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Project Cars Project Cars #22

O Opala SS V8 383 de Marcos Camillo: planejando a restauração

No meu primeiro post deste Project Car (clique aqui para acessá-lo), comecei falando sobre como surgiu meu amor pelos carros e mencionei o pôster da Ferrari F40 na parede do quarto. Ironicamente, dois dias depois de escrever o texto, passei em frente a uma loja de antiguidades e na porta estava um baita quadro da F40, exatamente igual ao pôster que tive quando era pequeno. Acabei não comprando por não estar com grana sobrando no momento, mas postei essa coincidência nas redes sociais – e, para a minha surpresa, a história acabou causando uma comoção nos meus amigos, que fizeram uma “vaquinha” e me compraram o quadro!

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Agora ele está na minha parede, para lembrar que os amigos são aqueles que te dão um empurrãozinho a mais, te fazem ir além do que iria sozinho e, felizmente, amizade é um tema que vai aparecer bastante na história do meu SS.

Então agora eu já tenho o SS 79, hora de catalogar as peças que vieram com ele, o que falta, o que vai ter que receber restauro. O carro estava desmontado, a lataria já havia sido raspada, os reparos necessários já estavam feitos (o carro estava muito bom de lata, moleza mesmo), um dos lados já estava no fundo fosfatizante e o outro no primer.

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Foto: Eduardo Foya

Esqueci de comentar um detalhe: estamos sem motor – pois numa prova de arrancada, o dono anterior mandou o 4 cilindros pro espaço – mas o fato é que este seria o meu carro de uso diário, independentemente do motor que eu colocaria nele.

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Obviamente o sonho sempre foi botar um V8 dentro do cofre, aquele ronco compassado, o carro balançando todo, você pisa e o medo misturado com excitação vai aumentando dentro de você. Se não fizer nenhum tipo de cagada, a sensação que vem depois é viciante, você precisa de mais uma dose… Voltando à realidade, o que meu bolso permitia era apenas colocar o motor 4 cilindros que um amigo tinha sobrando, pois colocou um 6 em linha no Opala 76 dele. O motor estava muito novo, à álcool com comando do modelo à gasolina e carburador DFV 446. Bem, já seria mais espertinho que o “4trinho” totalmente original.

Na minha vida o fator sorte é sempre bem presente. Às vezes, muito mais sorte do que juízo, confesso. Enfim: mandei o carro pro meu funileiro e comecei a matutar qual seria o destino dele. Estava feliz por ter um motor pra colocar no SS, mas no fundo eu não estava totalmente satisfeito – afinal, era um Opala SS, o terror dos rachas nas décadas de 70 e 80, merecia um motor mais forte. Nessa época eu também comecei a acompanhar o movimento dos Pro Touring (muscle cars com melhoramentos de suspensão, freios, rigidez da carroceria, tudo para encarar provas de Pro Solo ou Autocross contra o cronômetro).

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Algum tempo depois, o mesmo amigo que me vendeu o 4 cilindros estava vendendo um 6 cilindros. Aí a coisa começou a melhorar pra performance do SS, mas fiquei numa baita dúvida se colocava esse seis ou partia de vez para o V8 – contando assim parece fácil, mas foram dois anos nessa dúvida. E aí, quando decidi fechar com o 6 cilindros me apareceu um motor V8 305. Na época eu estava orçando uma réplica de volante do SS com o Rafael Bisso e o “miserável” acabou fazendo minha cabeça pra montar o Opala com o V8, já que ele também estava montando um SS 1978 com esse motor. Acabei não comprando o volante, mas ganhei um amigo e o contato pra comprar o 305!

Você deve estar pensando “como assim 305, não é 383?” – pois é, ainda tem história até chegarmos no 383. Mas comprei o motor parcial, pronto, seria V8 mesmo.

Feliz com a motorização, agora vamos definir o projeto: um Opala V8, daily driver, comando de válvulas baixo pra não ficar muito ruim de andar no trânsito, relação de diferencial não muito curta, afinal, vou pegar a estrada às vezes, e o ponto crucial pra mim, leveza. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Opala pode ser considerado um carro leve: as primeiras gerações do Opala com motor 4 cilindros pesavam 1.116 kg – para comparar, o Honda Civic Si de 2007 pesa 1.322 kg e um Dodge Dart 1970 tem 1.497 kg.

Para manter o peso o mais baixo possível, optei por utilizar componentes de alumínio: cabeçotes, coletor de admissão, talvez radiador, um bloco seria pra lá de bem vindo (mas o preço é alto demais, mesmo lá fora), reforço nas longarinas, quem sabe sub-frame connectors, bateria lá pra trás, trabalho na suspensão, nada de direção hidráulica ou ar-condicionado. Normalmente faz frio em Curitiba e me recuso a usar direção hidráulica sabendo que vovós e mães de muita gente usavam estas barcas sem este recurso. O que mais: câmbio de Dodge Clark 260-F (quatro marchas), diferencial de Maverick com freios a disco adaptados. Toda a fiação elétrica e linhas de freio serão escondidas pra deixar o visual do cofre o mais clean possível.

A foto abaixo é do SS 383 1975 de Paulo Nunes, uma inspiração, sem dúvidas.

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Foto: Paulo Nunes

 

Visual

Os Opalas SS em geral já tem um apelo visual muito bacana, então não precisa de muito pra deixá-los belos – deixe original que funciona. O que planejei para ele é um visual externo muito próximo do original: a cor vai ser o Vermelho Marajó 1979 (com exceção do meu, só conheço mais um SS 1979 nessa cor), pneus radiais com letrado branco, rodas dos SS mais antigos pintadas de preto, enfim, maldade sobre rodas.

Internamente o Opala vai ficar totalmente original: volante, painel, console, forrações – em uma das fotos do post anterior vocês viram um volante Grant de madeira, mas acabei passando-o para frente, bem como a manopla de câmbio com a inscrição SS. Optei por deixar tudo original em relação ao seu ano. Apesar disso, a vontade de comprar outro volante é grande, vamos ver até o final dessa jornada.

Aqui está uma projeção feita por Guilherme Farias com base numa foto de um SS que cacei na internet.

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Extras

Como comentei anteriormente, são cinco anos de história sem poder andar no meu Opala. Mas é claro que o bichinho da ferrugem não me deixou em paz, então hoje o meu companheiro de garagem é este carinha aqui embaixo, um Dodge Polara GL 1980. Assim que o Opala ficar pronto ele se tornará um Project Car também, fazer o que? Essa loucura já tomou conta…

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Este é o esqueleto do meu projeto. Algumas coisas podem mudar no decorrer do processo, mas agora você já conhece a ideia básica. No próximo post começarei a falar sobre cada item separadamente ou mais detalhadamente. Abraço!

 

Por Marcos Camillo, Project Cars #22

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