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O primeiro protótipo do Lancia 037 que competiu no Grupo B de rali vai ser leiloado

Não faltam predicados ao Lancia 037. Ele foi o primeiro carro da Lancia para o Grupo B e o último carro de tração traseira a conquistar um título no WRC, o Campeonato Mundial de Rali, em 1983 — ou seja, seu visual matador e a os 350 cv quatro-cilindros supercharged central-traseiro são quase detalhes. Quase.

A gente já falou aqui no FlatOut sobre como seria incrível ter um dos cerca de 150 Lancia 037 Stradale, versão de rua feita para homologação do carro de rali que foi fabricada entre 1982 e 1983 — resumindo, é como dirigir um carro de rali com bancos um pouco (bem pouco mesmo) mais confortáveis. Mas imagine, então, ser dono do primeiro de todos os protótipos do 037!

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É exatamente esta que a agência de leilões Bonhams oferece: no seu próximo leilão em Monaco, o Les Grandes Marques à Monaco, que acontecerá no próximo dia 13 de maio, um dos lotes será o primeiro 037 feito no mundo, lá em 1980.

Como já contamos neste post, o Lancia 037 foi o primeiro grande projeto da Abarth como preparadora oficial do Grupo Fiat-Lancia — uma responsabilidade merecida, visto que já fazia mais de 30 anos que a companhia, fundada em 1949 pelo descendente de austríacos Carlo Abarth, modificava os carros italianos para competições. O ponto de partida foi o cupê Lancia Monte Carlo, que cedeu parte do monobloco, portas, para-brisa e teto, além de servir de inspiração para o visual. No mais, o Lancia 037 era um carro totalmente novo.

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Aliás, seu nome oficial era Lancia Rally, porém a marca incorporou o “037” porque o carro era mais conhecido por seu código nos corredores da Abarth — SE 037. E ele tinha uma grande responsabilidade: seguir os passos do lendário e bem sucedido Stratos, que conquistou três títulos consecutivos no WRC entre 1974 e 1976, estabelecendo a Lancia, logo de cara, como uma das maiores potências do Mundial de Rali em todos os tempos.

Depois de ter suas linhas imaginadas pelo engenheiro da Abarth Sergio Limone, em abril de 1980, o carro de nº 001 levou alguns meses para ser construído, ficando pronto em setembro daquele ano. O carro já apresentava diversas características-chave da versão final, como os subchassis tubulares na dianteira e na traseira (projetados pelo experiente Gianpaolo Dallara) e o motor de quatro cilindros com comando duplo no cabeçote — este, desenhado por Aurelio Lampredi e usado pela primeira vez no Fiat 131 Abarth.

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Os primeiros testes na pista de asfalto da Abarth começaram ainda em dezembro de 1980 — ainda com motor naturalmente aspirado, pois a equipe teve problemas com o compressor mecânico. Este foi instalado depois das festas de fim de ano e, em meados de janeiro de 1981, o Lancia 037 já tinha respeitáveis 325 cv com sobrealimentação e cabeçote de alumínio com 16 válvulas.

O próximo passo foi levar o Lancia 037 001 até o estúdio da Pininfarina, em Turim, para testes no túnel de vento. Como dá para ver nas fotos, foram testadas algumas configurações diferentes — com o estepe no teto, com faróis auxiliares e com diferentes aparatos aerodinâmicos.

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Esta fase do desenvolvimento foi a mais longa e incluiu várias alterações na carroceria realizadas pela Pininfarina. Foi só em novembro de 1981 que o protótipo 001 foi testado longe do asfalto pela primeira vez. Àquela altura, outros quatro protótipos já haviam sido construídos e testados na terra.

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Em dezembro de 1981, o protótipo de chassi nº 005 foi apresentado oficialmente pela Lancia, já com a pintura da Martini Racing. O primeiro carro, por sua vez, foi parar nas mãos de seu projetista, Sergio Limone. Nada mais justo.

Depois de aparecer em algumas revistas e ficar exposto por alguns anos no Museo dell’Automobile de Turim, o Lancia 037 nº 001 foi totalmente restaurado entre 2013 e 2014. Atualmente, ele está em perfeitas condições estéticas e funcionais, com interior completo e uma bonita pintura vermelha. O jeitão de kit car (especialmente nos para-lamas traseiros alargados) até dá um charme especial ao carro.

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Quem estiver disposto a pagar algo entre € 320 mil e € 400 mil (entre R$ 1,3 e 1,6 milhão, em conversão direta), levará para casa não apenas o carro — que, atualmente, está emplacado e licenciado para rodar nas ruas —, mas também todos os documentos relativos a ele, fotografias de época e o registro oficial da Lancia, que comprova que Limone foi o dono anterior.

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Sendo assim, o que temos aqui não é apenas um precioso pedaço da história do automobilismo, mas também um dos carros mais incríveis que alguém pode guiar nas ruas. É ou não é um belo negócio?

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