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Car Culture

O mundo precisa de mais carros como este Pontiac Trans-Am pro touring supercharged de 1.000 cv

A década de 1970 foi estranha para os muscle cars — eles ficaram maiores, mais pesados e mais comportados, embora o visual continuasse bacana (com algumas exceções, como o Mustang II…). O Pontiac Firebird era uma saudável exceção à regra, mantendo a bandeira dos primeiros muscle e pony cars — carroceria relativamente compacta, motores potentes e preço camarada — levantada até 1980.

Sua versão mais emblemática é, sem dúvida, o Trans-Am, inspirado na categoria americana de mesmo nome que reunia os melhores muscle cars dos EUA na mesma pista. Com visual mais descolado e motores mais potentes, o Trans-Am é uma das versões do Firebird favoritas para quem tem um projeto na mente. Projetos como este monstruoso Trans-Am pro touring com um V8 supercharged de 1.000 cv — está bom para você?

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O carro é um projeto da West Bend Dyno Tuning, oficina de preparação e acerto de motores especializada em muscle cars de rua e de competição — e tudo o que há no meio. Por isso, não surpreende que eles tenham transformado um Pontiac Firebird Trans-Am 1980 em um míssil de pelo menos 960 cv… em sua configuração mais mansa.

Os mais versados na história do Trans-Am sabem que indução forçada está longe de ser novidade na história do modelo — em 1980, era possível comprar um T/A com um V8 de 301 pol³ (4,9 litros) turbinado de 210 cv. A pouca potência era reflexo da crise, visto que o Pontiac Turbo Trans-Am veio para substituir os motores V8 Oldsmobile de 6,6 litros e… 185 cv. Ou seja, trocaram um motor grande e de aspiração natural por outro menor, turbinado e mais potente — se isso não for downsizing, não sabemos o que é.

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Só mencionamos o Pontiac Turbo Trans-Am porque alguém pode achar que o carro da West Bend Dyno (ou só WBD) é um deles — mas não: em vez disso, o carro emprega uma solução que está bem mais de acordo com as preferências dos fanáticos por muscle cars: um compressor mecânico de Lysholm de 3,3 litros (!) sobre um V8 LS3 de 6,8 litros todo modificado, conjunto que rende 960 cv a maior parte do tempo e 1.000 cv em “dias especiais”, se é que você nos entende…

A história do carro também é bem interessante: Brad Riekkof, da WBD, ainda estava no ensino médio quando comprou este carro no fim da década de 1980 — já sem o motor original e com um belo vazamento na junta do cabeçote. Brad e seu pai abriram o motor assim que levaram o carro para casa pra trocar as juntas e descobriram vários outros problemas. Era melhor trocar  motor todo de uma vez.

Na verdade, algumas vezes até Brad se formar em 1992. Foi quando ele decidiu guardar o carro na garagem da casa do pai e sair de casa para ajeitar a vida. Até que, em 2008, Brad abriu a WBD e decidiu que era hora de voltar a fuçar no “Bird” e usá-lo como carro-propaganda para sua preparadora.

 

E que bela propaganda! De 2008 para cá, o carro foi totalmente restaurado — com direito a componentes em fibra de carbono (como os para-lamas), um novo kit aerodinâmico, uma nova camada de tinta em um belo tom de azul e decalques personalizados.

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Por dentro, bancos de competição da Sparco (acompanhados de volante e cintos de segurança da mesma marca) , instrumentação Autometer personalizada com padrão de fibra de carbono e gaiola de proteção completa. Sendo um pro touring, o interior tem visual racer mas não depenado, o que ajuda muito em um carro que também foi feito para rodar nas ruas e tem até ar-condicionado.

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Por fora o carro também ganhou rodas Formula 43 RAD10 de 18 e 19 polegadas, calçadas com pneus BF Goodrich g-Force Rival de medidas 295/35 e 335/30, respectivamente. Os freios são da Willwood, com discos de 14 polegadas e pinça de seis pistões na dianteira e 13 polegadas e pinças de quatro pistões na traseira.

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Como você deve saber, uma parte essencial de todo projeto pro touring é a suspensão — essencial para definir o comportamento dinâmico do carro. E o Trans-Am supercharged da WBD recebeu um novo sistema independente com braços sobrepostos na dianteira e 4-Link na traseira, completo com amortecedores ajustáveis e barras estabilizadoras Heidts, além do diferencial traseiro Strange.

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E então chegamos ao motor — um glorioso GM LS3 da Wegner Motorsports com cabeçotes de LS9 usinados, o já citado compressor Lysholm de 3,3 litros e cárter seco da Dailey com reservatório de alumínio billet. O motor é alimentado por um sistema de injeção eletrônica Bosch com injetores de alta vazão com corpo de borboleta de 102 mm, e acoplado a uma caixa BörgWarner manual de seis marchas, vinda de um Camaro de quarta geração e devidamente reforçada para a nova “casa”.

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Desde que ficou pronto (quer raridade maior do que um projeto pronto?), o carro já apareceu em diversos eventos pelos EUA e foi matéria de revistas como a Hot Rod, além de participar regularmente de eventos de pista como o Optima Street Car Challenge, promovido todos os anos pela Optima Batteries e realizado no circuito de Road America, estado de Winsconsin.

Depois de alguns eventos e menos de 2.400 km rodados em 14 meses, porém, a WBD decidiu vender o carro — simplesmente dizendo que “é hora de deixar o Bird voar sozinho”. E eles pedem US$ 95 mil por ele, o que dá cerca de R$ 247 mil. Se considerarmos o gasto em componentes de US$ 125 mil (R$ 325 mil) em componentes como parâmetro, porém, dá para considerar o preço até amigável… você não acha?

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