O trágico acidente de Gilles Villeneuve: uma análise médica

Hugo Torres 9 novembro, 2014 56
O trágico acidente de Gilles Villeneuve: uma análise médica

O Doctor Gas de hoje vem contar a história de um dos maiores pilotos da Fórmula 1 que não conseguiram conquistar um título mundial. Na qual muitos consideram a “Era de Ouro” da categoria, muitas figuras se destacaram e são cultuadas atualmente, como Ronnie Peterson, Mario Andretti, James Hunt, Jody Scheckter e Emmerson Fittipaldi. Para os fãs da Ferrari, no entanto, o posto de maior figura da época ficará eternamente dividido entre Niki Lauda e Gilles Villeneuve.

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Joseph Gilles Henri Villeneuve nasceu em janeiro de 1950 em Richelieu, província de Quebec. Membro de uma família de classe média, Gilles teve seu primeiro contato com um volante já aos sete anos de idade graças à insistência de seu pai – imaginamos que da parte dele também não houve objeção. Aos 17, apenas um ano após a aquisição da permissão para dirigir, iniciou sua carreira no automobilismo em corridas regionais de snowmobile e provas de arrancada.

Villeneuve

Demonstrando bastante destreza em suas participações e já pai de seu primogênito Jacques, Gilles entraria em 1972 para a equipe Moto-Ski e no ano seguinte na Fórmula Ford, onde conquistaria o título do campeonato de Quebec e o prêmio de novato do ano. 1974 seria o ano da entrada na Fórmula Atlantic, importante categoria de monopostos na América do Norte naquela década. O desempenho de Gilles foi assombroso em 1976, clamando nove vitórias em 10 corridas e os títulos americano e canadense, além de ser chamado pela McLaren para disputar o GP de Pau, na França, pela Fórmula 2.

Villeneuve

Gilles em seu Formula Atlantic, em 1974

Chancelado por James Hunt, Villeneuve foi convidado para disputar a temporada de 1977 pela mesma McLaren como terceiro piloto, fazendo sua estreia no GP da Grã Bretanha. Segundo o próprio Gilles, a sua experiência com os snowmobiles o dava grande noção de controle e bons reflexos, mas apesar de todo o reconhecimento de suas capacidades o motivo de sua posterior contratação pela Ferrari naquele ano para o GP do Canadá, como substituto de Niki Lauda, era bem mais ingrato: Enzo queria um piloto jovem e inexperiente, para mostrar a todos que o mais importante para a vitória eram os carros, não seus condutores.

Marcado na sua segunda corrida pela Ferrari por conta da morte de um espectador e um fiscal de pista que se encontravam em local proibido, após uma colisão com Ronnie Peterson em Fuji, Gilles passou 1978 lutando com erros e questionamentos da imprensa italiana. Suas performances arrojadas e manobras arriscadas só iriam encontrar um ponto de equilíbrio no fim da temporada, com provas importantes e a conquista do GP do Canadá, sendo até hoje o único canadense a vencer uma corrida em casa.

Villeneuve

 

Com a saída de Carlos Reutemann em 1979, Villeneuve fez dupla memorável com o sul-africano Jody Scheckter. Em disputa apertada naquele ano, ambos conquistaram 3 vitórias, mas a maior regularidade do companheiro o presenteou com o título. Apesar do segundo lugar e de uma sessão de treino assombrosa nos EUA, quando ficou nada menos que 11 segundos à frente de todos os outros pilotos na chuva, a memória mais marcante daquele ano fica para a Disputa (com D maiúsculo mesmo) entre Gilles e René Arnoux no GP da França. Após ser ultrapassado e perder o segundo lugar a 3 voltas do fim da prova, Villeneuve iniciou um ataque feroz a Arnoux, com diversos toques entre as rodas dos dois carros e troca de posições para completar a corrida à frente do francês.

A disputa é uma demonstração do estilo de pilotar de Gilles, e Arnoux o elogiou eternamente por esta performance. A vitória ficou com Jabouille.

Gilles vinha para a temporada seguinte como maior aposta nas casas de Londres, mas o 312T5 decepcionou a todos. Graças à conquista de apenas 6 pontos e mais 2 de Scheckter, seu companheiro decidiu sair da equipe e foi substituído por Didier Pironi. Em 1981 o primeiro carro turbo da Ferrari, 126C, mais uma vez o deixaria na mão por conta do lag absurdo e downforce aquém dos demais veículos do grid. Apesar das adversidades, Gilles ainda conquistaria duas vitórias em Monaco e na Espanha, além de uma atuação nada menos que épica no Canadá, quando o bico de sua Ferrari se partiu antes da metade da corrida e cobriu sua visão por várias voltas até romper por completo. Sob forte chuva e sem asa dianteira em um carro com downforce reconhecidamente ruim, Villeneuve completaria a prova em terceiro lugar.

Não prossiga sem assistir!

Para a temporada de 1982 a Ferrari prometia uma revisão extensa nos carros, com melhoras no chassi e no motor. As modificações pareceram surtir certo efeito, pois Gilles liderava a segunda prova em Jacarepaguá antes de perder o controle do veículo e terminou em terceiro em Long Beach, sendo desqualificado por irregularidades na asa traseira. A quarta prova foi realizada em San Marino e envolveu um episódio daquela que ficou conhecida como a “Guerra FISA-FOCA”.

Nelson Piquet, piloto da Brabham, havia recebido a bandeirada em primeiro no GP do Brasil, mas na inspeção após a corrida teve seu carro declarado abaixo do peso. Sob observação mais minuciosa, os fiscais perceberam um tanque de água de cerca de 26l utilizado para “esfriar os freios”. O tanque se esvaziava durante a corrida e posteriormente seria preenchido para evitar problemas na inspeção. Após a desqualificação do brasileiro, Bernie Ecclestone, então presidente da FOCA (Associação dos Construtores da F1) e da Brabham, resolveu boicotar a corrida de Imola junto ao restante das equipes associadas.

Com este imbróglio, apenas 14 carros iniciaram a corrida e 5 a completaram, com Villeneuve e Pironi a liderar as últimas voltas e protagonizando uma estranha cena. Após uma virtual vitória garantida com a saída dos carros da Renault, os dois receberam ordem de diminuir a velocidade, mas Pironi ultrapassaria Gilles após alguns minutos. Dando o troco depois e pensando que o companheiro queria apenas entreter a torcida, Villeneuve tomou a dianteira e logo reduziu o ritmo novamente. Na última volta, no entanto, Pironi novamente ultrapassou Gilles, desta vez fazendo um corte agressivo à sua frente no fim do movimento para terminar a prova em primeiro lugar. Possesso, Villeneuve prometeu nunca mais falar com o companheiro.

Apenas duas semanas depois teria início a próxima corrida, na Bélgica. No dia da classificação o clima de guerra imperava, e a 8 minutos do fim da última sessão Pironi se punha em sexto lugar, 1 décimo de segundo à frente de Gilles. Com seu último jogo de pneus, Villeneuve vinha em alta na Butte quando avistou Jochen Mass à sua frente, em velocidade inferior. Tentando dar passagem, Mass moveu-se para a direita, mas Gilles também o faria. A Ferrari atingiu a traseira da March a mais de 200km/h e iniciou uma sequência de capotagens, arremessando seu corpo após a ruptura dos cintos a uma distância de 50 metros até a cerca de contenção, aos pés de atônitos fiscais de pista.

Noticiário da época. A colisão ocorre aos 00:17 e no segundo 22 é possível ver o corpo de Gilles atravessando o vídeo

Derek Warwick e John Watson foram os primeiros a parar e socorrer Gilles, já sem respirar e com seu rosto azulado. O primeiro médico chegou após apenas 35 segundos e ao perceber a ausência de respiração logo intubou o piloto, garantindo a ventilação dos seus pulmões e o transporte até o hospital foi feito em 11 minutos. Apesar da prontidão no atendimento, Gilles não recobrou em momento algum a consciência e foi declarado morto na mesma noite, na presença de sua esposa.

Infelizmente a prova no dia seguinte não viu grandes homenagens a Villeneuve, ao contrário do que esperavam e queriam os colegas de grid. Após a vitória de Keke Rosberg, Pironi passou a conquistar resultados importantes, mas após um acidente brutal em Hockenheim, também na classificação e também com uma Ferrari atingindo a traseira de um carro — desta vez o Renault de Alain Prost —, Didier quase perdeu suas duas pernas e nunca mais voltou a pilotar um Formula 1. No restante da temporada Keke Rosberg levaria dois pódios e uma vitória, ficando com o campeonato.

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O mecanismo

Segundo o relato do Dr. Sid Watkins, a causa da morte de Gilles foi a fratura de vértebras da região do pescoço. Neste tipo de lesão, muito comum nos acidentes com ejeção para fora dos veículos, a maior preocupação é com a medula espinhal, que passa por dentro dos corpos das vértebras. Ela emerge da base do crânio e serve de comunicação entre o cérebro e outras estruturas do sistema nervoso a todos os órgãos e extremidades do corpo.

Villeneuve

 

As lesões se manifestam de forma clássica como perda de funções motoras (contração muscular) e de sensibilidade. Elas podem se dar em diversos níveis da coluna, que é dividida em porções; as mais baixas, se não contarmos o sacro, estão na coluna lombar. Normalmente as fraturas destas vértebras não têm grande repercussão neurológica, já que a parte mais calibrosa da medula já se dividiu e distribuiu pelas diversas partes do corpo.

Villeneuve

A medula é a porção em amarelo, com a divisão de cores para cada porção de nervos partindo. Reparem que ela termina no nível L1 (primeira vértebra da parte lombar), tudo que vai abaixo é somente raiz nervosa e portanto mais difícil de lesionar.

Com a ascensão do nível, vamos encontrando achados maiores no exame. Vale ressaltar, ainda, que as alterações verificadas podem não ser permanentes e devem ser confirmadas com avaliações posteriores. As fraturas de vértebras torácicas, localizadas logo acima das lombares, costumam vir acompanhadas de perda de força nos membros inferiores (paraplegia) e também da sensibilidade, junto a ausência de controle da bexiga e do ânus.

As vértebras do pescoço ou cervicais são aquelas que inspiram os maiores cuidados. Como elas estão localizadas logo abaixo da saída da medula, os feixes nervosos que as atravessam contém partes das conexões do cérebro com quase todo o corpo. Além das pernas, então, nas fraturas e luxações podem ser vistas tetraplegias e as complicações imediatas mais temidas: o “choque neurogênico”, por perda do controle da circulação sanguínea e déficit na nutrição dos órgãos, e a parada respiratória, por conta da ausência de estímulos controlando os músculos que fazem parte dos movimentos da respiração.

Villeneuve

 

Apesar dos escassos registros sobre o ocorrido com Gilles, a informação de fratura de vértebras cervicais se encaixa no contexto dos fatos que vieram à tona, com parada respiratória quase instantânea na sequência do acidente e dificuldade no manejo das demais lesões que possa ter sofrido, por conta do choque.

 

O que fazer?

Como vimos em textos anteriores, o primeiro passo deve ser sempre frisado e constitui a garantia da segurança do socorrista. A gravidade e a presença relativamente comum de lesões da coluna são ratificadas na já conhecida sequência ABCDE: a segurança das vias aéreas e a imobilização da coluna com colar cervical e prancha rígida são o primeiro ponto a ser abordado, já no item A.

Villeneuve

 

Os movimentos de rotação, flexão e extensão da coluna podem agravar ou até mesmo causar a perda de funções neurológicas. Por este motivo, caso a pessoa a prestar socorro se sinta insegura ou não tenha o material adequado disponível, a primeira medida será evitar a movimentação do paciente até a chegada da equipe treinada. Evitaremos aqui descrever a colocação do colar cervical e o posicionamento na prancha por ser atitude restrita ao socorrista e estar relacionada a riscos de lesão por imperícia.

Depois da imobilização do paciente – e talvez a intubação, se o mesmo não respirar espontaneamente no momento -, o mesmo deve ser conduzido agilmente a um serviço com experiência nestas lesões e se possível com neurocirurgião de plantão. Algumas sequelas podem ser prevenidas com a intervenção precoce, mas a previsão das mesmas ainda é um processo difícil e pouco confiável. A fisioterapia terá um importante papel na recuperação após o controle do quadro inicial.

 

O legado

Apesar da ausência de manifestações oficiais importantes dos dirigentes na corrida da Bélgica, como local vazio no grid, minuto de silêncio ou mesmo o cancelamento do evento, diversos fãs prestaram homenagens àquele que era considerado o maior showman e mais popular piloto da época. Pouco mais de 5000 pessoas foram a seu funeral, incluindo o primeiro-ministro canadense. Ninguém, no entanto, se surpreendeu com o ocorrido, já que nas palavras do próprio Gilles ele não tinha medo das colisões: “Claro que numa curva em quinta marcha e com a cerca ali, eu não quero bater. Não sou louco. Mas se é o fim da qualificação e você está tentando a pole, acho que dá para esquecer o medo…”

Villeneuve

 

Jochen Mass foi inocentado no incidente, apesar de questionado por outros pilotos. O acidente de Gilles e outros da temporada de 1982, como os de René Arnoux, Jochen Mass, Ricardo Paletti e Didier Pironi, estimularam o largo uso de fibra de carbono já instituído na McLaren no ano anterior na busca de chassis mais rígidos e resistentes a impactos. A pouca largura do circuito belga de Zolder foi questionada e este só viria a ser palco de uma corrida de F1 mais uma única vez.

Foi incentivado o uso de comunicação dos boxes com os pilotos a fim de alertar sobre os perigos da pista e uma grande discussão sobre os pneus utilizados nas classificações foi levantada, mas sem nenhuma conclusão contrária a seu uso. A busca por mais segurança dento do cockpit foi reforçada, em especial quanto à qualidade dos cintos de segurança.

Villeneuve

 

Jacques Villeneuve em um dos carros do pai

Tal como aconteceu com Dale Earnhardt, talvez a maior homenagem que Gilles pode ter recebido veio através de seu filho Jacques, com 11 anos de idade à época do seu falecimento. Mundialmente reconhecido, Jacques trouxe novamente o sobrenome à tona em 1995 com a vitória das 500 Milhas de Indianápolis e em 1997, quando se sagrou campeão da F1 sobre Michael Schumacher após uma colisão com o alemão na última corrida da temporada. Até hoje lembra o pai como pode.

Destemido para uns, inconsequente para outros, Gilles está eternizado batizando o circuito de Montreal, no Canadá, e vive na memória de família e fãs que o adoravam pela sua agressividade e arrojo. Como disse o próprio Gilles certa vez, “Se a vida é como um filme, eu tive sorte de atuar nela, de ser o escritor, protagonista e diretor do meu jeito de viver”.

 

 

  • Hugo Torres

    Galera, quero tecer dois comentários aqui, ambos em agradecimento. O primeiro vai para o Juliano, que me deu o prazer de receber Papai Noel aqui em casa já em novembro! Serve para vocês imaginarem o naipe dos souvenires que ele trouxe de Nürburgring! Do caralho os presentes, Barata, e o ring card usado por você já tem lugar cativo na minha carteira!!
    hahahahahahahahahah

    • Hugo Torres

      Tão empolgado que esqueci a foto!

      • BLK_Poomah_GTE78

        Dr. Torres, o médico mais rápido do Brasil!!! Que legal, bunitão! Parabenzalhaçasso. Mais do que merecido.

        • Hugo Torres

          Valeu, Poomah!!

      • Angelo_Jr

        Falando em Nurbur!!! Quase uma semana sem texto novo, será que aconteceu algo??

        • Hugo Torres

          Duvido muito, mas a vontade de ler por aqui tá grande também!

  • Deniz_almeida

    Como sempre, excelentes postagens. Deixo aqui uma sugestão, uma matéria sobre o acidente do grande Sir Frank Williams, que mesmo não tendo obtido sucesso como piloto, com certeza é um dos maiores nomes da história do automobilismo mundial.

    • Hugo Torres

      Acredito que não seja coincidência você pedir um post sobre o Frank logo hoje, Deniz, já que o mecanismo do trauma no acidente dele e de Gilles foi quase o mesmo! A maior diferença é que Sir Frank conseguiu escapar com vida…
      Pode ser assunto para um no futuro!
      Abraço

  • Hugo Torres

    O segundo vai pra o novo parceiro Luiz Leão, AKA Project Car #36. Valeu pelas dicas na tocada e pelo evento ainda mais divertido que virou o TD com a tua presença! Na próxima eu ando no Fiesta!!

    • Hugo Torres

      Acho que tenho que agradecer a Adroaldo Carneiro também por ter disponibilizado o Mini como modelo! Hahahahahaha

    • Luiz Claudio Leão

      vlw jovem!! eu que agradeco a oportunidade de ter andado aquele dia e matado parcialmente a secura kkkkkk dia 14 de dezembro e a sua vez de andar cmg no fiestinha kkk abracao!!

  • Pedro Gomes

    Não sei se aprovo a atitude do Comendattore em chamar um piloto inexperiente só pra provar que seus carros eram melhores (se bem que hoje em dia ta exatamente assim na F1)

    • ituano_voador

      É que esse caso foi em um contexto bem específico, pois Niki Lauda havia acabado de conquistar o título de 77 e assinado com a Brabham, recusando a oferta de renovação. Por isso Enzo Ferrari queria colocar alguém desconhecido em seus carros, para mostrar que o título de Lauda era devido ao carro. A grande ironia é que esse desconhecido foi justamente Gilles Villeneuve…

    • Angelo_Jr

      Na boa? Eu reprovo. O cara quer provar que no automobilismo a parte mais importante não é o piloto, e sim o carro. Qualé né, é por causa dessa prepotência dele que surgiu rivais pra ele como o touro e o fazendeiro do Texas. O cara fazia carros alucinantes, mas se achava tão “artista” nisso que esquecia que o automobilismo não é feito só de carros, mas principalmente de pessoas, assim como qualquer esporte.

      • Enzo já cagou uma vez dizendo que são motores que fazem carros e não a aerodinâmica, que essa não importava. Se não fosse a aerodinâmica suas ferraris seriam uma bela de uma bosta, que nem um gol quadrado com treskilimei, sem freios e com pneu careca…

        • Angelo_Jr

          Se só motor resolve-se, Carrol Shelby não precisaria do Daytona pra vencer em Le Mans hehehe

      • Pedro Gomes

        Você se refere a que como fazendeiro do texas? John Hennessey?

        • Angelo_Jr

          titio Carrol Shelby, o criador de galinhas 😉

  • Fla3D

    Muito bom, não perdi um e aguardando o próximo!

  • Angelo_Jr

    Cara, que mania chata da F1 (e do automobilismo em geral, vide o uso do HANS na Nascar) em só mudar as coisas depois que alguém morre!!! Sério, a F1 muitos vezes é tão responsável quanto aqueles retardados que colocam 400 cv a mais no cofre de um gol bola e não melhoram o freio.

    • SuzukaDriver90

      Isso se dá por conta de uma falsa sensação de segurança, vide o acidente do Bianchi. Quem imaginava que uma tragédia dessa ainda tinha espaço na F1? Todo acidente grave deixa, como legado alguma inovação ou até mesmo, simples mudanças nos procedimentos de segurança!

      • Lino

        O engraçado é que sempre que uma tragédia acontece parece que a FIA já tem algo prontinho pra implementar na sequência.

    • Hugo Torres

      Às vezes a ideia já existe e infelizmente aquele passo a mais que precisa ser dado pra implementar acaba sendo uma perda. Bem lembrado, Angelo, é bem por aí mesmo.

    • Rafael B.

      É aquela arrogância e a falsa sensação de que não tem como melhorar a segurança dos pilotos…
      Acha que,em 1994,no acidente do Senna,não achavam que possuíam o melhor e mais aprimorado sistema de segurança?

      • Marcos Amorim

        Sinceramente, não. Todo mundo sabia que era questão de tempo até alguém morrer, os comentários da época era que os pilotos estavam tento muita sorte nos acidentes.

        • DJUNIOR

          O do Bianchi no Japão mescla um pouco de sorte com um bocado de irresponsabilidade, porque tem que ser muito seco ao pote pra ter cojones de liberar os pilotos à corrida em cima de um tufão… Digamos que fora o Kubica, tem nego confiando demais na casca de fibra desses F1 modernos… Igual ao pessoal que viu 2 pilotos morrerem em 1994 confiando na estrutura (no 1o caso, o outro morreu com o carro intacto, mas a barra de direção resolveu dar um oi ao capacete dele…)

    • Rafael Fernando

      Posso estar enganado mas achei uma baita falta de responsabilidade ontm no GP de Interlagos o caso do Bottas, como falei posso estar enganado pq talvez o cinto solto não era tão grave, mas se precisava ser apertado novamente é pq era nescesario, então pq esperaram ate a proxima parada dele para apertar? e se nesse intevalo de tempo ele sofresse um acidente? Na minha opnião ele devia ter parado imediatamente apos perceber q o cinto estava solto.

  • Bruno

    Se tinha um cara que merecia vencer uma temporada, esse cara foi o Gilles Villeneuve!

  • SuzukaDriver90

    Mais um excelente artigo do Dr. Torres!

  • Hugo Torres

    Mais uma coisinha que eu queria falar: faz tempo que não recebo muitas sugestões, a maioria é dos primeiros textos e tem muito pedido isolado! Tem uns na agulha pra essas próximas duas postagens, mas mais pelo assunto a ser abordado que por ter sido sugerido. Fiquem à vontade, quem manda aqui são vocês!

    • Steve Wonder

      acho que um bom tema seriam os acidentes de Piquet em Indianópolis, Pironi em 82, Johnny Cecotto em 84 e Johnny Herbert na F3000 em 88, em comum todos eles tiveram múltiplas fraturas no membros inferiores.

    • Steve Wonder

      outro caso interessante seriam os acidentes com atropelamentos ou quedas em corridas de motovelocidade, como por exemplo os casos do Marco Simoncelli (MotoGp) e do Shoya Tomizawa (Moto 2), e outros em outras categorias, como aqui no site muitos são motociclistas, acho que seria importante saber o que acontece e como agir em casos de acidentes parecidos, seja nas pistas ou nas ruas.

    • MrBacon

      O acidente do Mika Hakkinen no início da carreira foi bem bizarro, ele quase perdeu a língua, se não me engano.
      Piquet também teve uma porrada séria na Tamburello, lembro dele dizer que numca mais foi o mesmo depois daquilo.

    • ituano_voador

      Acrescento às ótimas sugestões aqui postadas uma análise sobre os acidentes de Patrick Depailler e de Mark Donohue.
      E parabéns por mais um excelente texto!

    • Daniel Peixoto

      o acidente do Emerson Fittipaldi em Michigan, do Cristiano da Mata que atingiu um cervo, do Kubica, enfim… tem vários legais

      A do Greg Moore também, é bem interessante

    • Marcos Amorim

      O do Bellof, pela violência do impacto e pelo fato de como o cockpit avançado dos carros do Grupo C – herança dos antigos Grupo 5 – pode ter ajudado na morte dele. Tudo bem que um cockpit mais recuado talvez não fizesse tanta diferença, mas depois disso teve muita discussão e algumas regras mudaram.

      Edit.: O do Martin Donnely, creio que em Jerez, é outro que merece. Lembra o do Gilles, já que também foi ejetado do carro, mas sobreviveu. Todo quebrado, com um pé apontando para o outro, mas sobreviveu.

    • Mr. On The Road 77

      A mola do Rubinho na cara do Massa.

    • Fernando Oliveira Lopes

      Roberto Guerrero em Indianápolis 1987, vale a pena…

  • Steve Wonder

    li uma entrevista do Piquet dizendo que quando o carro se partiu, a parte inferior do cinto se soltou, fazendo o Gilles descer e ficar preso pelo pescoço na fivela do cinto (igual ao Rindt), enquanto o carro girava no ar..

    • ituano_voador

      Na verdade, o banco da Ferrari se destacou do monocoque, junto com os pontos de ataque do cinto de segurança. Gilles voou preso ao assento – isso é possivel de se conferir no vídeo postado no texto. E no 1º impacto do carro com o chão, após o toque com a March de Jochen Mass, Gilles perdeu o capacete, e depois, quando voou fora da Ferrari, chocou-se de cabeça com um poste de madeira que sustentava a cerca de proteção da pista, o que ocasionou as lesões fatais.

  • HighwayStar_84

    Excelente postagem!

    Gilles Villeneuve é um dos maiores pilotos que já existiu!!! Piloto Arrojado com “A” maiúsculo! É a pura definição de bad-ass ao volante!!!

    Se não fosse por sua morte, com certeza teria levado um título…

    O Villeneuve foi arremessado pra fora do carro no acidente…seria muito difícil pra ele sobreviver àquilo…

  • Geraldo Camara

    F1 hoje perdeu-se a graça por não deixar mais existir essas disputas

  • Brazooka

    Estou no último semestre da Faculdade, e tive um colega (excelente, e que se não tivesse ocorrido o que vou relatar, estaria se formando, também) que se acidentou de moto, e nas primeiras horas após o acidente, ele estava na condição de tetraplégico. O acidente foi às 07:30h (ele estava indo para o trabalho).
    Quando eu cheguei na Faculdade, às 19h, não sabia de nada e estava contente (era meu aniversário de 40 anos). Quando me informaram… Putz, cara… Ele é o tipo de pessoa que não merece/merecia isso. Ajudava todo mundo, trabalhador e estudioso, era um “faz-tudo”.
    Naquela hora, o máximo que consegui juntar de raciocínio foi dizer que “era um inchaço pressionando a medula, e quando o inchaço ceder, ele vai voltar a fazer tudo normalmente” (era a MINHA esperança).
    Quase isso. O inchaço cedeu, ele recobrou a sensação dos membros, mas não conseguia controlar nada (e zero de força). O controle das pernas era muito (comparativamente, porque era ruim) melhor do que dos braços. Resultado: fisioterapia até hoje. Já está conseguindo caminhar, mas os braços ainda tem muito trabalho pela frente (já fazem dois anos).

    • Hugo Torres

      Um grande relato, Brazooka, mostra exatamente o drama que é a recuperação nessas situações. Obrigado!

      • Brazooka

        Eu que agradeço por dispenderes horas/dias preparando estes textos, Doc Gas!!!
        E por se dar ao trabalho de ler os comentários, também.

        Abusando da solicitude, é normal ser mais fácil perder o controle dos braços do que das pernas, em um acidente assim?
        Ele estava de capacete, não teve QUALQUER fratura, nem corte, mas ele caiu de nuca exatamente na quina do guard-rail (muito, mas MUITO azar).

        • Hugo Torres

          Pow, faço por vocês e pelo site, mas por mim também, é muito legal escrever num veículo que você admira!
          E respondendo ao questionamento, é na verdade mais raro ver as pessoas perderem a força nos braços e manter nas pernas. Cada parte da medula é responsável por um tipo de função, como sensibilidade, coordenação, movimento ativo, ordenar os órgãos internos… Em cada parte, como na movimentação, essa distinção mais acentuada só se dá quando os nervos saem da medula em cada raiz, direcionados para um lugar específico. Pode ter acontecido que além de lesar a medula propriamente dita num primeiro momento, tenha havido algum tipo de acometimento das raízes dos nervos que vão para os braços. Essa falta de movimentação é mais proeminente em algum dos músculos do braço? É mais generalizada? Como estão exatamente as pernas? São questões que, junto aos exames auxiliares como a ressonância, podem ajudar a entender qual parte saiu mais lesada.
          Espero ter ajudado!
          Abraço

          • Brazooka

            Ele não conseguia movimentar nada nos braços (e insensibilidade também).
            Agora, está conseguindo movimentar tanto o braço, quanto o antebraço, pulso, mão e dedos, mas a coordenação ainda é falha (e ainda sem força suficiente para conseguir segurar algo).
            Já consegue caminhar, de forma regular (decidido), mas nada mais que isso (correr, nem pensar), e fica cansado facilmente (muito esforço).

            Cabe ressaltar que a esposa (que também é fisioterapeuta) foi decisiva nesta melhora dele.

          • Hugo Torres

            Realmente, os dados sugerem mais lesão de raiz nervosa do que da medula propriamente dita. Foi uma sorte gigantesca ter uma esposa fisioterapeuta, sem uma atenção especial ele podia estar muito mais longe do que já conseguiu atingir. Espero sinceramente que ele viva com qualidade. Obrigado de novo pelo relato, Brazooka!

  • Lafaiete Do Vale

    Um dos melhores pilotos da história sim, mas uma das provas da idiotice de quem diz que o Schumacher é o melhor de todos os tempos tá nessa disputa com o Jacques Villeneuve. Dá pra ver no último replay como ele olhou no retrovisor e jogou a Ferrari pra cima da Williams na intenção de bater. 7 títulos mundiais, sendo que pelo menos 3 foram ganhos na vigarice e os outros correndo sem adversários à altura, fora as várias ajudinhas da equipe. Piquet e Prost foram melhores que Schumacher, com Senna então nem se compara.

    • Rafael Vázquez Doce

      Nem com Alonso…

    • Jose Marques

      Schumacher correu contra os pilotos numero 2 que ficaram depois que os pilotos numero 1 se aposentaram ou morreram, caso do Senna. Um dos maiores adversários do Schumacher foi o Mika, que foi segundo piloto com o Senna na Mclaren. Nem preciso falar mais nada. Só quando o Alonso chegou que o Schumacher teve um adversário de verdade, e perdeu dois títulos seguidos pra ele, levando-o a aposentadoria prematura. Correr contra pilotos medianos é fácil, ainda mais com o Dream Team que era a Ferrari

      • DJUNIOR

        Se o Mika, o Alonso e o Montoya (que hoje corre na IndyCar) disputassem no tapa títulos da F1 na mesma época certamente o Dick vigarista não teria mais que 3 campeonatos na conta. Se ele foi um grande piloto? Com certeza, mas a Ferrari o ajudou mais que deveria (Barrichello teria chance real de ganhar o mundial de pilotoa se a futura ex divisão da Fiat tivesse os deixado se matarem na pista, como a Mercedes-Benz/AMG faz com o Hamilton x Button).

  • Guilherme Gomes Zucco

    “Enzo queria um piloto jovem e inexperiente, para mostrar a todos que o mais importante para a vitória eram os carros, não seus condutores”

    Como era piadista o Enzo [ironia mode on] … se fosse por isso iria pros Drag

  • Marcos Amorim

    Gilles, mais um dos campeões sem título. Ele, Peterson, Pace, até o Rubinho estão nesse panteão.

    Sobre a treta com o carro do Piquet, a regra permitia que os carros fossem reabastecidos com os fluídos após a corrida antes da pesagem. Usaram uma brecha gigantesca no regulamento que depois a FISA não quis aceitar.

  • FRED

    LENDARIO.. SERÁ PRA SEMPRE LEMBRADO.

  • Henrique Amarante

    As disputas eram bem acirradas, chegou a arrepiar rsrs UMA LENDA