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Achados meio perdidos GT40 Classificados Zero a 300

O ronco deste Romi-Isetta com motor de Honda CB 750 Four deve ser incrível – e ele está à venda!

Depois da Segunda Guerra Mundial a Europa como um todo passou por um duro período econômico. Foi nessa época que se popularizaram carros compactos, espartanos, econômicos e, acima de tudo, baratos. Um deles era o Iso Isetta, uma pequeno carro-bolha com motor de moto e uma única porta na dianteira, foi um destes carros – nasceu na Itália e se criou em outros países, como a França, a Alemanha e o Brasil. Este aqui é um Romi Isetta-brasileiro, e ele está anunciado no GT40. Mas não é um Romi-Isetta qualquer, porque na traseira está o lendário quatro-cilindros em linha da Honda CB 750 Four, conhecida também como “Sete Galo”.

Contamos a história do Isetta há algum tempo (nem muito, nem pouco) aqui no FlatOut, mas vale relembrar rapidinho. Nos anos 50, a italiana Iso Autoveicoli, que fabricava geladeiras, motos e sidecars, decidiu aventurar-se pela primeira vez no segmento automotivo. Nos anos 60 eles ficariam conhecidos pelo Iso Grifo, muscle car italiano com motor V8 big block de Corvette, mas seu primeiro carro tinha menos de três metros de comprimento, só levava duas pessoas e era movido por um motor bicilíndrico de 236 cm³ e 9,5 cv. Sua velocidade máxima era de 85 km/h, e ele levava meio minuto para ir de zero a 50 km/h. Era um carro essencialmente urbano – mais confortável que uma moto, mas não muito apropriado para viagens.

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Na Alemanha o Isetta foi fabricado pela BMW e na França, pela Velam. No Brasil, em 1956 o Isetta começou a ser fabricado pela Romi, três anos depois do original italiano. No início seu motor era exatamente igual ao do Iso Isetta, porém no ano seguinte foi adotado um monocilíndrico BMW de quatro tempos e 300 cm³, capaz de produzir 13 cv. A velocidade máxima ainda era de 85 km/h, mas a aceleração melhorou bastante, bem como a economia de combustível.

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O Isetta que está anunciado no GT40, porém, é “um pouquinho” mais forte: ele recebeu o motor quatro-cilindros em linha de uma das motos esportivas mais adoradas do Brasil. Vendida de 1969 a 1976, a CB 750 Four tinha comando duplo no cabeçote, corpos de borboleta individuais e quatro carburadores – arranjo suficiente para entregar 82 cv a 9.500 rpm e 6,5 mkgf de torque. Para se ter uma ideia, a potência é mais de 600% maior que a original, e a velocidade máxima foi de pouco mais de 80 km/h para 157 km/h – quase o dobro.

O carro está à venda na loja Universo Marx, em São Paulo/SP, aos cuidados de Maurício Marx. Atualmente pintado de azul claro e branco, o pequeno Romi-Isetta 1957 já é equipado com o motor de Sete Galo há alguns anos e até foi tema de matérias em revistas especializadas, quando a carroceria ainda era amarela.

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A instalação do motor Honda e da caixa sequencial de seis marchas (acionada por uma alavanca à mão esquerda do motorista, em um console adaptado na lateral) exigiu a fabricação de uma estrutura tubular sob medida no cofre, que também aloja o diferencial e os semi-eixos de um Gordini – o arranjo original, com um eixo rígido bastante estreito, não permitia que o pequeno Isetta fizesse curvas mais rápidas sem sair de frente. A marcha a ré fica por conta de um motor elétrico, ligado a uma cremalheira que também serve como disco de freio traseiro. Na dianteira, foram usados os freios a disco de um monomotor Embraer EMB-711 “Corisco”, que teve 477 unidades vendidas no Brasil.

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Outras modificações dignas de nota são os pneus, que são originais na dianteira mas atrás deram lugar aos do Mini Cooper clássico, mais largos; a suspensão, com molas e amortecedores mais firmes; e a coluna de direção de Chevette, mais direta e precisa que a original.

O carro aparenta ótimo estado de conservação e tem toda a mecânica em ordem, e teve o interior refeito em padrão azul marilho com xadrez. Se você ficou interessado, basta clicar aqui para acessar o anúncio e pegar os contatos do proprietário.

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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