodiesel de 2,8 litros e 100 cv e um quatro-cilindros de 2,2 litros e 110 cv, ambos acoplados a uma caixa manual de seis marchas.

 

BYD S8

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Quem disse que os chineses copiam apenas SUVs, picapes e compactos? Em 2008, a BYD lançou o S8, roadster que, apesar do visual inspirado no Mercedes-Benz CLK de segunda geração (A209), definitivamente não traz o mesmo desempenho. Enquanto o original alemão podia ser equipado até mesmo com um V8 de 6,2 litros e 481 cv (no caso do CLK 63 AMG), o BYD S8 só oferecia um quatro-cilindros de dois litros e 140 cv. Talvez isto ajude a explicar porque o BYD S8 foi retirado do mercado chinês em 2010, com apenas sete unidades vendidas.

 

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