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O que rolou de mais bacana no Goodwood Festival of Speed 2017

Para muitos entusiastas, o Goodwood Festival of Speed sem dúvida é o evento mais esperado do ano. Pode até não ser uma corrida de verdade em algum circuito famoso, mas é a chance de ver, seja ao vivo ou pela Internet, carros emblemáticos das ruas e das pistas, de todas as épocas, muitas vezes com lendas vivas do automobilismo ao volante.

Claro, ainda há os leilões, as apresentações de conceitos, os lançamentos de modelos novos e as exposições. De verdade, a gente estava muito ansioso – tanto que acompanhamos a transmissão ao vivo desde o início, na manhã de quinta-feira (29). Agora, vamos dar uma olhada no que rolou de mais legal na edição 2017 do Goodwood Festival of Speed!

 

Bugattis em ação

A subida da colina da Casa de Goodwood é a atração principal do Goodwood Festival of Speed, e uma bela oportunidade de ver em ação carros que aparecem muito mais em ensaios fotográficos e trocando de mãos entre colecionadores do que acelerando. O Bugatti Chiron, é um deles. É difícil acreditar que um monstro de 1.996 kg consiga acelerar tão rápido… até você lembrar que, atrás dos bancos, vive um motor W16 de oito litros com quatro turbos e 1.500 cv.

É claro que o nosso Bugatti favorito em ação foi outro: o Type 35, carro de corrida fabricado em 1927 que subiu a ladeira sem cerimônia. O piloto faz com que o oito-em-linha supercharged de 2,3 litros dê tudo de si, e o que se vê é um roadster de 90 anos surpreendentemente esperto.

 

Um Caterham Seven quase voando na colina

“Simplifique e adicione leveza” é o mantra de Colin Chapman, seguido à risca pelos caras da Caterham com o Seven. O monstrinho segue a receita do original criado por Chapman em 1957 mas adiciona potência à equação: pesando 500 kg, o carro que é pouco mais que um chassi com bancos e volante tem um Ford Duratec de dois litros com supercharger e 310 cv, acoplado a uma caixa sequencial de seis marchas. Para se ter uma ideia, ele chega aos 100 km/h em 2,8 segundos. Sua escalada na colina de Goodwood é assustadoramente rápida – dá para ver que o piloto está praticamente no limite, controlando a traseira esperta com maestria.

 

Mercedes-Benz W25 e o assovio do supercharger

Um dos primeiros monopostos da Mercedes-Benz, o W25 foi fruto da necessidade: até 1934, a Mercedes usou o roadster SSK em suas provas de Grand Prix – um enorme e pesado roadster com motor seis-em-linha de sete litros. O W25, seu sucessor, pesava só 750 kg, pequeno e aerodinâmico, e tinha um seis-cilindros com supercharger e metade do deslocamento: 3,5 litros. Com ele, Rudolf Caracciola conseguiu conquistar o título do Mundial de Grand Prix para a Mercedes. O som que o compressor produz é inconfundível.

 

Peso Pesado

Diretamente do Rali Dakar para Goodwood, o caminhão Kamaz Dakar é certamente uma das visões mais inóspitas subindo a montanha. É um leviatã de 12 toneladas com um motor a diesel de 12,5 litros e 993 cv perdendo a traseira nas curvas, e quase tão alto quanto os muros que rodeiam o percurso. Não é à toa que seus pilotos parecem ser os que mais estão se divertindo na subida – o “navegador” está ali só para filmar tudo com o smartphone.

 

Cinco cilindros e um turbo

Você provavelmente conhece a história do Audi 90 IMSA GTO, um dos carros que ajudaram a companhia das quatro argolas a ter reconhecimento fora da Europa ao vencer os americanos em casa. No entanto, seu “irmão gêmeo”, o Audi S4 GTO, é menos conhecido. Mecanicamente ambos são idênticos, dividindo o cinco-cilindros sobrealimentado com 2,2 litros de deslocamento e mais de 700 cv. A diferença era a carroceria, que seguia o regulamento das corridas de turismo disputadas na África do Sul.

 

“O Williams de outro planeta”

Foi assim que o Williams FW14B ficou conhecido quando estreou na Fórmula 1. Com suspensão ajustável ativa, controle de tração e câmbio semi-automático, o monoposto estava muito à frente dos rivais em tecnologia e, com Nigel Manselll ao volante – o “leão” britânico venceu nove das dezesseis corridas da temporada de 1992 – ajudou a a equipe a ficar com o título naquele ano. Quem conduziu o monoposto equipado com um V10 Renault na colina de Goodwood foi Karun Chandok, ex-piloto da Lotus na Fórmula 1 que hoje é comentarista automobilístico na TV do Reino Unido.

 

Os zerinhos do Mercedes-Benz F1 W05 Hybrid

Os famosos donuts são o tipo de manobra que não diz muita coisa sobre o modo como você pilota, mas que é bonita de ver. É claro que se o autor da brincadeira for Nico Rosberg, o campeão de 2016 da Fórmula 1, e o carro for o Mercedes-Benz F1 W05 Hybrid, campeão de 2014, as coisas ficam ainda mais interessantes. Afinal, além de um V6 turbo de 1,5 litro e até 850 cv, o monoposto tem tração traseira, não é mesmo?

 

70 anos de Ferrari

A Ferrari usou o a edição 2017 do Goodwood Festival of Speed para comemorar 70 anos de adividades, e um dos pontos altos foi este encontro de gerações: a Ferrari 125S, primeiro carro a levar o nome da Scuderia, andou junto da LaFerrari Aperta, versão conversível do hipercarro. Ambos usam motores V12, mas o da 125S é uma pequena maravilha de 1,5 litro e 118 cv, enquanto a LaFerrari Aperta usa um V12 de 6,3 litros e um motor elétrico para entregar 963 cv.

E que tal um protótipo um pouco mais moderno? Esta é a Ferrari P3/4 de chassi #0846, carro que venceu as 24 Horas de Daytona em 1967, cruzando a linha de chegada à frente de duas outras Ferrari. Foi uma resposta à vitória tripla do Ford GT40 nas 24 Horas de Le Mans de 1966. Ela é movida por um V12 de quatro litros e 450 cv, e é considerada um dos carros mais bonitos já feitos.

Agora, há quem diga que a Ferrari mais bonita de todas é a 250 GTO, que por acaso também está entre os carros mais valiosos do planeta. É extremamente raro ver uma das 39 250 GTO que foram feitas entre 1964 e 1966 acelerando forte como este exemplar fez em Goodwood, com o proprietário Nick Mason, baterista do Pink Floyd, ao volante.

 

Dorifuto em Goodwood

De fábrica, o Mazda MX-5 Miata é um esportivo leve e equilibrado, para ser curtido por quem sabe o que fazer ao volante. No entanto, o carro de “Mad” Mike Widett é diferente: movido por um motor rotativo Wankel 26B, de 2,6 litros, com quatro rotores, dois turbos e 1.200 cv, o roadster é violento e foi feito para andar de lado o mais rápido possível. Muita gente estava lá para ver os clássicos, mas a gente duvida que eles não tenham se impressionado.

O Nissan GT-R de Steve Biagioni, campeão britânico de drift de 2009, também deu seu show de derrapagens controladas em Goodwood. Curiosamente, o piloto britânico de sobrenome italiano pilota um carro japonês com motor americano: seu GT-R é movido por um V8 Chevrolet LS sobrealimentado por um caracol Garrett GTX4718R.

 

O grande vencedor

Para os fãs dos protótipos Le Mans dos anos 1990 (quem não é?), a melhor notícia foi que o Jaguar XJR-12D foi o grande vencedor da subida na colina de Goodwood, cumprindo o trajeto em 0:46,12 com Justin Law, filho de Don Law, um dos maiores conoisseurs de Jaguar do planeta, ao volante. O protótipo movido por um V12 de sete litros e 740 cv veio passando a milímetros da barreiras de feno e esquentando os pneus slick na marra, com uma tocada realmente rápida, sem poupar o carro.

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